Viver sozinho é uma vantagem em relação ao SARS-CoV-2

14 de Janeiro 2021

A Universidade de Alicante investigou os efeitos do confinamento na saúde e na resistência dos cidadãos daquela comunidade autónoma espanhola. No atual contexto de pandemia, viver sozinho é um fator de proteção contra a Covid-19, segundo os investigadores.

O Grupo de Investigação em Saúde Pública da Universidade de Alicante acaba de publicar os resultados do estudo “O desafio da Covid-19 em Alicante. Efeitos na saúde e na resistência dos cidadãos durante o confinamento”.  O trabalho foi desenvolvido durante o período de confinamento domiciliário em Alicante (entre 15 de março e 21 de junho do ano passado). Os investigadores analisaram o estado de saúde, o cumprimento das normas de confinamento, os cuidados de saúde e as medidas adotadas pela Saúde Pública na comunidade autónoma de Alicante.

A investigação contou com a colaboração da “Aula de la Salud de la Sede Ciudad de Alicante” e do Centro de Envelhecimento “Mayores Salud”, da Universidade de Alicante. Para além dos cidadãos que participaram nos inquéritos, os investigadores contaram com um grupo de pessoas que teve acesso aos serviços de enfermagem telemáticos do Hospital Universitário Geral de Alicante (HGUA). No total, o inquérito abrangeu 1.378 residentes na comunidade autónoma de Valência.

Os investigadores María Teresa Ruiz Cantero e Carlos Álvarez Dardet, referem que “iniciámos este trabalho nos dias de confinamento da primeira vaga da epidemia de Covid-19. Naquela altura pensámos que não seriam de excluir mais vagas epidémicas, confinamentos e quarentenas parciais em Espanha. Nesse âmbito, pareceu-nos importante estudar o que acontece na vida das pessoas durante esses períodos com o objetivo de tentar minimizar os seus efeitos mais nefastos”.

Os investigadores analisaram diversas variáveis, tais como a idade, o sexo, idade igual ou superior a 60 anos, viver sozinho ou em companhia, e o local de residência durante o confinamento.

A partir desta análise, “apresentámos 18 conclusões e 15 recomendações para a conceção de políticas públicas e planeamento da saúde”. Sobretudo, os investigadores defendem que “é essencial aumentar a participação da comunidade, das câmaras municipais e dos bairros para enfrentar os surtos da pandemia, uma vez que, até agora, a tomada de decisão tem sido feita principalmente a nível nacional e das comunidades autónomas”.

Os investigadores concluem também que não basta melhorar o financiamento do sistema de saúde para continuar a fazer o mesmo. São necessárias mudanças estruturais profundas: respostas intersetoriais aos diferentes problemas; envolver a população e promover a auto-responsabilidade individual. “É essencial uma mudança conceptual e estratégica que valorize não só a resolução dos problemas de saúde mas também o bem-estar e a qualidade de vida, que dê prioridade à inovação e ao desenvolvimento de tecnologias que facilitem a vida das pessoas de uma forma integrada e participativa”, reforçam.

Viver sozinho “tem sido um fator de proteção contra a Covid-19. As pessoas que vivem acompanhadas adoeceram mais frequentemente: 19 mulheres e 8 homens acompanhados, em comparação com 4 mulheres e 1 homem a viver sozinho. Esta proteção é especialmente relevante nas pessoas com 60 ou mais anos que vivem sozinhas, uma vez que apenas uma mulher e nenhum homem  foram infetados pelo SARS-CoV-2, em comparação com seis mulheres e cinco homens que vivem acompanhados”.

A investigação destaca que as exposições profissionais em trabalhos essenciais podem explicar o maior risco de contágio nos homens (17,4%) e nas mulheres adultas jovens (11%).

A alimentação e o exercício físico têm sido grandemente influenciados pelo confinamento, referem os investigadores. “Um grande número de pessoas de ambos os sexos que vivem sozinhas relatou um agravamento da sua dieta e menos exercício físico”.

As formas de entretenimento têm estado relacionadas com o lazer passivo e com o aumento da comunicação, superior ao habitual, para suprir a necessidade de relacionamento com outras pessoas, a principal necessidade não satisfeita expressa na investigação.

Os encontros com familiares e amigos e a manutenção da distância social foram, e continuam a ser, os fatores de risco mais frequentes e os principais desafios na prevenção da Covid-19.

A ajuda recebida pela família é a mais valorizada por ambos os sexos, quer vivam sozinhos ou acompanhados. As amizades não parecem ter correspondido às expetativas, e muito menos a vizinhança.

A ajuda dos serviços sociais quer associada ao setor da saúde, quer às autarquias, foi avaliada como insuficiente. A investigação revela também que a comunicação telefónica foi o meio de contacto mais utilizado para resolver problemas de saúde e sublinha os benefícios da teleassistência na área da enfermagem, particularmente nas áreas do exercício físico e da literacia em saúde.

NR/AG/HN/Adelaide Oliveira

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