INSA aponta para atividade gripal tendência decrescente, internamentos por RSV estabilizam

2 de Fevereiro 2024

Os internamentos por vírus sincicial respiratório em crianças até dois anos reduziram e estabilizaram na última semana e os casos de gripe mantêm a tendência decrescente, segundo o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA).

“O número de novos internamentos por infeção por RSV [vírus sincicial respiratório] em crianças menores de 24 meses na rede de vigilância sentinela mantém-se reduzido e estável nas últimas semanas”, refere o Boletim de vigilância epidemiológica da gripe e outros vírus respiratórios do INSA.

Desde 02 de outubro de 2023, início da época, foram reportados 401 casos de internamento por RSV pelos hospitais que integram esta rede.

Cerca de 49% dos casos tinham menos de três meses de idade, 17% eram bebés pré-termo e 10% tiveram necessidade de ventilação ou foram internados em Unidade de Cuidados Intensivos, adianta o INSA.

Os dados também indicam que “a mortalidade por todas as causas está de acordo com esperado” para a altura do ano.

Na semana de 22 a 28 de janeiro, foram identificados na Rede Portuguesa de Laboratórios para o Diagnóstico da Gripe e Vírus Respiratórios 479 casos positivos para o vírus da gripe, dos quais 464 do tipo A e 13 do tipo B. Em 60 dos casos foi identificado o subtipo A(H1)pdm09 e em 6 o subtipo A(H3).

Desde o início da época, os hospitais notificaram 69.359 casos de infeção respiratória e foram identificados 14.310 casos de gripe.

Na semana passada, foram reportados dois casos de gripe pelas 20 Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) que enviaram informação, tendo sido identificado o vírus influenza A não subtipado em ambos os casos.

“Verificou-se que um doente tinha entre 65-74 anos e o outro entre 55-64 anos. Dos doentes, apenas um apresentava doença crónica e ambos tinham recomendação para vacinação contra a gripe sazonal, nenhum dos quais estava vacinado”, observa o INSA

Nesta semana, a proporção da gripe em UCI foi de 1,3%, valor inferior ao registado na semana anterior (5,4%).

“A proporção da gripe em UCI aumentou entre as semanas 50 e 52 de 2023 [entre 11 e 31 de dezembro], altura em que atingiu os 17,1%, valor acima do registado em períodos homólogos (proporção máxima de 13,5% na época 2013-2014), tendo vindo a diminuir desde então”, salienta o INSA.

Desde outubro de 2023, foram reportados 142 casos de gripe pelas UCI que colaboram na vigilância, tendo sido identificado o vírus Influenza A em 135 casos.

Os dados adiantam que 76 doentes (53,5%) tinham 65 ou mais anos de idade, 30 entre 55-64 (21,1%), 23 entre 45-54 (16,2%), sete entre 35-44, (4,9%), cinco entre 25-34 (3,5%) e um entre 18-24 (0,7%).

Do total de casos, 120 (84,5%) tinham doença crónica subjacente, dois eram grávidas e 129 (90,8%) tinham recomendação para vacinação contra a gripe sazonal, 37 dos quais estavam vacinados.

Na semana passada, foram também reportados quatro casos de gripe pelas três enfermarias (uma de adultos e duas pediátricas) que enviaram informação, tendo sido identificado o vírus influenza A não subtipado no total de casos.

Desde o início da época, foram reportados 131 casos de gripe pelas enfermarias que colaboram na vigilância, tendo sido identificado o vírus Influenza A em 130 casos.

De acordo com os dados, foram identificados na semana anterior quatro casos de co-infeção, sendo um destes uma co-infeção SARS-CoV-2 e vírus da gripe, que desde outubro totalizaram 275 casos.

Nesta época, foram identificados outros agentes respiratórios em 9-389 casos. Na semana passada foram identificados outros agentes respiratórios em 304 casos, sendo o vírus sincicial respiratório e os vírus do grupo picornavírus os mais frequentemente detetados, refere o INSA no boletim.

LUSA/HN

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