Estudo deteta poluentes em habitações com risco para saúde das crianças

14 de Outubro 2020

Investigadores do Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI) avaliaram as condições ambientais do interior de várias habitações no Porto e alertam para a presença de poluentes com riscos para a saúde das crianças.

Em comunicado, o INEGI avança esta quarta-feira que, tendo por base um inquérito a mais de 300 famílias, recentemente publicado na revista Environmental Research, e a análise da qualidade do ar de 30 habitações na cidade do Porto onde residiam 60 crianças com menos de um ano, o estudo detetou “condições de ventilação deficitárias”.

Os investigadores identificaram um “aparente aumento da poluição química do ar” associada a produtos de limpeza e ambientadores, uso de carvão e madeira para aquecimento, prática de fumar no interior de casa e “condições” para a proliferação da humidade e bolor “num número relevante de habitações”.

O estudo teve como intuito avaliar as “condições ambientais às quais as crianças estão expostas em início de vida”.

Para tal, os investigadores monitorizaram um vasto painel de indicadores como o conforto (temperatura e humidade relativa), ventilação (dióxido de carbono) e níveis de poluição (ozono, dióxido de azoto, formaldeído, acetaldeído, compostos orgânicos voláteis, fungos e bactérias).

Citada no comunicado, Marta Gabriel, investigadora do INEGI, afirma existir “muita falta de informação acerca dos efeitos nocivos das emissões de poluentes”.

“Muitos pais não sabem que certos materiais de construção, produtos de limpeza, de higiene pessoal, ou produtos perfumados podem impactar significativamente a qualidade do ar na habitação”, salienta a investigadora, acrescentando que as crianças com idade inferior a um ano são “particularmente suscetíveis a fatores ambientais”.

O estudo, levado a cabo entre 2018 e 2019, “ganha agora mais relevância, face à atual pandemia”, destaca Marta Gabriel.

Isto porque “a comunidade científica tem vindo a suportar a hipótese da existência de um efeito potenciador entre a exposição à poluição do ar e a letalidade por Covid-19”.

No seguimento das conclusões obtidas, o grupo de investigadores publicou um guia de boas práticas e recomendações com o intuito de ajudar as famílias a “promover a melhor qualidade do ar interior nas suas casas” e salvaguardar a saúde das crianças.

Entre as recomendações, encontra-se a importância de ventilar os espaços, escolher produtos rotulados com baixa emissão de formaldeído e compostos orgânicos voláteis, evitar fontes declaradas de poluição, secar roupa no interior de casa ou limitar a utilização de humidificadores.

O estudo foi realizado no âmbito dos projetos HEBE – Health, Comfort and Energy in the Built Environment, financiado pelo programa Norte2020 através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), e HEALS – Health and Environment-wide Associations based on Large Population Surveys, financiado pela Comissão Europeia.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Cerca de oito milhões de sul-africanos viviam com VIH em 2024

Cerca de oito milhões de sul-africanos viviam com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) em 2024, o número mais alto alguma vez registado, e cerca de 6,2 milhões estavam em tratamento, informou hoje a imprensa local.

Dia Mundial da Voz: o poder da voz na era digital

No Dia Mundial da Voz, celebrado a 16 de abril, a importância da saúde vocal e o papel da voz na era digital ganham destaque. Mais do que uma ferramenta biológica, a voz define identidades, conecta pessoas e impulsiona tecnologias como assistentes virtuais e reconhecimento de voz.

APDP realiza mais de 5 mil rastreios à diabetes tipo 1 em apenas 6 meses

A campanha “O Dedo Que Adivinha”, liderada pela APDP no âmbito do projeto europeu EDENT1FI, ultrapassou cinco mil rastreios de diabetes tipo 1 em crianças e jovens em Portugal. Em apenas seis meses, a iniciativa alcançou metade da meta nacional prevista para os próximos quatro anos.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights