O segundo painel titulado “Investir em Saúde, Viver Mais” contou com a participação de Ana Paula Martins, Presidente do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte; Ana Sampaio, Presidente da Associação Portuguesa Doença Inflamatória Intestino; Rui Ivo, Presidente do INFARMED; Jorge Seguro Sanches, Deputado à Assembleia da República e Filipa Costa da Direção da APIFARMA.
Na sessão, Ana Paula Martins começou por reforçar o compromisso do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) na promoção da investigação clínica.
“Estamos muito focados naquilo que é a nossa agenda para a investigação clínica. O nosso objetivo claro e estratégico é duplicar, nos próximos três a cinco anos, o número de ensaios clínicos”, garantiu.
A presidente do conselho de administração do Hospital Santa Maria sublinhou que um maior investimento na investigação clínica permite a melhoria dos cuidados dos doentes, ao mesmo tempo, que garante a retenção e captação de recursos humanos especializados.
“Cerca de 210 ensaios clínicos, que são realizados em Portugal, são desenvolvidos pelo Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e esperamos conseguir duplicar este número”, destacou.
ENVOLVIMENTO DOS DOENTES
Sobre a importância do envolvimento dos doentes nos ensaios clínicos, Ana Sampaio foi bastante crítica.
“Por parte dos players, seja a indústria farmacêutica ou outras entidades públicas, não há um envolvimento nem partilha de dados e resultados com os doentes. Parece que há um clima em que todos desconfiam de todos… Nas associações de doentes vivemos muito isto. Não é clara esta relação. Não nos permitem trabalhar em conjunto e assim é difícil obter resultados”, lamentou.
A Presidente da Associação Portuguesa Doença Inflamatória Intestino deu como exemplo os constragimentos existentes no programa Incluir, “em que o Infarmed pede para nos pronunciarmos e darmos a nossa opinião sobre um determinado medicamento, mas não nos dá acesso acesso ao dossiê… É muito difícil eu me pronunciar sobre um fármaco do qual não sei absolutamente nada.”
Segundo Sampaio, o problema é “igual” no que toca aos ensaios clínicos, apontando algumas barreiras.
“Os consentimentos informados são muito extensos e difíceis de serem compreendidos. Muitas vezes as pessoas assinar sem sequer saber o que estão a assinar (…) Por outro lado, em Portugal é quase impossível um doente integrar um ensaio clínico de um outra unidade hospitalar”, afirmou.
A dirigente defendeu um olhar diferente para as associações. “Somos cada vez mais profissionais. Não somos associações que vendem canetinhas para angariar dinheiro. Nós defendemos a posição dos doentes e contamos com economistas, farmacêuticos, gestores, entre outros… Portanto, nós sabemos discutir de igual para igual”.
Em resposta, o presidente do INFARMED admitiu que é preciso investir numa maior transparência e colaboração. No entanto, frisou que as associações de doentes não podem servir como substitutos dos peritos. “As associações de doentes representam as pessoas portadoras de doença, não são substitutos dos médicos, farmacêuticos e economistas.”
“Quando falamos com as associações queremos saber a perspetiva do doente e o que é importante, não é ter um mais um doente perito nestes assuntos regulamentares. Sou a favor de que é preciso dar mais uns passos no sentido de garantir a transparência, mas temos de preservar essa individualidade”.
Na sua intervenção, o dirigente do Infarmed garantiu que a entidade reguladora está disponível para incluir os doentes.
INVESTIMENTO NA SAÚDE
Questionado sobre a falta de investimento na saúde e na investigação, o deputado à Assembleia da República, Jorge Seguro Sanches realçou o reforço que tem sido feito na Saúde nas últimas décadas.
“Não se pode dizer que o país não está a investir com grande capacidade naquilo que é a área da Saúde. Temos é de trabalhar a nível do planeamento, gestão e organização”, disse.
O deputado salientou que todos os anos, a Saúde é alvo de reforços constantes no Orçamento de Estado.
Apesar de reconhecer que o dinheiro não resolve as dificuldades, insistiu na necessidade de haver um melhor planeamento e comunicação entre as diferentes entidades.
O PREÇO DOS NOVOS FÁRMACOS
O preço dos medicamentos foi um dos temas trazidos a debate, tendo sido apontado como “o bloqueador”.
Sobre este assunto, a diretora da APIFARMA garantiu que “não é verdade que os novos medicamentos quando chegam ao mercado tenham preços elevados.”
Filipa Costa refere que mesmo quando a eficácia dos fármacos é comprovada, o Ministério da Saúde pede a redução do preço.
“Apesar da avaliação económica do medicamento justificar um preço superior, muitas vezes as negociações arrastam-se porque o Ministério da Sáude pede para baixar o preço e nós muitas vezes baixamos”, afirma.
“Diria que a maior parte dos medicamentos em Portugal entra por minimização de custos, apesar de ter maior valor terapêutico do que os comparadores que existem”, acrescentou.
A diretora da APIFARMA apelou para a valorização da inovação.
HN/VC
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