Diretor do programa para as doenças oncológicas quer dados nacionais e europeus harmonizados

23 de Maio 2024

O diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas (PNDO), José Dinis, defendeu esta quinta-feira a necessidade de harmonizar os registos nacionais com o registo europeu para garantir o acesso a políticas europeias e a financiamento.

“A Comissão Europeia precisa de olhar para os 27 e alocar recursos. O bom é que Portugal tem já muitos recursos instalados. Falta ligar as pontas”, disse José Dinis que participou hoje, no IPO do Porto, na sessão de abertura do II Congresso Nacional de Epidemiologia e Registo de Cancro, em representação da diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado.

José Dinis revelou que o Registo Oncológico Nacional (RON) foi classificado pelo Ministério da Saúde como a entidade representante de Portugal numa ‘joint action’ europeia que visa harmonizar os registos nacionais com o registo europeu.

“Isto é muito importante porque depois o que está no registo europeu é o que é válido para as políticas europeias e para o financiamento. É importante estarmos alinhados desde o início”, disse perante um público de profissionais de saúde, nomeadamente epidemiologistas.

Em declarações a jornalistas à margem da sessão, o responsável especificou que esta ‘joint action’ servirá para definir a forma como os dados são tratados e fornecidos ao sistema europeu de vigilância do cancro para que se possa “comparar alhos com alhos e bugalhos com bugalhos”.

O diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas apontou que se vive, atualmente, “um momento de mudança”, lembrando a aproximação das eleições Europeias marcadas para 09 de junho.

“O cancro está no topo da lista das prioridades nomeadamente da Comissão Europeia. Esperemos que continue. Devemos influenciar os políticos de todos os quadrantes para que o cancro esteja na agenda das eleições Europeias”, referiu.

Quanto ao RON, José Dinis considerou que este “precisa de um impulso”, um reforço que pode passar, acrescentou, “pela interligação com o registo nacional de vacinação ou com programas de rastreios, bem como com a interligação de informações mais precisas”.

Outro dos projetos destacados hoje, e para o qual a Direção-Geral da Saúde está a constituir grupos de trabalho, prende-se com a estratégia para a eliminação da infeção pelo Virus do Papiloma Humano (HPV).

“Portugal tem de ter uma estratégia para a eliminação do HPV. Não é só colo do útero, é o carcinoma da vagina, carcinoma do pénis, carcinoma da orofaringe, de doenças pré-malignas (…). Temos de estar alinhados com a OMS [Organização Mundial de Saúde], através do IARC [Agência Internacional de Pesquisa em Cancro] e da Comissão Europeia. Temos de convocar para este tema os epidemiologistas, todos vamos ser precisos”, concluiu.

O II Congresso Nacional de Epidemiologia e Registo de Cancro termina sexta-feira.

LUSA/HN

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