Ana Catarina Pinheiro
MGF
Hospital da Luz

Vaginose bacteriana: principais causas e tratamentos

2 de Dezembro 2024

A Vaginose bacteriana, ainda é, juntamente com a candidíase vulvovaginal, a causa mais comum de corrimento e mau odor vaginal. Estima-se que em todo o mundo a vaginose bacteriana seja responsável por 40-50% dos casos de vaginite e em Portugal apresenta uma incidência de cerca 15-20% entre as mulheres em idade fértil.

A Vaginose Bacteriana é caracterizada por três alterações no ambiente vaginal:

  • Substituição na microbiota vaginal de espécies de Lactobacillus sp. (produtores de peróxido de hidrogénio) por uma de alta diversidade bacteriana, incluindo bactérias anaeróbias. As principais bactérias detetadas em mulheres com vaginose bacteriana são: Gardnerella vaginalis, bactérias do género Prevotella Bacteroides e Peptostreptococcus e as espécies Mycoplasma hominis e Ureaplasma urealycum.
  • Produção de aminas voláteis pela nova microbiota bacteriana e redução da produção de ácido láctico.
  • o Aumento resultante no pH vaginal para >4,5 (o pH vaginal normal de mulheres em idade fértil (varia de 4,0 a 4,5)

Embora não seja considerada uma infeção sexualmente transmissível (IST), está associada à frequência da atividade sexual. Existe um aumento da sua prevalência em mulheres com múltiplos parceiros sexuais, novo parceiro sexual e se não for utilizado preservativo. Contudo, mulheres que nunca foram sexualmente ativas também podem ser afetadas, existindo desta forma outros fatores de risco, nomeadamente: duches vaginais frequentes, utilização de antibióticos, uso de dispositivos intrauterinos, menstruações prolongadas e o tabagismo. A relação da raça e etnia com o diagnóstico de vaginose bacteriana não é clara.

Mulheres com sintomas clássicos frequentemente descrevem um corrimento vaginal branco acinzentado, aquoso e homogéneo e com “cheiro de peixe”. Ardor ou prurido podem estar presentes. Algumas mulheres detalham que o odor é mais percetível após a relação sexual com parceiros homens, bem como durante e imediatamente após o período menstrual. No entanto, 50-75% das mulheres com vaginose bacteriana são assintomáticas.

O diagnóstico de vaginose bacteriana é sindrómico, isto é, baseado em sinais e sintomas clínicos e apoiado por testes laboratoriais, os quais variam em sensibilidade e especificidade.

A vaginose bacteriana torna as mulheres particularmente vulneráveis ao desenvolvimento de infeções bacterianas (Trichomonas vaginalis, Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis) e virais (HSV-2 e HIV-1). Assim, o objetivo do tratamento é o alívio dos sintomas e dos sinais de infeção, bem como reduzir o risco de adquirir uma IST.

É recomendado o tratamento de todas as mulheres sintomáticas e mulheres assintomáticas que vão ser submetidas a tratamento cirúrgico ginecológico. Não é recomendado o tratamento dos parceiros sexuais.

Os medicamentos mais comumente usados são o metronidazol e a clindamicina. Estes medicamentos estão disponíveis em formulações orais e vaginais. Medicamentos alternativos incluem o cloreto de dequalínio, secnidazol e tinidazol.

Alguns estudos revelaram que a aplicação de probióticos vaginais adjuvantes à terapêutica foi eficaz na prevenção das recorrências por um período de 6 meses.

A mulher deve ser aconselhada a usar preservativo durante o tratamento ou a evitar relações sexuais.

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