SNS “fez das fraquezas forças” mas precisa de recuperação

13 de Maio 2020

O presidente do Conselho Económico e Social (CES) considerou hoje que o SNS “fez das fraquezas forças” e respondeu de “forma muito efetiva” à pandemia, mas precisa de recuperação e de ter reservas estratégicas de recursos humanos.

“O Serviço Nacional de Saúde [SNS] saiu mais reforçado do ponto de vista de imagem e de reputação, toda a gente dizia que o SNS estava desmantelado e não estava tão desmantelado como isso”, afirmou Correia de Campos à agência Lusa no final do ‘webinar’ “O SNS e a vigilância epidemiológica após a 1ª vaga”, promovido pelo CES e que reuniu médicos, especialistas, técnicos, sindicatos.

Contudo, precisa ter reservas estratégicas de recursos humanos, para “não se estar a recorrer a pessoal à pressão, à pressa, sem estar devidamente enquadrado ou informado”, e de equipamentos de proteção individual como foi destacado na conferência, disse o antigo ministro da Saúde.

Na conferência, foi salientado que provavelmente a alta taxa de infeção nos profissionais de saúde, mais de 3.100, poderá ter sido resultado também da falta destes equipamentos no princípio da crise.

Por outro lado, o SNS também precisa de investimento: “É preciso recuperar os hospitais e as unidades de saúde porque os doentes não desapareceram, simplesmente adiaram os seus tratamentos e os diagnósticos das suas doenças, mas as doenças provavelmente lá continuam”.

Portanto, defendeu, é necessário recuperar esse “enorme atraso” de cerca de 500 mil urgências hospitalares, consultas e urgências hospitalares e 30 mil cirurgias adiadas.

“Não sei se são tantas assim, mas há um capital de trabalho a recuperar que tem de ser feito e estou convencido de que do ponto de vista político o país não aceitaria que agora o SNS, com este desempenho tão eficaz, não fosse dotado dos meios necessários”, sublinhou.

Um trabalho que vai “exigir um esforço maior” dos profissionais, mas “vai exigir também que o Estado olhe para as formas de retribuição dos seus profissionais, dos médicos, dos enfermeiros, dos técnicos, de toda a gente”.

“O pessoal que trabalha na saúde e que sofre, digamos assim, uma situação de crise como esta, não pode ser remunerado ou retribuído de forma absolutamente igual como eu que estou sentado há uma semana na secretária sem nenhum fator de risco, não pode ser”, salientou.

Para o antigo ministro da Saúde, tem de “haver diferenciação de vencimentos” e, se essa diferenciação é praticada no setor privado, o setor público também tem de encontrar formas “diferenciar e premiar o desempenho dos melhores profissionais”.

Correia de campos disse que na conferência foi elogiada a capacidade do SNS “se desenvencilhar deste problema”, a alta qualidade dos seus profissionais e a forma como utilizou os recursos.

“Quando tudo se julgava impreparado, o país conseguiu-se mobilizar” e os profissionais de saúde conseguiram controlar esta crise.

“A situação, todavia, continua vulnerável e foi analisada essa vulnerabilidade em relação aos locais residenciais de pessoas idosas e em relação às questões de saúde ocupacional, a saúde e as empresas, que é necessário agora ter uma intervenção muito forte”, salientou.

Na conferência, foram também analisadas as desigualdades sociais que atingem sempre os mais pobres.

“São os que sofrem mais com as crises de saúde e esta não foi exceção nenhuma, já sabíamos isso quando olhamos para os Estados Unidos e vemos que são as populações mais marginais de afroamericanos ou latinos que sofreram mais” e “confirmamos isso em relação a Portugal”, lamentou.

Durante as três horas do ‘webinar’ também houve um grande debate sobre o regresso no fim da epidemia.

“Houve uma expressão que fez a sua carreira, a expressão ‘liderança da incerteza’, porque é preciso não apenas recuperar aquilo que se adiou nos cuidados de saúde, mas sobretudo fazê-lo não tendo certezas nenhumas”, sublinhou.

Neste momento, não se sabe quando é que “os efeitos todos de desconfinamento permitem abrir as fronteiras, pôr os aeroportos a funcionar e pôr os hotéis a acolherem turistas”.

“Não sabemos quando é que a vida económica pode retomar a sua normalidade, não sabemos quando é que os compradores estrangeiros compram os nossos produtos, e 44% da nossa riqueza vem daquilo que vem do estrangeiro e, portanto, foi um debate muito rico sobre como sair desta crise”, rematou.

Portugal contabiliza 1.175 mortos associados à covid-19 em 28.132 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

O país entrou no dia 03 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

LUSA/HN

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