SPMI diz que SNS “parece estar a desmoronar-se”

4 de Dezembro 2023

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) alertou esta segunda-feira para a crise do Serviço Nacional de Saúde. A SPMI  volta a promover o Mês da Medicina Interna, em dezembro.

Citada em comunicado, Lèlita Santos, Presidente da SPMI afirmou ver com preocupação o número de vagas que ficaram por preencher no concurso de acesso À especialidade.

“Iniciamos o Mês da Medicina Interna com a notícia que no concurso para a escolha das especialidades e, sem qualquer surpresa, ficaram vagas por preencher e a Medicina Interna foi a especialidade hospitalar com mais vagas não ocupadas. Sendo a Medicina Interna, a especialidade que sustenta os hospitais e, por sua vez, fulcral no SNS, é necessário que todos, sobretudo os decisores políticos, façam a devida reflexão. É preciso perceber porque é que esta especialidade parece já não ser atrativa pois o futuro do SNS está comprometido se não se inverter esta situação”, alertou.

De acordo com a SPMI, o SNS “parece estar a desmoronar-se” 

“É incontornável o trabalho dos internistas nas urgências, um claro motivo para o desânimo por esta especialidade, não porque não queiram trabalhar nos serviços de urgência, mas porque estes Serviços estão desorganizados, por razões já antes identificadas. Há excesso de doentes nas urgências por falta de apoios na comunidade e nas instituições, muitas destas idas à urgência poderiam ser evitadas com equipas de saúde suficientes, que pudessem dar apoio no domicílio, ou o acesso fácil a médico nas instituições com doentes ou idosos com multimorbilidades, ao seu cuidado. Também a organização de um melhor acesso aos Cuidados Primários poderia evitar as idas à urgência de doentes com descompensações das suas doenças crónicas ou dos que não têm sequer, médico de família. No Serviço de Urgência, os internistas devem dedicar-se às tarefas que lhes competem, da avaliação e tratamento do doente complexo com condições clínicas de urgência ou emergência” afirma a Presidente da SPMI.

A SPMI defende um maior investimento nos Cuidados de Saúde Primários criando mais Unidades de Saúde Familiares e promovendo a redução da população sem Médico de Família.

A SPMI defende que os internistas e os internos de medicina interna, “têm de ser valorizados através de medidas justas que podem passar por incentivos e por remunerações adequadas ao seu trabalho.”

PR/HN

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