Miguel Múrias Mauritti Editor

O debate “Quit or Die”: a abordagem preto ou branco sobre o tabaco aquecido

10/03/2024

Apesar das resmas de estudos mostrando que o tabaco aquecido tem níveis drasticamente menores de carcinogéneos, governos e organizações de saúde persistem na inquisição ao fumo, negando furiosamente qualquer perspetiva de redução de danos e tratando os defensores dessas tecnologias como hereges da saúde pública.

Mais uma fogueira foi acesa na Santa Inquisição contra o tabagismo. Desta vez, a vítima das chamas purificadoras são estudos mostrando níveis drasticamente menores de carcinogénicos no tabaco aquecido.

Para o Santo Ofício da Saúde Pública, trata-se de outra heresia insanável. Apesar das resmas de evidências, essas novas tecnologias são vistas como bruxaria, condenadas À excomunhão.

Há décadas que se tenta reduzir os malefícios do cigarro, desde filtros nos anos 1960 até formas de aquecimento que, segundo toda literatura disponível, diminuem substâncias cancerígenas em até 99%.

No entanto, para os modernos caçadores de bruxas, isso é anátema. Qualquer menção à potencial redução de danos pelo tabaco aquecido é recebida com hostilidade. Um verdadeiro tribunal da inquisição forma-se para determinar a sentença adequada.

Os especialistas – mesmo os mais liberais – recusam-se a falar sobre o tema na praça pública.

Nessa cruzada contra a nicotina, mesmo as estratégias comprovadamente bem-sucedidas como a metadona são ignoradas. Importa apenas o dogma de que a abstinência total é a única salvação para o pecado do tabagismo.

Até autoridades como a FDA e institutos renomados da Alemanha e Holanda já reconheceram os benefícios do tabaco aquecido. Mas isso pouco importa para os fanáticos mais radicais.

Curiosamente, muitos desses obsessos anticigarro costumam ser os mesmos que defendem políticas de redução de danos para drogas pesadas. Mas quando se trata de nicotina, a irracionalidade impera.

Urge reformar essa mentalidade retrógrada. Em nome da saúde pública, precisamos de mais ciência e racionalidade, não de dogmatismo cego. Caso contrário, continuaremos presos aos autos de fé contra um inimigo imaginário, enquanto o verdadeiro problema continua a matar.

Miguel Múrias Mauritti

 

 

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