Stress e ansiedade é maior para mulheres no jornalismo

9 de Maio 2020

A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) realizou um inquérito global sobre o impacto da pandemia de covid-19 entre os jornalistas e conclui que os níveis de stress são mais elevados nas mulheres.

“As mulheres jornalistas estão a sofrer de mais stress e ansiedade do que os homens jornalistas”, constata a FIJ, baseando-se no inquérito, com uma amostra de 1.308 participantes, 42 por cento dos quais mulheres, de 77 países.

Dois terços das mulheres inquiridas reconhecem ter aumentado os níveis de stress e ansiedade, reclamando que a pandemia está a ter impacto no bem-estar, no trabalho e na vida pessoal e familiar. Metade dos homens inquiridos confirmam o mesmo.

Em comunicado, a FIJ salienta que o efeito das medidas de confinamento na vida privada dos jornalistas é amplificado com a dificuldade em conciliar as tarefas profissionais com as responsabilidades familiares, que “muitas vezes recaem sobre as mulheres”.

Por outro lado, sobre as mudanças laborais propriamente ditas, os resultados do inquérito contradizem, para já, as previsões da Organização Internacional do Trabalho (OIT), segundo as quais a pandemia, tal como outras crises, vai ter um impacto maior sobre as mulheres, mais desprotegidas e mais precárias.

Ao contrário, os homens jornalistas identificam mais alterações nas condições de trabalho, nomeadamente perdas de salário (quase metade dos homens, um quarto das mulheres), maior dificuldade em encontrar fontes independentes (27,5% nos homens, para 19% nas mulheres) e mais da falta de equipamento para trabalhar, quer no terreno, quer em casa.

A percentagem de mulheres jornalistas que já perdeu o emprego é apenas ligeiramente superior à dos homens jornalistas (7,4% para 6,5%).

Mais de um terço dos inquiridos, homens e mulheres, conta que passou a cobrir o tema da pandemia.

A FIJ – a mais representativa organização de jornalistas, abarcando 600 mil profissionais de 146 países – juntou-se a outras federações de sindicatos na denúncia do impacto da pandemia de covid-19 nas mulheres que estão na linha da frente, programando uma série de seminários online ao longo deste mês.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou cerca de 271 mil mortos e infetou quase 3,8 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Mais de 1,2 milhões de doentes foram considerados curados.

LUSA/HN

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