Centenas de pessoas contestam em Lisboa medidas do Governo

Centenas de pessoas contestam em Lisboa medidas do Governo

A mobilização nacional, que reuniu diversos grupos, teve como objetivo marcar uma posição contra várias medidas restritivas que consideram inconstitucionais, incluindo o uso de máscaras obrigatório na rua.

“Não é uma questão de ser contra a utilização das máscaras, é ser contra as medidas que, na maior parte dos casos, são completamente descabidas, porque não têm eficácia”, afirmou Gonçalo Martins, um dos responsáveis pela organização da manifestação.

Sem máscaras e sem distanciamento social, os manifestantes empunharam vários cartazes, que diziam, entre outros, “Abaixo a ditadura”, “Máscaras geram desconfiança”, “Promovam saúde em vez de medo” ou “O medo não é a vacina”, enquanto se realizavam discursos num palco montado para o efeito.

“As máscaras que são utilizadas não têm eficácia em relação à contenção do vírus. O vírus fica em alguma parte retido na máscara, mas a máscara tem uma abertura de lado. Os óculos ficam embaciados, significa que o vapor de água está a sair-me por cima da máscara. Quando vem o vapor de água, também virá o vírus”, disse o engenheiro do ambiente e técnico de higiene e segurança no trabalho, de 44 anos.

Alegando que o combate à pandemia está a ser tratado “de uma forma tecnicamente pouco coerente e, se calhar, com pouca identificação das realidades que cada um está a proteger com a utilização da máscara”, Gonçalo Martins lamentou também a falta de leitura de linguagem corporal na comunicação interpessoal, por não conseguir ver as bocas.

Questionado sobre a possibilidade de ocorrer um surto de covid-19 entre os integrantes da manifestação, o manifestante negou o risco da transmissão.

“Tendo em conta os dados que foram analisados e estão disponíveis, só uma pequena percentagem poderá, eventualmente, precisar de tratamento hospitalar e ainda uma mais pequena de tratamento em unidades de cuidados intensivos. A probabilidade que existe de alguém aqui contrair a doença é muito baixa”, expressou.

No manifesto divulgado, o grupo “Verdade Inconveniente” pede, além do “uso facultativo de máscaras”, a revisão das “orientações para o ano escolar” e do “excesso de protecionismo nos lares e centros de acolhimento”, bem como a “regularização dos serviços no Sistema Nacional de Saúde” e a “revogação do estado de calamidade”, entre outras medidas.

O parlamento aprovou na sexta-feira, em votação final global, um projeto-lei do PSD que impõe o uso obrigatório de máscara em espaços públicos e que prevê coimas entre 100 e 500 euros para os incumpridores.

O diploma do PSD, que teve como inspiração uma proposta de lei do Governo, entretanto “desagendada”, foi votado na generalidade, especialidade e final global e, na última votação, teve votos contra da IL, abstenções de BE, PCP, Verdes e da deputada Joacine Katar Moreira, contando com voto favorável das restantes bancadas. O deputado único do Chega esteve ausente da votação.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 42,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.297 pessoas dos 116.109 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

LUSA/HN

Chile ultrapassa meio milhão de contágios em véspera de referendo

Chile ultrapassa meio milhão de contágios em véspera de referendo

“Teremos que mostrar muita responsabilidade por este referendo”, disse a subsecretária de Saúde, Paula Daza, numa conferência de imprensa sobre o balanço de chilenos infetados pelo novo coronavírus.

De acordo com as autoridades de saúde, 1.631 novos casos e 48 mortes adicionais foram registados nas últimas 24 horas, elevando o número total de contágios para 500.542 casos, incluindo 13.892 mortes neste país de 18 milhões de habitantes.

Nos últimos meses, a curva de contágio estabilizou, com surtos pontuais, atualmente no Sul e extremo sul do país.

No domingo, 14 milhões de chilenos são chamados às urnas para dizer sim ou não a uma mudança na Constituição, em substituição à atual herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) e acusada nos últimos meses por manifestantes que pedem reformas para mais justiça social.

Um protocolo de saúde rígido foi posto em prática para a votação: as assembleias de voto permanecerão abertas por mais tempo, das 08:00 (12:00 de Lisboa) às 20:00, e os eleitores com mais de 60 anos terão prioridade em determinados horários.

Os centros de votação foram submetidos a cuidadosa desinfeção e o distanciamento físico e a máscara serão obrigatórios.

Os eleitores também são convidados a levar a sua própria caneta, com a qual marcarão a quadrícula correspondente à sua escolha para responder a duas perguntas: “Quer uma nova Constituição?” e “Que órgão deve elaborar a nova Constituição?”.

Poderão escolher entre uma “convenção mista constitucional” composta por cidadãos eleitos e parlamentares, e uma “convenção constituinte” composta inteiramente por cidadãos.

LUSA/HN

Trump já votou antecipadamente na Florida

Trump já votou antecipadamente na Florida

Donald Trump deslocou-se na manhã de hoje, 10 dias antes da eleição presidencial, a uma biblioteca na Florida para cumprir o seu dever de voto.

“Votei num tipo chamado Trump”, disse aos jornalistas, acrescentando: “Foi uma votação muito segura, muito mais segura do que quando se envia o boletim.”

O Presidente norte-americano levanta regularmente, sem provas, a ameaça de fraude maciça em relação ao voto pelo correio.

No local, estavam centenas de apoiantes com bandeiras e cartazes fora da biblioteca onde Trump e que gritavam “mais quatro anos”.

O presidente usou uma máscara durante a votação, mas remove-a ao abordar os jornalistas.

À semelhança do Presidente norte-americano, quase 55 milhões de eleitores anteciparam o seu voto, a maioria por medo do novo coronavírus.

Donald Trump apelou hoje ao voto dos latinos do estado da Florida durante um comício no aeroporto de Pensacola.

Trump disse que Washington apoia a luta pela liberdade em “Cuba, Venezuela e Nicarágua”, numa altura em que o candidato republicano precisa do maior número de votos da Florida, um estado fundamental para a vitória nas eleições de 03 de novembro.

O voto hispânico tem vindo a crescer no estado devido ao aumento da emigração das últimas décadas, sobretudo cubanos, venezuelanos e nicaraguenses.

“Pusemos este país no mundo e o melhor está para vir, vamos continuar a lutar e vamos continuar a ganhar. Com o povo da Florida pusemos o país a ganhar”, disse ainda o Presidente dos Estados Unidos que, durante todo o discurso, atacou os adversários do Partido Democrata.

“Se Joey [Joe Biden] e Kamala [Harris] forem eleitos vai haver um ‘tsunami’ de imigração ilegal”, acusou.

“Donald Trump é querido no estado da Florida e no estado vizinho do Alabama”, disse ainda, referindo-se a si próprio e frisando que estas são as eleições mais importantes de sempre no país.

A votação antecipada obedece a regras diferentes em diferentes estados.

Um dos mais populosos e, portanto, um dos mais significativos para o resultado final é o Estado de Nova Iorque, que abre a votação antecipada presencial hoje, sendo expectável um elevado número de votos.

Os democratas têm insistido na abertura célere de votações antecipadas, como medida de precaução perante a pandemia, mas mesmo este cuidado não tem evitado longas listas de eleitores em vários estados.

Do lado republicano, a abordagem tem sido diferente, criticando a forma como alguns estados estão a abrir as urnas muito cedo, prometendo que os seus apoiantes irão em massa às urnas apenas no dia 03.

Os Estados Unidos realizam no dia 03 de novembro eleições presidenciais, nas quais o atual inquilino da Casa Branca, o republicano Donald Trump, concorre à reeleição contra o democrata Joe Biden.

LUSA/HN

Costa elogia decisão da AR sobre máscaras na rua e admite mais medidas

Costa elogia decisão da AR sobre máscaras na rua e admite mais medidas

“Não podemos excluir a necessidade de adotar qualquer tipo de medida. Devemos ir adoptando as medidas na medida do estritamente necessário”, afirmou António Costa, à margem de uma conferência da revista Visão sobre sustentabilidade e ambiente, na Estufa Fria, em Lisboa.

Dado que, afirmou, o combate à pandemia será “uma longa maratona” de muitos meses, “é preciso gerir o esforço”, pelo que há que “ir distribuindo e guardando as medidas para as utilizar nos momentos em que forem estritamente necessárias para evitar o excesso de cansaço”.

António Costa foi questionado sobre a avaliação que faz da experiência quanto ao recolher obrigatório decretado em vários países europeus.

Dois dos maiores problemas que Portugal enfrenta nesta segunda vaga da pandemia, acrescentou, é a fadiga com as medidas por parte da população e a alteração na faixa etária, mais baixa, com “casos de menor gravidade”, e que tem “diminuído a perceção do risco”.

Um dia depois da decisão da Assembleia da República, que aprovou uma lei a tornar obrigatório o uso de máscara na rua, Costa elogiou a “difícil decisão” dos deputados.

“É, obviamente, um incómodo, mas que adotamos para reforçar a consciência de que depende hoje essencial de nós controlar esta pandemia, se não quisermos ter medidas de encerramento mais globais”, justificou

O chefe do Governo recusou ainda a ideia de que a proibição de circulação entre concelhos, no próximo fim de semana, que coincide com o Dia de Finados, em que milhares de pessoas se deslocam tradicionalmente pelo país, como “um teste” para o Natal, em dezembro.

Esta medida, disse, justifica-se porque “há um risco acrescido” com a prevista deslocação, dentro do país, apesar dos apelos da Igreja para as pessoas espaçarem as suas deslocações ao longo do mês ou ainda com restrições no acesso aos cemitérios.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 42,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.276 pessoas dos 112.440 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

LUSA/HN

Português responsável por limpeza de hospitais condecorado pela Rainha Isabel II

Português responsável por limpeza de hospitais condecorado pela Rainha Isabel II

“Estava no escritório e recebi um email do ‘Cabinet Office’ [ministério do Governo] a dizer que tinha sido distinguido na lista da Rainha. No princípio pensava que era mentira, só pode ser engano. Os meus colegas disseram-me para apagar porque podia ser fraude”, contou, entre risos, à agência Lusa.

O madeirense de 45 anos, natural de São Vicente, foi um dos trabalhadores do serviço de saúde público britânico (NHS) reconhecido na lista deste ano de condecorações pelo aniversário da Rainha por serviços prestados durante a pandemia com a Medalha do Império Britânico (‘British Empire Medal’, designada pelo título BEM).

“Nunca na vida pensei que poderia receber uma medalha destas”, confiou, ainda incrédulo, o diretor adjunto dos serviços de limpeza e restauração dos hospitais de Ashford e de St. Peter’s, no sudoeste de Londres, perto do aeroporto de Heathrow.

A nomeação para a insígnia foi feita por colegas e superiores pelo “conhecimento e criatividade” que demonstrou para prevenir e conter a infeção pelo novo coronavírus dentro dos hospitais e proteger não só os doentes, mas também funcionários, introduzindo novas tecnologias e produtos.

O diretor médico dos hospitais, David Fluck, elogiou o português pela “forte liderança durante toda a pandemia numa equipa que desempenhou um papel fundamental na redução do risco de transmissão da covid-19 nos nossos hospitais”.

“[Vinagre] introduziu mudanças na maneira como mantemos a limpeza dos nossos hospitais daqui para frente, o que vai proteger muitos pacientes e funcionários de perigo, mesmo após o fim da pandemia”, afirmou este responsável.

Uma das inovações foi a contratação de uma empresa especializada em desinfestação para aplicar através de vapor um produto desinfectante que encontrou e que mantém as superfícies livres de vírus e bactérias durante 30 dias.

“Era um produto novo no mercado e não sabíamos se era eficaz. Mas contratámo-los para descontaminarem desde corredores a casas de banho e escadas em turnos de 24 horas por dia. Valeu a pena, o hospital tem uma das taxas de mortalidade mais baixas da zona”, congratulou-se.

O português deparou-se com outro desafio quando, em plena crise, a enfermeira chefe pediu uma solução que permitisse esterilizar máscaras de proteção dos profissionais de saúde para serem reutilizadas porque não sabia se ia receber um novo abastecimento, uma situação que afetou vários hospitais no Reino Unido.

“Mandei fazer uma linha tipo de secar roupa, pendurámos máscaras e esterilizámos 500 em três dias com luzes ultravioleta. Felizmente não foi preciso porque chegaram novas, mas se fosse preciso estava o processo pronto”, contou Vinagre à Lusa.

O português também foi elogiado pela forma como conseguiu recrutar rapidamente trabalhadores para compensar as ausências e também pela forma responsável e sensível como soube motivar os empregados de limpeza numa altura em que muitos estavam preocupados com o risco que eles próprios corriam.

Quatro funcionários dos hospitais morreram de covid-19, incluindo um empregado de limpeza sob as ordens de Vinagre, um compatriota de 71 anos chamado Manuel Santinhos.

“Ele nunca quis ir para casa, quis continuar sempre a trabalhar. Esteve três semanas nos cuidados intensivos. Foi muito complicado porque os colegas ficaram com mais medo. Mas fizemos uma missa com um padre e a diretora teve uma reunião com os empregados para motivá-los e conseguimos”, explicou.

Maciel Vinagre recorda “momentos muito difíceis” entre março e junho, os piores meses da primeira vaga da pandemia, quando os dias de trabalho chegavam a estender-se por 15 horas.

A liderança do português ajudou a dar visibilidade e importância às equipas de limpeza hospitalar pelo papel crucial desempenhado no combate à doença que já matou mais de 44 mil pessoas no país.

Vinagre é um dos 414 “heróis anónimos” a quem foram conferidas condecorações da Rainha em reconhecimento da intervenção “excecional” durante a crise, desde cientistas e enfermeiros a pessoas que produziram equipamento de proteção ou ofereceram refeições a profissionais de saúde e professores de ginástica que deram aulas gratuitas pela Internet durante o confinamento.

A Rainha agracia dezenas de pessoas duas vezes por ano, no Ano Novo e por ocasião do aniversário oficial, em junho, por recomendação do Governo.

Muitas são personalidades conhecidas em áreas como o desporto, artes ou serviço público, mas também são galardoados desconhecidos cujo mérito é avaliado por um comité oficial.

Este ano, a divulgação da lista foi adiada até outubro para ter em conta nomeações de pessoas que desempenham papéis cruciais durante os primeiros meses da pandemia e deu prioridade aos “heróis da linha da frente” e da comunidade que foram além das suas obrigações para ajudar os outros.

A Medalha do Império Britânico remonta a 1917 e era sobretudo atribuída a civis e militares, mas em 2011 foi restabelecida como uma condecoração a pessoas que se distinguem por contribuições para a comunidade, seja através da profissão ou de voluntariado.

Ao contrário da Ordem do Império Britânico, que inclui os graus de membro (MBE), Oficial (OBE), Comandante (CBE) ou Cavaleiro e Dama (KBE e DBE) e que é conferida pessoalmente pela Rainha ou pelo Príncipe Carlos, a BEM é presenteada pelo ‘Lord Lieutenant’, um dignatário local, em nome da monarca.

Antes, só se conhecem dois portugueses que foram agraciados pela Rainha Isabel II: a pintora Paula Rego, ordenada em 2010 Dama Oficial da Ordem do Império Britânico, e Lino Pires em 2013, proprietário de um restaurante, com uma BEM por serviços prestados à comunidade ao angariar fundos para causas sociais.

Ao auferir estes títulos, os distinguidos podem usar a sigla correspondente na sua assinatura, após o nome.

Maciel Vinagre chegou ao Reino Unido aos 18 anos, deixando para trás estudos em contabilidade para trabalhar num restaurante e aprender a língua inglesa e “tentar uma vida melhor”.

Começou como empregado de limpeza no hospital de Ashford em 1997 e chegou ao atual posto de diretor adjunto em 2011, tendo desempenhado entretanto outras funções noutros hospitais do Reino Unido.

Mesmo sem um curso superior, acumulou formações profissionais que lhe permitiram progredir até um nível que dificilmente conseguiria em Portugal, e hoje lidera cerca de 200 pessoas, entre os quais 30 portugueses.

“Gosto do Reino Unido porque aqui dão valor à experiência, a pessoas dedicadas e empenhadas e menos aos títulos académicos. Reconhecem o mérito próprio”, disse à Lusa.

Dependendo da evolução da pandemia, o português e todos os restantes BEM serão convidados para uma festa no Palácio de Buckingham no próximo ano, na presença de membros da família real.

“Os meus pais estão na Madeira e estão muito orgulhosos. Mas se eu puder levar alguém, levo a minha filha”, já decidiu.

NR/HN/LUSA