Especialistas discutem a importância do investimento na Saúde

8 de Novembro 2023

Um conjunto de especialistas participaram esta quarta-feira na conferência "Atrair Investimento em Saúde | Viver Melhor", promovida pela APIFARMA no Culturegest. 

O segundo painel titulado “Investir em Saúde, Viver Mais” contou com a participação de Ana Paula Martins, Presidente do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte; Ana Sampaio, Presidente da Associação Portuguesa Doença Inflamatória Intestino; Rui Ivo, Presidente do INFARMED; Jorge Seguro Sanches, Deputado à Assembleia da República e Filipa Costa da Direção da APIFARMA.

Na sessão, Ana Paula Martins começou por reforçar o compromisso do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) na promoção da investigação clínica.

“Estamos muito focados naquilo que é a nossa agenda para a investigação clínica. O nosso objetivo claro e estratégico é duplicar, nos próximos três a cinco anos, o número de ensaios clínicos”, garantiu.

A presidente do conselho de administração do Hospital Santa Maria sublinhou que um maior investimento na investigação clínica permite a melhoria dos cuidados dos doentes, ao mesmo tempo, que garante a retenção e captação de recursos humanos especializados.

“Cerca de 210 ensaios clínicos, que são realizados em Portugal, são desenvolvidos pelo Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e esperamos conseguir duplicar este número”, destacou.

ENVOLVIMENTO DOS DOENTES 

Sobre a importância do envolvimento dos doentes nos ensaios clínicos, Ana Sampaio foi bastante crítica.

“Por parte dos players, seja a indústria farmacêutica ou outras entidades públicas, não há um envolvimento nem partilha de dados e resultados com os doentes. Parece que há um clima em que todos desconfiam de todos… Nas associações de doentes vivemos muito isto. Não é clara esta relação. Não nos permitem trabalhar em conjunto e assim é difícil obter resultados”, lamentou.

A Presidente da Associação Portuguesa Doença Inflamatória Intestino deu como exemplo os constragimentos existentes no programa Incluir, “em que o Infarmed pede para nos pronunciarmos e darmos a nossa opinião sobre um determinado medicamento, mas não nos dá acesso acesso ao dossiê… É muito difícil eu me pronunciar sobre um fármaco do qual não sei absolutamente nada.”

Segundo Sampaio, o problema é “igual” no que toca aos ensaios clínicos, apontando algumas barreiras.

“Os consentimentos informados são muito extensos e difíceis de serem compreendidos. Muitas vezes as pessoas assinar sem sequer saber o que estão a assinar (…) Por outro lado, em Portugal é quase impossível um doente integrar um ensaio clínico de um outra unidade hospitalar”, afirmou.

A dirigente defendeu um olhar diferente para as associações. “Somos cada vez mais profissionais. Não somos associações que vendem canetinhas para angariar dinheiro. Nós defendemos a posição dos doentes e contamos com economistas, farmacêuticos, gestores, entre outros… Portanto, nós sabemos discutir de igual para igual”.

Em resposta, o presidente do INFARMED admitiu que é preciso investir numa maior transparência e colaboração. No entanto, frisou que as associações de doentes não podem servir como substitutos dos peritos. “As associações de doentes representam as pessoas portadoras de doença, não são substitutos dos médicos, farmacêuticos e economistas.”

“Quando falamos com as associações queremos saber a perspetiva do doente e o que é importante, não é ter um mais um doente perito nestes assuntos regulamentares. Sou a favor de que é preciso dar mais uns passos no sentido de garantir a transparência, mas temos de preservar essa individualidade”.

Na sua intervenção, o dirigente do Infarmed garantiu que a entidade reguladora está disponível para incluir os doentes.

INVESTIMENTO NA SAÚDE

Questionado sobre a falta de investimento na saúde e na investigação, o deputado à Assembleia da República, Jorge Seguro Sanches realçou o reforço que tem sido feito na Saúde nas últimas décadas.

“Não se pode dizer que o país não está a investir com grande capacidade naquilo que é a área da Saúde. Temos é de trabalhar a nível do planeamento, gestão e organização”, disse.

O deputado salientou que todos os anos, a Saúde é alvo de reforços constantes no Orçamento de Estado.

Apesar de reconhecer que o dinheiro não resolve as dificuldades, insistiu na necessidade de haver um melhor  planeamento e comunicação entre as diferentes entidades.

O PREÇO DOS NOVOS FÁRMACOS

O preço dos medicamentos foi um dos temas trazidos a debate, tendo sido apontado como “o bloqueador”.

Sobre este assunto, a diretora da APIFARMA garantiu que “não é verdade que os novos medicamentos quando chegam ao mercado tenham preços elevados.”

Filipa Costa refere que mesmo quando a eficácia dos fármacos é comprovada, o Ministério da Saúde pede a redução do preço.

“Apesar da avaliação económica do medicamento justificar um preço superior, muitas vezes as negociações arrastam-se porque o Ministério da Sáude pede para baixar o preço e nós muitas vezes baixamos”, afirma.

“Diria que a maior parte dos medicamentos em Portugal entra por minimização de custos, apesar de ter maior valor terapêutico do que os comparadores que existem”, acrescentou.

A diretora da APIFARMA apelou para a valorização da inovação.

HN/VC

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