Mais de 10 países já suspenderam vacina da AstraZeneca “por precaução”

15 de Março 2021

Mais de uma dezena de países suspenderam o uso da vacina da AstraZeneca contra a Covid-19 por precaução após relatos de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas.

O grupo farmacêutico anglo-sueco garantiu não haver “qualquer prova da existência de um risco aumentado” de se verificarem coágulos sanguíneos causados pela sua vacina e a Organização Mundial da Saúde (OMS) sublinhou que “não há razão para não usar essa vacina”, mas vários países decidiram “jogar pelo seguro”.

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) afirmou logo na quinta-feira que não existem provas de um aumento de risco de coagulação sanguínea em pessoas vacinadas contra a Covid-19.

Em Portugal, a Direção-Geral de Saúde e o Infarmed afirmaram no domingo que a vacina da AstraZeneca pode continuar a ser administrada e frisaram que não há evidência de ligação com os casos tromboembólicos registados noutros países.

Suspensão após coágulos sanguíneos

A Dinamarca foi o primeiro país a suspender a vacina da AstraZeneca – na quinta-feira passada – “após relatos de casos graves de formação de coágulos sanguíneos em pessoas que foram vacinadas com a vacina Covid-19 da AstraZeneca”.

A decisão foi rapidamente seguida pela Islândia.

A Noruega também suspendeu a administração da vacina na quinta-feira, também por precaução, depois de vários casos de hemorragia sanguínea em adultos vacinados terem sido relatados no país, embora sem ligação comprovada.

Além disso, as autoridades de saúde norueguesas expressaram preocupação no sábado sobre casos de hemorragias cutâneas em pessoas relativamente jovens que receberam uma dose da vacina AstraZeneca.

Embora não tenha sido estabelecida uma ligação causa-efeito com a vacina, a situação “é séria e pode ser um sinal de uma diminuição no número de plaquetas”, alertou o Instituto Norueguês de Saúde Pública.

Na esteira dos países nórdicos 

A Bulgária anunciou na sexta-feira a suspensão “por precaução” da administração da vacina AstraZeneca, após as decisões tomadas pelos três países nórdicos e enquanto está em curso uma investigação na sequência da morte de uma mulher vacinada.

No entanto, segundo o ministro da Saúde, “não foi estabelecida nenhuma ligação” com a vacinação dada na véspera da morte da mulher, que apresentava excesso de peso e tinha passado por várias operações de revascularização do miocárdio.

No domingo, a Irlanda e os Países Baixos também suspenderam o uso da vacina, mais uma vez por precaução, após os casos de registados na Dinamarca e na Noruega.

Em França, os bombeiros de Bouches-du-Rhône (sul do país) anunciaram hoje ter suspendido a vacinação com o medicamento da AstraZeneca, “como medida de precaução”, depois de um bombeiro ter sido internado com arritmia cardíaca após receber a primeira dose da vacina.

Suspensão de lotes 

A Áustria anunciou, em 08 de março, que ia suspender o uso de um lote da vacina AstraZeneca (ABV5300) depois de uma enfermeira de 49 anos ter morrido com “sérios problemas de coagulação do sangue”, poucos dias após a sua vacinação.

Outros quatro países europeus – a Estónia, a Letónia, a Lituânia e o Luxemburgo – também suspenderam o uso das vacinas desse lote, que continha um milhão de doses, enviado para 17 países europeus.

A Itália proibiu na quinta-feira o uso de outro lote, o ABV2856, como precaução contra as hemorragias e a Roménia suspendeu a administração de doses do mesmo lote logo a seguir.

A região italiana do Piemonte (noroeste da Itália) suspendeu a vacina da AstraZeneca no domingo após a morte de um professor que tinha sido vacinado, excluindo, por precaução, o lote ABV5811.

Campanha de vacinação adiada

A Tailândia e a República Democrática do Congo (RDC) atrasaram o início das suas campanhas de vacinação com a vacina AstraZeneca, que estava programado para sexta-feira e hoje, respetivamente.

A Indonésia vai adiar o lançamento da campanha de vacinação com a AstraZeneca enquanto aguarda uma decisão da Organização Mundial de Saúde, anunciou hoje o ministro da Saúde, alegando querer estar no lado seguro” da situação.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

ULS de Coimbra desativa planos de emergência após redução do caudal do Mondego

A Unidade Local de Saúde de Coimbra anunciou hoje a desativação do Plano de Emergência Externo e do Plano de Emergência Interno, que estiveram no nível 2 durante o período de calamidade pública para garantir resposta à cheia do Mondego, num agradecimento aos profissionais que, mesmo com as suas vidas afetadas, mantiveram os serviços operacionais

Raimundo desafia Governo a optar entre “guerras” e reconstrução

O secretário-geral do PCP desafiou hoje o Governo a escolher entre financiar conflitos externos ou canalizar verbas para a “guerra da reconstrução” do país, após a passagem das tempestades que devastaram várias regiões. A declaração foi feita durante uma visita ao centro de recolha de bens instalado no Estaleiro Municipal de Ourém, um dos concelhos mais fustigados pelo mau tempo

Tempestades: Campanha nacional recolhe donativos para vítimas de cheias e inundações

A Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares e a associação Entreajuda ativaram uma rede solidária para recolher fundos e bens essenciais destinados às populações flageladas pelas recentes tempestades. A distribuição da ajuda arranca na próxima semana, priorizando os concelhos que estiveram em situação de calamidade, numa operação articulada com autarquias e instituições locais

Pais de crianças com Asperger sem respostas: “Subsídios não chegam para nada”

A Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA) alertou hoje para a necessidade de um acompanhamento frequente e integrado na saúde e educação, sob pena de as pessoas com esta perturbação do espectro do autismo ficarem dependentes para toda a vida, sem conseguir gerir dinheiro, emprego ou a própria saúde

Hospital da Horta admite dificuldade em pagar diárias a doentes deslocados

A presidente indigitada do Hospital da Horta, Maria Cândido, alertou hoje para o agravamento dos custos com consumíveis e tratamentos, que poderá não ser totalmente colmatado pelo reforço orçamental, reconhecendo “dificuldades para pagar as diárias” dos doentes deslocados

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights