Uso do descartável é o problema ambiental mais agudo do pós-pandemia

20 de Junho 2020

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, criticou hoje o uso excessivo dos bens descartáveis, considerando-o o problema mais agudo do ponto de vista ambiental no período pós-covid.

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, criticou hoje o uso excessivo dos bens descartáveis, considerando-o o problema mais agudo do ponto de vista ambiental no período pós-covid”Se me perguntarem neste pós-covid qual é o problema mais agudo do ponto de vista ambiental, eu não tenho a mais pequena dúvida: a tendência para o abuso, em alguns casos completamente excessivo e a roçar o disparatado, dos bens descartáveis. Não faz qualquer sentido”, alertou, salientando que vão todos parar ao mar.

O governante, que falava na sessão de apresentação dos projetos de prevenção e sensibilização para redução do lixo marinho, financiados em um milhão de euros e que decorreu no Terminal do Porto de Leixões, em Matosinhos, considera que não há qualquer explicação para achar normal que todos os bens venham embalados numa “bolsinha de plástico para deitar fora”.

Embora compreendendo que o uso de materiais descartáveis seja uma forma que os estabelecimentos encontraram para dar confiança aos clientes, o governante considera “um absurdo imaginar que o descartável dá segurança a quem quer que seja”, criticando o uso excessivo do plástico neste de tempo de pandemia.

“É um absurdo imaginar, e isso faz-se, que um barbeiro ou cabeleireiro nos dê uma toalha de plástico, que tira dentro de um saco de plástico, que nos põe à volta do pescoço e depois à volta da mesma põe uma toalha de turco porque a primeira afinal não presta para nada e com isto acredita que vai fazer melhor e servir melhor. É inacreditável que restaurantes e cafés, que obviamente sempre lavaram a louça agira nos sirvam em copos de plástico ou de papel, parece que afinal não lavavam a louça antes”, ironizou, sublinhando que esta é uma responsabilidade de todos.

O ministro reconheceu ainda que em matéria de gestão de resíduos, Portugal tem um grande caminho a fazer e defendeu que as autarquias têm nesta matéria um papel fundamental para alterar este paradigma.

“Num país como o nosso, onde tanto tem sido feito com números tão claros, no que diz respeito por exemplo à utilização de fontes renováveis na produção de eletricidade, naquilo que tem sido a redução de emissões Portugal é mesmo um dos primeiros países do mundo que provou que há felizmente um divorcio entre aquilo que é a economia crescer e as emissões decrescerem, tenho de reconhecer que, quando chegamos à eficiência material, há gestão dos resíduos temos ainda um caminho grande para fazer”, afirmou.

Durante a cerimónia que durou cerca de duas horas, foram apresentados seis projetos de prevenção e sensibilização para a redução do lixo marinho, que receberão um milhão de euros de financiamento, no âmbito do programa EEA Grants Ambiente.

Cada um dos seis projetos selecionados receberá, no máximo, 200.000 euros, com o sexto classificado a receber 159.755 euros, representando entre 75% e 90% do total de investimento previsto.

Com uma dotação total de aproximadamente 28 milhões de euros, o “Programa Ambiente, Alterações Climáticas e Economia de Baixo Carbono – Programa Ambiente”, foi criado na sequência da assinatura do memorando de entendimento entre Portugal, Noruega, Islândia e Liechtenstein, tendo em vista a aplicação, em Portugal, do Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu 2014-2021, nas áreas programáticas de ambiente e ecossistemas, mitigação e adaptação às alterações climáticas.

A pandemia de covid-19 já matou pelo menos 456.630 pessoas e infetou mais de 8,5 milhões em todo o mundo desde dezembro, segundo um balanço da agência AFP, às 19:00 TMG de hoje, baseado em dados oficiais.

Portugal contabiliza pelo menos 1.527 mortos associados à covid-19 em 38.464 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

LUSA/HN

 

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