CDS-PP diz que confinamento está a ser “fiasco” e pede medidas mais severas

18 de Janeiro 2021

O presidente do CDS-PP defendeu esta segunda-feira medidas mais apertadas para fazer face à pandemia de Covid-19, criticando que o confinamento em vigor desde sexta-feira esteja a ser “um verdadeiro fiasco".

Em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, Francisco Rodrigues dos Santos pediu ao Governo que implemente “medidas mais restritivas” e um “confinamento a sério”, que reproduza “as regras em vigor durante o confinamento em março e abril”.

“O que não pode acontecer é esta espécie de confinamento com mais exceções do que regras”, criticou, argumentando que “nem protege saúde pública nem beneficia a economia”.

O líder democrata-cristão assinalou que, ao contrário do que aconteceu no início da pandemia, “os supermercados continuam a funcionar no horário normal”, os serviços públicos “continuam a funcionar como se nada fosse”, as escolas e universidades continuam abertas, bem como os tribunais, e os serviços religiosos são permitidos.

“Este é um confinamento igual ao primeiro, excetuando quase tudo”, frisou, notando que as pessoas não estão a cumprir, fazendo-se valer das exceções.

Assinalando que o Conselho de Ministro se reuniu hoje extraordinariamente, devendo aprovar novas medidas relacionadas com o confinamento, o presidente do CDS-PP salientou que esta reunião, poucos dias depois da primeira, acontece numa altura em que está “o caos instalado no país”.

“A pandemia está descontrolada, o Serviço Nacional de Saúde está em rutura e este confinamento está a ser um verdadeiro fiasco”, insistiu.

No que toca a medidas, Francisco Rodrigues dos Santos voltou a pedir a “revisão imediata do plano de vacinação para que os mais idosos sejam incluídos na primeira fase”.

Pediu ainda que sejam encerradas “todas as escolas acima dos 12 anos e universidades”, que seja “aumentada significativamente a capacidade de testagem” e sejam reforçadas as equipas de saúde pública e que os apoios cheguem às empresas “rapidamente e sem burocracias”, além da contratualização de cuidados de saúde com o setor privado e social.

O governo reúne-se hoje em conselho de ministros extraordinário, devendo aprovar novas medidas relacionadas com o confinamento devido à Covid-19, disse à Lusa fonte do executivo.

No domingo, o Presidente da República admitiu um agravamento de medidas, considerando que o confinamento não está a ser levado a sério.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 2.031.048 mortos resultantes de mais de 94,9 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 9.028 pessoas dos 556.503 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

LUSA/HN

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