Hospital da Feira recuperou do atraso de 400 consultas para cirurgia

28 de Maio 2020

O Hospital São Sebastião, em Santa Maria da Feira, já recuperou do atraso imposto a 400 consultas de cirurgia pela reestruturação interna para enfrentar a covid-19, revelou hoje a unidade que, para isso, fez atendimentos apenas aos sábados.

Em causa estavam as consultas preparatórias que antecipam intervenções cirúrgicas e que tinham sido suspensas entre 14 de março e 08 de maio nessa unidade do distrito de Aveiro, gerida pelo Centro Hospitalar do Entre Douro e Vouga (CHEDV).

No dia 09 de maio retomaram-se esses atendimentos e agora já está recuperado todo o atraso, o que Mário Nora, diretor do Serviço de Cirurgia Geral, atribuiu a um esforço suplementar da sua equipa de 16 médicos, que se disponibilizou para trabalhar nesses atendimentos aos sábados.

“Lançámos um desafio ao Serviço no sentido de remarcarmos o mais rápido possível todas as consultas canceladas devido ao plano de contingência da covid-19. Devido ao distanciamento social exigido, era impossível reagendar as consultas para os dias úteis em que decorrem os atendimentos de outras especialidades e, por isso, propusemo-nos reprogramá-las para os sábados. Como nesse dia a Consulta Externa não funciona, cada médico do Serviço de Cirurgia pôde consultar 12 doentes sem quebrar as regras de distanciamento social”, explicou Mário Nora à Lusa.

O atraso em consultas externas de outras especialidades ainda se mantém, mas, segundo a administração do São Sebastião, o hospital “conta recuperar cerca de 70% [desses pendentes] até junho e os restantes durante o mês de julho”.

Miguel Paiva, que, enquanto administrador do CHEDV, gere o hospital da Feira e também os de São João da Madeira e Oliveira de Azeméis, recordou que o adiamento inicial de consultas externas “era inevitável” dada a reformulação necessária para aumentar a capacidade de internamento específico para casos de covid-19 e garantir circuitos seguros que separassem esses infetados de outros doentes.

“A duplicação da nossa capacidade de internamento foi conseguida em muito pouco tempo e de uma forma notável, pelo que, no caso de haver uma segunda vaga da doença, agora estamos ainda mais preparados para reagir com grande rapidez”, afirmou.

Entre 14 de março e 14 de maio, o Hospital São Sebastião acolheu 325 doentes infetados com o vírus SARS-CoV-2 e, desse total, 35% eram residentes do concelho de Ovar – que esteve em estado de calamidade pública devido à pandemia e, embora tutelado pela Administração Regional de Saúde do Centro, tem na Feira, supervisionada pela Administração do Norte, a unidade de referência mais próxima do município vareiro.

“Isso significa que mais de um terço do nosso internamento covid-19 foi para cidadãos de Ovar, que é um concelho com apenas 55.000 habitantes, enquanto os municípios de referência para o CHEDV representam por si só, no total, uns 350.000 utentes. Para se ter noção, basta referir que, se de Ovar recebemos 35% dos internamentos, da Feira [com 139.000 habitantes] só acolhemos 23% e, de Oliveira de Azeméis [com 70.000 residentes], vieram apenas 18%”, informou Miguel Paiva.

Enaltecendo o desempenho “abnegado” de todos os profissionais da casa, “quaisquer que sejam as áreas de atividade em que desempenham funções”, o administrador do CHEDV apontou ainda a “tremenda generosidade” da sociedade civil como determinante para a resposta apta do São Sebastião. “Só em donativos, recebemos cerca de 600.000 euros, dos quais 220.000 em materiais e 380.000 em dinheiro”, realçou.

Entre essas ofertas incluem-se equipamentos médicos “particularmente dispendiosos” como 11 ventiladores, um sistema completo de alto fluxo de ventilação, um raio-X portátil e um ecógrafo, além de largos milhares de artigos de proteção individual – como batas, máscaras, viseiras, luvas, álcool gel – e algumas toneladas de bens alimentares – como frutas, águas, sumos e refeições rápidas.

O novo coronavírus responsável pela presente pandemia de covid-19 foi detetado na China em dezembro de 2019 e já infetou mais de 5,6 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais mais de 352.000 morreram.

Em Portugal, onde os primeiros casos confirmados se registaram a 02 de março, o último balanço da Direção-Geral da Saúde (DGS) indicava 1.356 óbitos entre 31.292 infeções confirmadas.

LUSA/HN

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