Esclerose múltipla: investigada possível base para uma vacina

19 de Janeiro 2024

O estudo, recentemente publicado na prestigiada revista "Cell", sugere possíveis alvos para o desenvolvimento de uma vacina para proteção contra a esclerose múltipla.

A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória crónica autoimune na qual se pensa que o vírus Epstein-Barr (EBV) desempenha um papel ainda não totalmente esclarecido. Em particular, até agora não era claro por que razão quase todas as pessoas são infetadas com o EBV ao longo da vida, mas o vírus só desencadeia a EM num pequeno número de pessoas.

Uma equipa de cientistas do Centro de Virologia e do Departamento de Neurologia da Universidade de Medicina de Viena conseguiu agora identificar vários mecanismos que protegem as pessoas de uma reação autoimune induzida pelo EBV e, por conseguinte, potencialmente da esclerose múltipla. O estudo, recentemente publicado na prestigiada revista “Cell”, sugere possíveis alvos para o desenvolvimento de uma vacina para proteção contra a esclerose múltipla.

A causa subjacente da EM ainda não está totalmente esclarecida, mas há muito que se suspeita de uma relação com o vírus Epstein-Barr (EBV). Na maioria dos doentes que desenvolvem EM, são detetáveis respostas imunitárias específicas contra o EBV, que também são dirigidas contra determinadas estruturas do sistema nervoso central, contribuindo assim para o desenvolvimento da EM. Até agora, porém, não era claro por que razão uma infeção por EBV, uma das infeções virais mais comuns e persistentes ao longo da vida nos seres humanos, só conduz à EM num pequeno número de pessoas.

Um grupo de investigação do Centro de Virologia, liderado por Elisabeth Puchhammer-Stöckl, em colaboração com uma equipa do Departamento de Neurologia da Universidade Médica de Viena, liderada por Thomas Berger e Paulus Rommer, demonstrou agora que o risco de EM é particularmente elevado em pessoas com uma combinação de determinados fatores do hospedeiro e variantes do vírus.

As células assassinas naturais como um potencial fator de proteção

Mais especificamente, as investigações revelaram um risco muito maior de EM se, por um lado, as respostas imunitárias específicas do EBV e auto-reativas forem fortes e, por outro lado, os doentes não conseguirem controlar eficazmente esta autoimunidade.

Os autores do estudo identificaram um subgrupo de células assassinas naturais do sistema imunitário humano como um potencial fator-chave para a proteção contra a EM. “Estas respostas imunitárias podem, por isso, desempenhar um papel decisivo no desenvolvimento de futuras vacinas”, afirma Hannes Vietzen, do Centro de Virologia, primeiro autor do estudo, descrevendo as novas possibilidades que surgem do trabalho de investigação no que respeita à prevenção e deteção precoce da EM.

De acordo com as investigações, o desenvolvimento da esclerose múltipla revelou-se dependente de determinados fatores genéticos, bem como da infeção por uma variante específica do vírus EBV, que, segundo as experiências laboratoriais, conduz a uma resposta imunitária significativamente enfraquecida contra os processos auto-reativos, contribuindo assim para o desenvolvimento da esclerose múltipla. “Pode ser útil analisar as variantes do EBV detetadas nestes doentes para identificar precocemente os doentes de risco”, afirma Hannes Vietzen, na perspetiva de novos estudos destinados a aprofundar estes resultados.

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1 Comment

  1. Maria Ivani Gonçalves Duarte

    Tenho 42 anos sou portadora da esclerose multipla há 5 anos

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