A Comissão Europeia anunciou recentemente as vencedoras e finalistas da 11.ª edição do Prémio Europeu para Mulheres Inovadoras, uma iniciativa conjunta do Conselho Europeu de Inovação (CEI) e do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT). Este prémio anual visa não apenas reconhecer e celebrar as conquistas destas mulheres empreendedoras, mas também promover a importância da diversidade e da igualdade de género para impulsionar a competitividade europeia. As vencedoras deste ano destacam-se pelos seus contributos significativos para o setor da saúde, apresentando soluções inovadoras que prometem transformar tratamentos e abordagens médicas.
Na categoria “Mulheres Inovadoras”, Agnès Arbat, de Espanha, conquistou o primeiro lugar, garantindo um prémio de 100.000 euros. Como cofundadora da Oxolife, Arbat desenvolveu medicamentos inovadores focados na melhoria da fertilidade, com particular ênfase no aumento da eficácia na implantação do embrião e na simplificação dos tratamentos de infertilidade. A sua investigação representa um avanço significativo para milhões de pessoas que enfrentam desafios reprodutivos na Europa e no mundo, oferecendo novas esperanças através de terapias mais eficazes e menos invasivas.
Por sua vez, na categoria “Inovadoras em Ascensão”, direcionada a jovens talentos com menos de 35 anos, a francesa Camille Bouget foi distinguida como vencedora, recebendo um prémio de 50.000 euros. Bouget é cofundadora do Scienta Lab, uma plataforma pioneira que utiliza inteligência artificial para responder às necessidades terapêuticas específicas das doenças autoimunes. Esta abordagem tecnológica representa uma revolução na forma como estas condições crónicas são diagnosticadas e tratadas, permitindo uma medicina mais personalizada e eficaz para pacientes que sofrem de condições muitas vezes difíceis de gerir.
Entre as finalistas, destacam-se também profissionais cujo trabalho está a transformar o panorama da saúde europeia. Olesja Bondarenko, da Estónia, cofundadora e CEO da Nanordica Medical, foi reconhecida na categoria “Liderança Feminina EIT”. A sua empresa desenvolve produtos inovadores para o tratamento de feridas baseados em nanotecnologia, que não só previnem infeções, como também promovem uma cicatrização mais rápida e eficaz. Esta tecnologia tem o potencial de revolucionar o tratamento de feridas crónicas, melhorando significativamente a qualidade de vida de inúmeros pacientes e reduzindo custos para os sistemas de saúde.
Igualmente notável é o trabalho de Elizabeth McGloughlin, da Irlanda, cofundadora e CEO da Tympany Medical, também finalista na categoria “Liderança Feminina EIT”. A sua tecnologia de endoscopia de ângulo variável representa um avanço significativo nos procedimentos cirúrgicos, permitindo aos médicos uma visualização otimizada durante intervenções delicadas. Esta inovação não só melhora os resultados para os pacientes, como também oferece benefícios consideráveis para os sistemas de saúde, aumentando a eficiência e reduzindo complicações pós-operatórias.
Estas finalistas beneficiam do apoio crucial do EIT Health, uma organização que faz parte do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia, demonstrando o papel vital das redes de apoio e financiamento no desenvolvimento de tecnologias médicas disruptivas e na promoção da inovação liderada por mulheres no espaço europeu.
O Prémio Europeu para Mulheres Inovadoras tem desempenhado, ao longo de onze anos, um papel fundamental na visibilidade e reconhecimento das mulheres empreendedoras no ecossistema de inovação europeu. Desde a sua criação, mais de 30 mulheres inovadoras e empreendedoras foram premiadas, e mais de 100 foram selecionadas como finalistas, constituindo um importante grupo de modelos de referência que rompem barreiras e estabelecem novos paradigmas de liderança feminina.
A Comissária Europeia para Startups, Investigação e Inovação, Ekaterina Zaharieva, destacou a importância desta iniciativa, afirmando que estas mulheres excecionais não só impulsionam a inovação e o empreendedorismo por toda a Europa com as suas ideias arrojadas e liderança, como também quebram barreiras e inspiram gerações futuras. A expectativa é que o sucesso destas premiadas encoraje mais mulheres, tanto na Europa como além-fronteiras, a apostarem na inovação e a assumirem papéis de liderança em setores tradicionalmente dominados por homens.
Organizado conjuntamente pela Agência de Execução do Conselho Europeu da Inovação e das PME e pelo Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia desde 2023, este prémio reconhece mulheres de toda a UE e países associados ao Horizonte Europa cujas inovações promovem mudanças positivas para as pessoas e para o planeta. As vencedoras são selecionadas por um júri independente composto por especialistas, garantindo uma avaliação imparcial e baseada no mérito das candidaturas.
O impacto das inovações apresentadas pelas vencedoras e finalistas deste ano ultrapassa largamente o reconhecimento imediato. As soluções desenvolvidas por Agnès Arbat na área da fertilidade têm o potencial de transformar a experiência de milhares de casais que enfrentam desafios para conceber, oferecendo tratamentos mais eficazes e menos invasivos. Simultaneamente, a plataforma baseada em inteligência artificial de Camille Bouget representa um avanço significativo na abordagem às doenças autoimunes, condições complexas que afetam milhões de europeus.
Estas inovações na área da saúde não só melhoram diretamente a vida dos pacientes como também contribuem para a sustentabilidade dos sistemas de saúde europeus, ao oferecerem soluções mais eficientes e personalizadas. Além disso, o trabalho destas empreendedoras posiciona a Europa na vanguarda da inovação médica global, reforçando a competitividade do continente num setor estratégico.
O reconhecimento destas mulheres inovadoras serve também como catalisador para a criação de um ecossistema mais diversificado e inclusivo, potenciando a contribuição feminina para a resolução dos grandes desafios societais. À medida que estas empresas lideradas por mulheres crescem e se desenvolvem, criam novos postos de trabalho qualificados e inspiram outras mulheres a seguirem percursos em ciência, tecnologia, engenharia e matemática, áreas fundamentais para a inovação na saúde.
PR/HN/MM
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