Carlos Alberto Moniz junta-se à APDP na campanha de angariação de fundos “A APDP precisa de si!”

Carlos Alberto Moniz junta-se à APDP na campanha de angariação de fundos “A APDP precisa de si!”

Em comunicado de imprensa, a  Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) anuncia que volta a lançar a campanha de angariação de fundos “A APDP precisa de si!”, que tem como objetivo apelar à doação, sem custos, de 0,5% da consignação do IRS dos portugueses para ajudar a associação a continuar a garantir o melhor acompanhamento às pessoas com diabetes. A campanha, informa a APDP no comunicado,  conta com o apoio do músico Carlos Alberto Moniz.

“Queremos continuar a apoiar, o melhor que conseguimos, as pessoas com diabetes e para darmos continuidade aos projetos de apoio que fomos desenvolvendo ao longo dos anos precisamos desta ajuda fundamental”, explica José Manuel Boavida, presidente da APDP, acrescentando: “Juntos, conseguiremos ajudar ainda mais pessoas”.

Ajudar todas as pessoas com diabetes e os seus familiares e cuidadores é a missão da APDP. Neste momento, a associação foi ainda mais além e presta apoio aos refugiados ucranianos com diabetes, assegurando as condições necessárias para que a assistência e a medicação não lhes falte. Enquanto a situação dos refugiados no Serviço Nacional de Saúde não estiver regularizada, todas as despesas com consultas, análises, exames e disponibilização de insulina e outros medicamentos são suportadas pela associação.

Na nota À imprensa, a ADPD explica que “Para ajudar a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal a dar continuidade ao trabalho realizado diariamente, ao preencher a declaração anual de IRS basta selecionar “Instituições particulares de solidariedade social ou pessoas coletivas de utilidade pública” e inserir o NIF 500 851 875 no quadro 11 do modelo 3 (em papel ou online), selecionando “IRS”. A doação de 0,5% do seu IRS não tem qualquer custo associado e não afeta o que tenha a receber das finanças”

CI/NR/HN

Dois anos depois a União Audiovisual ainda entrega alimentos a 500 pessoas

Dois anos depois a União Audiovisual ainda entrega alimentos a 500 pessoas

Em abril de 2020, cerca de um mês depois de as salas de espetáculos terem encerrado e terem deixado milhares de pessoas sem trabalho, cinco amigos começaram a promover recolhas de alimentos, para ajudarem colegas de profissão de um setor no qual a informalidade das relações laborais é bastante comum.

“Na altura, achámos que seria uma coisa para acontecer durante um curto período de tempo. Mas, efetivamente, isso não aconteceu. Tudo isto foi ganhando proporções à medida que as carências alimentares começaram a surgir cada vez maiores”, recordou Rita Diedra, da União Audiovisual, em declarações à Lusa.

O grupo informal de cinco pessoas, formado em abril de 2020, em Lisboa, é hoje uma associação na qual trabalham, de forma voluntária, mais de 50 pessoas de Norte a Sul do país, “a produzir e a organizar os cabazes alimentares que continuam a ser distribuídos”.

Com o tempo, “existiu um decréscimo [de pessoas ajudadas], até porque já existem atualmente muitas pessoas a trabalhar no mercado”. No entanto, de acordo com Rita Diedra, “cerca de 500 pessoas continuam a ser ajudadas a nível nacional, o que corresponde a cerca de 210/215 famílias”.

“Sendo que o polo de Lisboa continua a ser o que tem mais pedidos. Ainda fazemos em Lisboa cerca de 110 cabazes mensais”, disse.

O ‘pico’ de pessoas ajudadas foi de cerca de 800, “correspondente a cerca de 350 famílias”. “Só no polo de Lisboa estávamos a ajudar cerca de 140 famílias”, recordou Rita Diedra.

O número de pessoas ajudadas, apesar de ter diminuído, “oscila muito”.

“Há pessoas que deixaram de ter necessidade de receber esta ajuda durante determinados períodos, mas depois voltam a necessitar desta ajuda alimentar, o que tem a ver com a forma como o próprio mercado se encontra. Quando há expectativa de abertura de mercado e de voltarem a trabalhar, recusam a ajuda alimentar, porque se conseguem organizar durante alguns meses, mas efetivamente muitos pedidos acabam por voltar a existir”, contou.

Inicialmente, as recolhas de bens alimentares eram feitas todas as semanas, em vários locais, que iam sendo anunciados numa página criada na rede social Facebook.

“Mantemos a recolha, mas atualmente temos pontos de recolha fixos de Norte a Sul do país e também nos Açores”, referiu Rita Diedra, salientando que, “de facto, neste momento, praticamente não existem donativos alimentares, nem de outros bens de primeira necessidade”.

“Atualmente, a forma como conseguimos ter estes bens alimentares é também de todo o trabalho que já desenvolvemos ao longo de todo este tempo e que nos permite ainda podermos fazer esse investimento, e de iniciativas [como concertos, galas, exposições, que promovem recolha de bens ou canalizam parte das verbas para a UA] que vão existindo um pouco por todo o lado, mas sobretudo na zona da Grande Lisboa, e que vão permitindo fazermos esta recolha”, contou.

Segundo Rita Diedra, o “grande decréscimo” em termos de apoios, sentiu-se também nos donativos financeiros.

A União Audiovisual considera importante “desmistificar a ideia de que esta é uma área [Cultura] que já não necessita de qualquer apoio, porque efetivamente os pedidos de ajuda alimentar continuam a existir”.

“Muitas pessoas consideram que a maior parte dos profissionais do setor já está a trabalhar, porque já há espetáculos a serem realizados, digressões, o mercado abriu. Mas, efetivamente, ainda não abriu totalmente, e há pessoas que continuam a não ter possibilidade de ter um sustento financeiro trabalhando nesta área”, alertou Rita Diedra, lembrando que, nos últimos dois anos, “houve muitos que acabaram por mudar de profissão, optando por outras áreas mais estáveis e que permitiam alguma segurança financeira”.

Com a chegada do verão e o regresso em pleno dos festivais de música, Rita Diedra acredita que “possa haver um decréscimo” de beneficiários da ajuda da UA. “Mas existem outras áreas que são muito difíceis, como a do circo. Continuam a não abrir e a ter, na mesma, dificuldades em poder continuar o seu trabalho”, alertou.

Há várias formas de poder ajudar a União Audiovisual. “Através do Facebook ou do Instagram dá para fazer donativos diretos. No nosso ‘site’ [https://uniaoaudiovisual.pt/] estão todas as formas em que é possível fazer donativos, quer através da entrega de bens alimentares nos sítios de recolha, quer donativos financeiros”, elencou Rita Diedra.

Além disso, vão sendo partilhadas nas contas da UA nas redes sociais “as iniciativas pontuais, que vão existindo em todo o país, em que há possibilidade de contribuir”.

A UA vai continuar a existir “enquanto houver pedidos” de ajuda, mas os voluntários desta associação estão a tentar que esta “não seja apenas para entregar cabazes”.

“Temos o objetivo de ajudar estes profissionais. Temos uma assistente social que trabalha connosco e nos ajuda a encontrar situações alternativas para alguns agregados. Somos um bocadinho psicólogos, terapeutas, consultores. Vamos manter esta associação numa perspetiva muito solidária, queremos dar continuidade ao trabalho tendo por base espírito de entreajuda, que não é só através de bens alimentares”, disse.

Para que tudo isso aconteça, a UA precisa “que continuem a existir donativos”.

LUSA/HN

Centro Hospitalar do Porto e Museu Nacional Soares dos Reis juntam arte e saúde

Centro Hospitalar do Porto e Museu Nacional Soares dos Reis juntam arte e saúde

A parceria prevê “ações de intervenção cultural em diferentes espaços do Hospital de Santo António, com os seus utentes e acompanhantes”, segundo a informação remetida pelo museu à Lusa.

Esta colaboração entre as duas instituições vizinhas centra-se “na capacidade de a arte ser utilizada para minimizar o impacto da doença e contribuir para a construção de um ambiente favorável”, e pretende aproximar “os profissionais do CHUP, os utentes e seus acompanhantes do Museu, que procura solidificar-se fora de portas”.

No âmbito desta iniciativa, serão expostas, em vários pontos do hospital, “fotografias de autor com pormenores de pinturas e esculturas de artistas como António Soares dos Reis, Artur Loureiro, Aurélia de Souza, Henrique Pousão, José Malhoa, Marques de Oliveira e Silva Porto, que fazem parte da exposição de longa duração do MNSR”.

“Os trabalhos fotográficos procuram tornar o espaço mais humanizado e ilustram detalhes de peças que transmitem sensações de relaxamento ou bem-estar”, destaca a nota.

Os utentes e acompanhantes do Centro de Cirurgia de Ambulatório e do Hospital de Dia de Oncologia terão acesso a um ‘voucher’ de 50% de desconto na entrada do Museu, que “deverá ser usado nos dias de cirurgia ambulatória ou tratamento”.

Estão também previstas atividades no Museu para os colaboradores do hospital e está “em curso” uma parceria com o serviço de pediatria com “atividades educativas para o público infantil, prosseguindo objetivos de humanização e de educação pela arte”.

Além destas iniciativas, o MNSR vai produzir “vídeos sobre as suas exposições e coleções que serão apresentados nos circuitos internos de vídeo do CHUP”.

NR/HN/LUSA

BE questiona ministro sobre atrasos no pagamento do programa Garantir Cultura

BE questiona ministro sobre atrasos no pagamento do programa Garantir Cultura

Numa pergunta a que a agência Lusa teve acesso – datada precisamente de quarta-feira, dia da tomada de posse do Governo socialista – a deputada do BE Joana Mortágua pretende que o novo ministro preste um conjunto de esclarecimentos sobre os atrasos nos pagamentos deste programa criado para mitigar os impactos da pandemia no setor cultural.

“O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda tem recebido várias queixas por atrasos no pagamento da segunda tranche dos protocolos do Programa Garantir Cultura”, denuncia.

Assim, os bloquistas querem saber se o Ministério da Cultura tem conhecimento desta situação e que diligências ira tomar “para que todas as entidades financiadas pelo Garantir Cultura recebam dentro da maior brevidade a última tranche do apoio”.

“A primeira tranche dos apoios, correspondente a 50%, foi entregue às entidades na sequência da assinatura dos protocolos, estando previsto o pagamento dos restantes 50% até 30 dias úteis após a entrega do relatório de execução do projeto, sendo que no caso dos apoios ao setor empresarial a segunda parte é recebida faseadamente (35% mais 15%)”, explica.

Segundo o BE, “os atrasos da segunda tranche têm vindo a acumular-se”, sendo as queixas recebidas mais frequentes relativas ao subprograma destinado a entidades não comerciais, que é gerido pelo Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais (GEPAC).

Na pergunta é referido que a Provedoria de Justiça recebeu dezenas de queixas devido a estes atrasos, segundo notícias do final de janeiro, tendo então o GEPAC referido que se tratava de atrasos pontuais e de curta duração.

Assim, o BE quer que o Governo esclareça se GEPAC “foi dotado com os meios adequados” para gerir o programa e quantas são as entidades que ainda aguardam o pagamento da última tranche.

“Quantas empresas do setor cultural e artístico aguardam ainda o pagamento da última tranche por parte do COMPETE 2020 – Programa Temático Competitividade e Internacionalização”, pergunta ainda.

Apesar de alguns dos casos terem sido resolvidos, prossegue o BE, “no final do mês de março ainda há entidades à espera da segunda tranche, apesar de terem entregado os documentos há dois ou três meses”.

“Estes atrasos desrespeitam o que está previsto nos protocolos de apoio financeiro e colocam em dificuldades as entidades promotoras, que assumiram despesas a contar com um prazo de reembolso agora largamente ultrapassado”, avisa.

LUSA/HN

APPDA-Lisboa incentiva autistas a praticar exercício físico

APPDA-Lisboa incentiva autistas a praticar exercício físico

Com a iniciativa “Desafiar Limites”, a APPDA-Lisboa demonstra que o exercício físico pode ser um fator diferenciador no estilo de vida das pessoas independentemente da sua condição.

No âmbito do Dia Mundial da Consciencialização do Autismo (2 de abril), a associação convida a população a fazer crossit com os autistas. O treino é adaptado de acordo com as necessidades das pessoas, pelo que foram criados planos em conjunto com técnicos especializados.

No sábado, pelas 16h, na Fundação Oriente, a par da estreia do documentário “The Ziguais” (https://youtu.be/fz2M4LunryM), será inaugurado o ginásio da APPDA-Lisboa aliado ao projeto “Desafiar sem Limites”. Este documentário foi produzido durante os últimos dois anos e tem por objetivo demonstrar o beneficio da música em autistas.

PR/HN/Rita Antunes

Simone de Oliveira despede-se dos palcos ao fim de 65 anos de carreira

Simone de Oliveira despede-se dos palcos ao fim de 65 anos de carreira

Em entrevista à Lusa, Simone de Oliveira lembrou que, apesar de a carreira ter começado em 1957, ainda levou algum tempo a perceber que o seu percurso profissional passaria pelos palcos.

Ao longo dos anos, em várias ocasiões, contou que nunca quis ser artista, “as coisas foram acontecendo”. “Há muita gente nova hoje que quer ir para a televisão, quer ser modelo, eu não queria ser nada, eu queria era ser feliz”, disse.

Até “Sol de Inverno”, com a qual venceu o Festival da Canção, em 1965, foi “cantando”, fez “outros festivais”. “Cantei, cantei, cantei… Foram-me escrevendo coisas, algumas menos simpáticas, não más porque se fosse muito mau eu não cantava. Mas cantei duas ou três coisas que reconheço que não eram aquilo que eu queria”, confidenciou.

A partir de “Sol de Inverno”, “há uma década a seguir que é toda do Nóbrega e Sousa e do Jerónimo Bragança: ‘Vocês sabem lá’, ‘Deixa lá’, imensas coisas”. Depois, “vem o José Carlos Ary [dos Santos] e o Nazaré Fernandes e foi quase até ao fim da vida”.

Com um repertório com mais de 400 canções, a dada altura “as coisas foram tomando uma certa importância em relação às palavras”. “Eu continuo hoje a dizer que as palavras não estão gastas”, referiu.

Simone de Oliveira será sempre recordada como a mulher que, em 1969, em pleno Estado Novo, cantou na televisão que “quem faz um filho, fá-lo por gosto”.

Foi por causa dessa frase que conheceu Ary dos Santos, dia que guarda como um dos momentos mais importantes da carreira, a par da primeira vez que cantou no Olympia, em Paris, “a convite da Amália [Rodrigues]”, a quem deve “muitas coisas bonitas”.

“Ninguém queria dizer aquilo [‘quem faz um filho fá-lo por gosto’]. Ele perguntou-me ‘é capaz de dizer isso?’ e eu ‘sou, sou’. Depois penei as passas do Algarve. Mas, tive os meus filhos e fi-los por gosto. Aqueles dois filhos foram feitos com amor, o facto de eu e o pai deles nos termos descruzado depois não foi por isso que não foram feitos por gosto”, partilhou.

A frase, que ficou até hoje, faz parte da letra de “Desfolhada Portuguesa”, tema com o qual Simone venceu pela segunda vez o Festival da Canção, em 1969.

“Às vezes, ainda é mal-entendida. Não há muito tempo, não me lembro onde, estava a trautear, e uma senhora disse ‘ai dona Simone não diga isso’, e eu perguntei ‘mas porquê?’, ‘ai é uma coisa feia’. Isto foi há três ou quatro anos”, contou.

A cantora sublinhou que “as mulheres têm o direito de ter filhos, de ter prazer, de gostar de estar com as pessoas”. “E antigamente não, era só para ter filhos. Está ali que é para servir, que é uma coisa que me põe completamente fora de mim. Eu não servi ninguém”, afirmou.

Com 19 anos, foi vítima de violência doméstica por parte do primeiro marido e saiu de casa. Começou uma carreira na música numa altura em que as artistas eram vistas como ‘mulheres da vida’. Vestia calças numa época em que aquela peça de vestuário era ‘só para homens’, fumava (hábito que mantém), começou a usar maquilhagem com 20 anos. “Até começar a trabalhar o meu pai nunca deixou”, recordou.

“Ser livre é isto que estou aqui a fazer, a conversar consigo, que era uma coisa que não era possível na década de 1960, nem pensar. Acho que ser livre é isto. É ter a liberdade de ser livre para lhe contar as coisas que penso e que sinto”, disse.

Simone admite ser uma “velha um bocado diferente”, gosta de beber um copo de whisky com os amigos ou uma cerveja acompanhada de tremoços, porém assume-se “idosa, velha”.

“Não posso ser nova aos 84 anos”, disse, partilhando o quanto lhe faz impressão ver pessoas da sua faixa etária “a serem maltratadas, ignoradas, muitas vezes pelos próprios filhos”.

“Lembrem-se dos velhotes. As coisas velhas têm ontem”, apelou.

O último espetáculo de Simone de Oliveira, “Sim, sou eu” está marcado para 29 de março no Coliseu de Lisboa. A lotação está esgotada.

LUSA/HN