Falhas na distribuição de mosquiteiros e medicamentos podem duplicar casos de malária em África

23 de Abril 2020

Genebra, 23 abr 2020 (Lusa) – As perturbações graves na distribuição de mosquiteiros com inseticida e no acesso a medicamentos antipalúdicos poderão duplicar o número de mortes por malária na África subsaariana este ano, alertou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Genebra, 23 abr 2020 (Lusa) – As perturbações graves na distribuição de mosquiteiros com inseticida e no acesso a medicamentos antipalúdicos poderão duplicar o número de mortes por malária na África subsaariana este ano, alertou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Uma nova análise divulgada a propósito do Dia Mundial do Paludismo (Malária), que se assinala no sábado, considera nove cenários de potenciais perturbações no acesso aos principais instrumentos de controlo da malária durante a pandemia de covid-19 em 41 países, e os consequentes aumentos de casos e mortes.

No pior dos cenários, em que todas as campanhas de mosquiteiros tratados com inseticida são suspensas e há uma redução de 75% no acesso a medicamentos antimaláricos eficazes, a estimativa de mortes por malária na África subsaariana em 2020 seria de 769.000, o dobro do número de mortes registadas na região em 2018.

“Isto representaria um regresso aos níveis de mortalidade por malária registados há 20 anos”, lê-se na mensagem da OMS.

Esta análise da modelização foi conduzida pela OMS, em colaboração com parceiros como o Projeto Atlas da Malária (PATH) e a Fundação Bill & Melinda Gates.

A OMS insta os países a avançarem rapidamente e a distribuírem instrumentos de prevenção e tratamento do paludismo nesta fase do surto da covid-19 na África subsaariana e a fazerem tudo o que estiver ao seu alcance para manter em segurança estes serviços essenciais de controlo do paludismo.

De acordo com o relatório mundial sobre a malária de 2019, a África subsaariana representou aproximadamente 93% de todos os casos de malária e 94% das mortes em 2018.

Mais de dois terços das mortes ocorreram em crianças com menos de cinco anos de idade.

Atualmente, o número de casos de covid-19 na África subsaariana tem representado apenas uma pequena proporção do total global, embora esteja a aumentar todas as semanas.

“Isto significa que os países da região têm uma janela de oportunidade crítica para minimizar as perturbações na prevenção e tratamento da malária e salvar vidas nesta fase do surto da covid-19”, prossegue a mensagem da OMS.

A OMS e os seus parceiros elogiam os líderes do Benim, da República Democrática do Congo, da Serra Leoa e do Chade por terem iniciado campanhas de mosquiteiros com inseticida durante a pandemia do novo coronavírus.

Outros países estão a adaptar as suas estratégias de distribuição líquida para garantir que as famílias recebam as redes o mais rapidamente e em segurança possível.

“As terapias preventivas para mulheres grávidas e crianças devem ser mantidas”, defende a OMS, sublinhando que “o fornecimento de testes de diagnóstico rápidos e de medicamentos antimaláricos eficazes é também essencial para evitar que um caso ligeiro de malária progrida para uma doença grave e para a morte”.

Lusa/HN

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