Investigadores do NESC TEC lideram projeto que usa IA para diagnóstico de doenças pulmonares

19 de Janeiro 2024

Investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) lideram um projeto que, através da inteligência artificial, visa personalizar cuidados, otimizar recursos humanos, reduzir custos e tempo de diagnóstico de doenças pulmonares.

Em comunicado, o instituto do Porto esclarece hoje que o projeto AI4Lungs vai, ao longo dos próximos três anos e meio, desenvolver ferramentas e modelos computacionais para otimizar a categorização de pacientes, aperfeiçoar diagnósticos e tratamentos.

O projeto surge como resposta aos desafios associados à proliferação de doenças do foro respiratório relacionadas com cancro, doenças intersticiais e condições inflamatórias.

Ao desenvolver novas ferramentas, através de dados recolhidos na auscultação pulmonar, raio-X, TAC e análises clínicas, o projeto permitirá “apoiar os médicos durante o diagnóstico e o tratamento do doente, de modo a tentar guiá-lo neste processo”.

Citado no comunicado, o investigador do INESC TEC, Hélder Oliveira, salienta que este é “um projeto virado para o pulmão como um todo”.

“A ideia é que, a partir do momento em que um doente tem alguma consulta, o sistema consiga apoiar todo o processo de estratificação, perceber o que é a doença e se é necessário fazer mais exames para a diagnosticar”, acrescenta o investigador.

O projeto vai desenvolver tecnologias para melhorar os dispositivos que são usados no diagnóstico e integrar novas ferramentas numa única plataforma para acompanhar a decisão clínica, tornando o processo “mais rápido e menos exaustivo”.

“Esta plataforma vai ter acesso aos dados dos hospitais do projeto e replicar todo o processo clínico em paralelo, sugerindo recomendações aos médicos sem intervir com a normal prática clínica”, refere, também citado no comunicado, o investigador Duarte Dias, do INESC TEC.

O projeto pretende ainda usar duas tecnologias: a auscultação digital feita no INESC TEC e a biopsia liquida do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), que também integra o projeto.

“A biopsia líquida é utilizada quase sempre em cancros mais avançados e nós queremos introduzi-la na frente de ataque para perceber o tipo de cancro, em vez de se optar por dezenas de exames”, acrescenta Hélder Oliveira.

No âmbito do projeto vão ser realizados dois pilotos, um dos quais no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNGE), entidade que já trabalha com biopsia liquida e onde será testado o funcionamento da plataforma de apoio à decisão.

O outro protótipo será testado no Rabin Medical Center, em Israel.

Financiado em 6,9 milhões de euros, o projeto integra mais de 17 parceiros.

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Doentes urgentes esperam hoje mais de 14 horas no Amadora-Sintra

Os doentes classificados como urgentes que procuram o Hospital Prof. Doutor Fernando da Fonseca, em Amadora-Sintra, enfrentam atualmente tempos de espera superiores a 14 horas para a primeira observação médica, de acordo com dados do portal do SNS consultados esta manhã. 

O relatório OCDE e o resto: o que os números da saúde não mostram

Praticamente toda a população portuguesa tem cobertura para um conjunto central de serviços de saúde, atingindo a universalidade. Contudo, apenas 58% dos cidadãos dizem estar satisfeitos com a disponibilidade de cuidados de qualidade, um valor que fica abaixo da média dos países mais desenvolvidos

Prevenção em Contraciclo: Os Dois Rostos da Qualidade da Saúde em Portugal

O relatório “Health in a Glance 2025” da OCDE revela um sistema de saúde português com contrastes. Enquanto a adesão ao rastreio do cancro da mama, com 55,5%, fica aquém da média da OCDE, a prescrição de antibióticos mantém-se elevada, sublinhando desafios antigos na prevenção de doenças e no uso prudente de medicamentos

Assimetrias Regionais em Saúde Desenham Dois Países Diferentes Dentro de Portugal

Um retrato detalhado do sistema de saúde português revela um país cindido por assimetrias regionais profundas. Enquanto o litoral concentra hospitais e especialistas, o interior enfrenta desertificação médica, acessos limitados e piores resultados de saúde, desde uma menor esperança de vida a uma maior mortalidade prematura. As políticas públicas existentes são apontadas como insuficientes para travar este fosso, que espelha desigualdades socioeconómicas

Disparidades de género na saúde: Homens morrem mais cedo, mulheres vivem mais anos doentes

Em Portugal, como no resto da OCDE, os homens vivem em média menos 5,8 anos do que as mulheres, mas o paradoxo de género revela-se nos detalhes: elas passam uma proporção significativamente maior da sua vida em pior estado de saúde. Esta dupla realidade, com os homens a morrerem mais cedo de causas externas e doenças cardiovasculares e as mulheres a carregarem um fardo pesado de doenças crónicas e incapacitantes, desafia os sistemas de saúde a desenvolverem respostas mais direcionadas

Saúde dos Profissionais de Saúde: O Elo Mais Fraco do Sistema em Portugal

O relatório da OCDE revela uma crise silenciosa a minar o SNS: o esgotamento extremo dos seus profissionais. Com 47% dos médicos e 52% dos enfermeiros com burnout, Portugal destaca-se negativamente na Europa. Este não é apenas um problema de bem-estar individual, mas uma ameaça direta à qualidade e segurança dos cuidados de saúde prestados à população

Relatórios internacionais alertam para dupla desigualdade na saúde: entre géneros e entre ricos e pobres

Portugal observa uma transformação subtil na forma como encara a população mais velha. Para lá dos números, ganham corpo iniciativas que procuram responder ao desafio do isolamento e da inatividade, envolvendo autarquias, instituições de solidariedade e os próprios idosos na construção de respostas que vão do exercício físico ao apoio comunitário. Um movimento que tenta, devagar, mudar uma cultura

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights