Alto risco de trombose venosa profunda e embolia pulmonar em pacientes com COVID-19

Um novo estudo oferece agora uma melhor compreensão do risco subjacente e, por isso mesmo, ajuda nas decisões de tratamento individual com base na avaliação precisa de risco para os diferentes grupos de pacientes

“Desde o início da pandemia de Covid-19 que os estudos relataram um aumento na taxa de tromboses e embolias pulmonares em pacientes com COVID-19. Na base destes relatórios, mas sem provas robustas de estudo intervencionais controlados, foram desenvolvidas estratégias de tratamento globais que recomendam estratégias mais intensas para a tromboprofilaxia. O nosso estudo oferece agora uma melhor compreensão do risco subjacente e, por isso mesmo, ajuda nas decisões de tratamento individual com base na avaliação precisa de risco para os diferentes grupos de pacientes”, reporta o investigador principal Cihan Ay.

Na sua revisão de literatura, o autor avaliou um total de 5.951 estudos publicados no campo do tromboembolismo venoso (VTE) no Covid-19- Desses, 86 estudos foram considerados elegíveis para inclusão e relatavam taxas de trombose e embolia pulmonar em pacientes com Covid-19. Depois de excluir estudos adicionais devido aos riscos subjacentes de bias numa avaliação estruturada, 66 estudos (28.173 pacientes) foram considerados elegíveis para serem sujeitos a uma meta-análise que fornecesse uma estimativa robusta sobre o risco de VTE no Covid-19.

As principais conclusões são as seguintes: o risco geral de VTE em pacientes hospitalizados com Covid-19 é de 14%, apesar de regimes rigorosos de tromboprofilaxia relatados na maioria dos estudos. A alta heterogeneidade das taxas de VTE foi encontrada entre diferentes subgrupos de pacientes. A taxa era mais elevada em pacientes admitidos em unidades de cuidados intensivos, com 23% dos pacientes a sofrer de VTE. Os pacientes admitidos nas alas gerais sofreram CTE em 8% dos casos. Estas conclusões sublinham o alto risco de VTE em pacientes com COVID-19.

Para além disso, os autores focaram-se especificamente na estimativa do risco de uma embolia pulmonar potencialmente ameaçadora de vida. O resultado: “o risco é consideravelmente mais alto do que em outras donças médicas sérias comparáveis e está entre os 10 e os 18% em pacientes com Covid-19 que requerem cuidados intensivos. De forma chocante, foi detetada trombose venosa profunda em quase metade dos doentes com COVID.19 hospitalizados que tinha sido sistematicamente rastreados para tromboses com ecografias”. Estas conclusões ressaltam o impacto forte do COVID-19 no sistema de coágulos do sangue. Em adição, uma análise exploratória revelou que pacientes que desenvolveram trombose venosa profunda ou embolias pulmonares durante a hospitalização tinham concentrações de dímero D significativamente elevadas quando admitidos, um parâmetro laboratorial que indica um sistema de coagulação ativado. Esta descoberta pode ser utilizada para desenvolver estratégias de tromboprofilaxia personalizadas e de risco estratificado no futuro.

Em suma, os autores forneceram uma avaliação detalhada do risco de VTE com base na severidade da doença. Os estudos futuros terão que determinar se o dímero D elevado aquando da admissão hospitalar justifica a intensificação do tratamento anticoagulante em pacientes hospitalizados com Covid-19.

 

AG/NR/João Marques

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