Detetada ‘legionella’ em escola secundária de Espinho mas não há risco para saúde

18 de Janeiro 2024

A empresa Construção Pública confirmou esta quarta-feira ter sido detetada a presença de 'legionella' na Escola Secundária Dr. Manuel Gomes de Almeida, em Espinho, distrito de Aveiro, garantindo não existir risco para a saúde da comunidade escolar.

Questionada pela Lusa, fonte da Construção Pública (antiga Parque Escolar) referiu que a presença da bactéria legionella foi detetada “no chuveiro do balneário feminino, no chuveiro do balneário dos professores e numa torneira de água quente num WC”.

“Foram de imediato aplicados os procedimentos em vigor e, até à receção do resultado de todas as contra-análises necessárias, os referidos equipamentos permanecem interditos”, refere a mesma fonte.

A Construção Pública esclarece ainda que, apesar da interdição destes equipamentos, a escola continua em pleno funcionamento, não havendo risco de saúde para a comunidade escolar.

Em 4 de dezembro de 2023, no âmbito do plano de manutenção e conservação preventiva do estabelecimento de ensino, foram recolhidas amostras de água tendo sido detetada a presença de “legionela spp” numa torneira de água quente num WC e “legionella pneumophila, serogrupo 2-14”, a variante mais grave, no chuveiro do balneário feminino e no chuveiro do balneário dos professores.

A 21 de dezembro, a Câmara de Espinho emitiu um comunicado onde dava conta da existência de uma possível situação de ‘legionella’ na Escola Secundária Dr. Manuel Gomes de Almeida.

Na nota, a autarquia referia que, na sequência da deteção (ainda sujeita a contra-análise) de presença de ‘legionella’, foi suspensa a utilização dos espaços e equipamentos em questão, e realizados choque térmico e choque químico nos locais devidos.

“Não existe, até ao momento, qualquer caso de ‘legionella’ na população de Espinho e não se prevê que tal possa acontecer em resultado da situação concreta que aqui se refere”, adiantou a câmara.

O município entendia ainda não haver motivo para alarme público ou preocupação acrescida, uma vez que as evidências se direcionam no sentido de se tratar de “um caso isolado, pontual e adequadamente abordado pelas autoridades competentes”, sem necessidade de qualquer medida adicional.

A 4 de janeiro, a escola enviou um email aos encarregados de educação a informar que os balneários serão somente utilizados para troca de equipamentos e de higienização alternativa, estando interdito o uso de chuveiros e de lavatórios, mas sem explicar quais os motivos da interdição.

A Lusa tentou obter esclarecimentos por parte da Escola e da Administração Regional de Saúde do Norte, mas até ao momento não foi possível.

A doença do legionário, provocada pela bactéria “Legionella pneumophila”, contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Cuidados continuados integrados: o desafio da fragmentação em Portugal

A prestação de cuidados continuados em Portugal caracteriza-se pela fragmentação entre serviços de saúde e sociais, criando lacunas na assistência a idosos e pessoas com dependência. A falta de coordenação entre os diferentes níveis de cuidados resulta em transições inadequadas e sobrecarga para as famílias

Cuidados Paliativos em Portugal: Cobertura Insuficiente para uma População que Envelhece

Portugal enfrenta uma lacuna crítica nos cuidados paliativos. Com uma população envelhecida e uma vaga de doenças crónicas, milhares terminam a vida em sofrimento, sem acesso a apoio especializado. A cobertura é um retalho, o interior é um deserto de cuidados e as famílias carregam sozinhas o peso de um fim de vida sem dignidade

O Paradoxo Português: Mais Médicos Não Significa Melhor Saúde

Portugal supera a média da OCDE em número de médicos, uma vantagem que esconde uma fragilidade crítica. A escassez persistente de enfermeiros compromete a eficácia dos cuidados, sobrecarrega o sistema e expõe um desequilíbrio perigoso na equipa de saúde nacional

Prescrição segura em Portugal: antibióticos e opioides ainda acima das melhores práticas internacionais

Portugal mantém níveis de prescrição de antibióticos nos cuidados primários superiores à média da OCDE, um padrão partilhado com outros países do sul da Europa. Este uso excessivo, aliado a uma tendência crescente para opioides, alerta para riscos de resistência antimicrobiana e dependência, exigindo uma estratégia nacional concertada para mudar práticas clínicas e culturais profundamente enraizadas

Prevenção em Saúde: A Cura que Portugal Ignora

Apenas 3% da despesa em saúde em Portugal é canalizada para a prevenção. Este investimento residual, estagnado há uma década, condena o sistema nacional a um ciclo vicioso de tratamentos caros e reativos. Enquanto isso, países como a Finlândia e o Canadá demonstram que priorizar a prevenção é a estratégia mais inteligente e económica para travar o tsunami das doenças crónicas

Inovação em Saúde Portuguesa: O Labirinto Burocrático que Prende o Futuro

O relatório “Health at a Glance 2025” da OCDE expõe uma contradição gritante em Portugal: apesar de uma investigação robusta e profissionais qualificados, a inovação em saúde enfrenta anos de entraves burocráticos, deixando os doentes à espera de terapias já disponíveis noutros países e travando a modernização do SNS

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights