Irlanda foi o primeiro país europeu a proibir o consumo de tabaco em locais públicos

1 de Abril 2024

A Irlanda tornou-se há 20 anos o primeiro país europeu a proibir totalmente o consumo de tabaco nos espaços públicos e locais de trabalho, medida que terá salvado 3.700 vidas só nos primeiros três anos da sua aplicação.

“Estima-se que se tenham salvado mais de 3.700 vidas na Irlanda nos primeiros três anos e meio após sua implementação – quase 2,7 vidas por dia – e resultou numa redução imediata de 26% nas doenças cardíacas isquémicas”, segundo Chris Macey, diretor de defesa e apoio ao doente da Irish Heart Foundation.

No dia que se celebra os 20 anos da lei de ambientes sem fumo de tabaco da Irlanda, a coordenadora da Comissão de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Sofia Ravara, afirmou que “foi uma estratégia de saúde pública muito bem pensada, muito bem implementada”, que foi liderada pelos Ministérios da Saúde e da Proteção às Crianças.

“A Irlanda foi muito inteligente ao pôr o foco das políticas de prevenção contra o tabagismo na proteção das crianças e dos jovens”, que são a população mais exposta aos malefícios do tabaco, e continuou sempre com esta mensagem.

A pneumologista recordou que, no início dos anos 90, a Irlanda era dos países europeus onde o consumo de tabaco nos jovens, entre os 13 e os 18 anos, era mais alto, com 38% dos rapazes e 40% das raparigas a fumarem.

Com a implementação deste “pacote robusto” de medidas ao longo do tempo, o consumo entre os jovens diminuiu mais de 70%.

Sofia Ravara destacou também o aumento do preço do maço de tabaco ao longo dos anos, que atualmente custa mais de 15 euros e está previsto que em 2025 chegue aos 20 euros.

“É uma medida importantíssima porque diminuiu imenso o acesso, sobretudo, às crianças, aos jovens e às pessoas desfavorecidas socialmente, que também são hoje as que mais fumam e as que mais adoecem porque têm menos acesso aos cuidados de saúde, etc”, salientou.

Para a pneumologista, a Irlanda não só implementou muito bem a lei, como também mostrou o seu impacto, nomeadamente a grande redução logo nos primeiros seis meses da admissão de doentes com problemas cardiovasculares e mais tarde a diminuição das infeções respiratórias nas crianças e dos casos de asma.

Também fez estudos que mostraram que os famosos ‘pubs’ irlandeses não tiveram um impacto negativo nas suas receitas económicas nem houve desemprego na restauração.

No entanto, o consumo voltou a aumentar com o lançamento dos cigarros eletrónicos, que não estão regulados em termos de preço e de marketing.

“Houve um forte marketing e um marketing enganoso também dirigido às crianças”, disse, explicando que estes produtos têm sabores e um ‘design’ que são muito apelativos para as crianças, que podem adquirir estes produtos, que têm um “custo muito menor” que os cigarros tradicionais, através da Internet.

Segundo Sofia Ravara, todos estes fatores levaram a uma situação que já era expectável: “Um aumento enormíssimo do consumo” e uma nova geração de adição aos cigarros eletrónicos que “são extremamente viciantes”.

No seu entender, esta situação mostra que tem que haver regulação destes novos produtos como tem alertado a Organização Mundial da Saúde (OMS), que “tem responsabilizado os países” para a sua regulação e até mesmo a proibição da sua comercialização.

Apesar desta situação, a Irlanda, a par do Reino Unido, tem estado sempre “no topo” da Escala de Controlo do Tabaco que mede as várias medidas de implementação de prevenção contra o tabagismo, desde ambientes livres de tabaco, aumento do preço ou até aos programas de tratamento.

“A mudança das normas sociais com as políticas abrangentes leva também a que as famílias, os pais e as pessoas percebam a importância de não expor os outros ao fumo do tabaco e, portanto, não fumam dentro de casa e não fumam dentro dos carros” e “mais uma vez as crianças são as principais beneficiárias”, salientou.

LUSA/HN

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