Autismo: “Quanto mais precoce a intervenção, melhor a funcionalidade da criança no futuro”

2 de Abril 2024

Em caso de suspeita levantada por um familiar, educador de infância ou médico assistente, a criança deverá ser prontamente avaliada por um especialista – geralmente, o pediatra do neurodesenvolvimento ou o pedopsiquiatra. No autismo, “quanto mais precoce a intervenção, melhor será a funcionalidade da criança no futuro”, alerta o médico Daniel Gonçalves.

Hoje, Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, o pediatra do neurodesenvolvimento do Hospital de São João, no Porto, explicou ao HealthNews que o autismo “é uma perturbação do neurodesenvolvimento que se caracteriza sobretudo por duas vertentes: por dificuldades na comunicação e na interação social e pela presença, que é muito frequente, de comportamentos repetitivos e estereotipados da criança”. “É das perturbações do neurodesenvolvimento mais frequentes em idade pediátrica, sobretudo no rapaz – a incidência no sexo masculino é cerca de quatro vezes superior à do sexo feminino.”

“Basicamente, caracteriza-se por essas dificuldades, que estão presentes desde uma idade muito precoce do desenvolvimento, se bem que, nos graus mais leves de autismo, às vezes só quando a exigência social extravasa as competências da criança é que se faz o diagnóstico.” “Utiliza-se o termo perturbação do espectro do autismo porque vai desde casos muito leves até crianças com autismos graves, altamente disfuncionais e limitativos da vida da criança e da família”, esclareceu Daniel Gonçalves.

“Quando há uma suspeita, a criança deve ser avaliada por um profissional que seja competente e que tenha experiência na área”, frisou o especialista. Habitualmente, cabe ao pediatra do neurodesenvolvimento ou ao pedopsiquiatra o diagnóstico, que geralmente é clínico, apesar de poder ser coadjuvado pela aplicação de algumas escalas do desenvolvimento.

“Confirmando-se o diagnóstico de uma perturbação do espectro do autismo”, prosseguiu o médico, “habitualmente o importante é uma intervenção terapêutica”, que, novamente, “deve ser o mais precoce possível”. “Depende muito da funcionalidade da criança, do grau do autismo e da idade da criança, mas na maior parte das vezes passará por sessões de terapia ocupacional, por sessões de terapia da fala, alguns meninos por sessões de psicologia clínica. Apesar de não haver nenhum medicamento para tratar o autismo, é muito frequente que os doentes tenham doenças juntamente com o autismo”, como hiperatividade e défice de atenção, problemas do sono, ansiedade ou epilepsia. “Há muitos doentes que têm comorbilidades que justificam o uso de medicamentos, não para o autismo em si, mas para problemas que muitas vezes andam de mão dada com o autismo.”

Simultaneamente, “é preciso orientação para serviços de apoio na comunidade”, é preciso “equipas de intervenção da comunidade” e “sessões com a família”, “é preciso referenciar à escola”. “É fundamental que esses meninos andem na escola porque um dos marcadores mais importantes é a dificuldade na interação; é preciso promover a interação com outros meninos.” E por vezes, dependendo também do grau do autismo, “pode-se investigar a causa”.

O diagnóstico pode ser realizado nos primeiros anos de vida. O ideal é que aconteça precisamente numa fase precoce do desenvolvimento, “em que há uma grande plasticidade neuronal”: “é uma altura chave para uma intervenção, porque quanto mais precoce a intervenção, melhor será a funcionalidade da criança no futuro”.

“O que nós queremos, no fundo, é que, naquele caminho de intervenção desde o diagnóstico até à idade adulta, a criança fique o mais funcional possível. (…) Nunca esquecendo que a gravidade do autismo também é um marcador muito importante do prognóstico”, concluiu o pediatra do neurodesenvolvimento.

HN/Rita Antunes

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