Líderes da UE e os EUA querem que Covid-19 “passe a fazer parte dos livros de história”

15 de Junho 2021

O presidente do Conselho Europeu afirmou esta terça-feira que a União Europeia (UE) e os Estados Unidos querem que a pandemia de Covid-19 “passe a fazer parte dos livros de história”, sendo a “cooperação internacional” indispensável para o conseguir.

“Queremos que a pandemia de Covid-19 passe a fazer parte dos livros de história, e só há uma maneira para o fazer: a cooperação internacional”, sublinhou Charles Michel.

O presidente do Conselho Europeu falava em conferência de imprensa após a cimeira UE-EUA, que decorreu hoje em Bruxelas, e que reuniu o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, com Charles Michel e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Numa conferência de imprensa que não contou com a presença de Biden, o presidente do Conselho Europeu salientou que é preciso garantir um acesso global à vacina, reiterando o objetivo de fazer com que “pelo menos dois terços” da população mundial esteja vacinada “até ao fim de 2022”.

“A recuperação global tem de significar recuperação para todos, não apenas para uns quantos escolhidos. Temos o dever, e o interesse, de assistir e apoiar os países menos desenvolvidos, não apenas na luta contra a Covid-19, mas também na recuperação económica”, apontou Charles Michel.

A seu lado, Von der Leyen destacou que “acabar com a pandemia em todo o lado e para toda a gente” é uma “prioridade conjunta” dos Estados Unidos e da UE, que foi abordada durante a reunião de hoje com Joe Biden.

“Concordámos que temos de andar mais rápido para ajudar a vacinar o mundo. Para o conseguirmos (…) concordámos em estabelecer uma ‘taskforce’ de vacinas UE-EUA, que (…) ajudará a identificar e a resolver os problemas que estão ligados à produção das vacinas”, indicou a presidente da Comissão.

À semelhança de Charles Michel, Von der Leyen destacou que é “necessário cooperar muito mais” para criar capacidades de produção de vacinas em regiões que, até ao momento, não as conseguem desenvolver.

“É preciso, não apenas trazer investimento privado (…), mas há também a questão de saber como é que se transfere o conhecimento da tecnologia para estas regiões”, referiu.

Von der Leyen salientou ainda que a UE e os Estados Unidos se comprometeram a “manter as cadeias de valor abertas e seguras” no que se refere às vacinas, por considerarem que há muitos ingredientes que são “necessários” para que, ao longo do tempo, se “consigam desenvolver as capacidades de manufatura” nas regiões em questão.

Ainda no tema da saúde, os líderes europeus e norte-americano abordaram a reforma da Organização Mundial da Saúde (OMS), que, segundo as palavras de Von der Leyen, precisa de um “compromisso renovado” e de “melhores capacidades para a deteção de surtos”.

“O poder de investigação da OMS tem de ser aumentado. Aprendemos as lições do passado: sabemos que perdemos tempo no início desta pandemia, e não queremos que isso volte a acontecer”, admitiu Von der Leyen.

Von der Leyen, Charles Michel e Biden reuniram-se hoje para uma cimeira UE-EUA, a primeira desde 2017.

À entrada para o encontro, o Presidente norte-americano afirmou que existe uma “grande oportunidade” para os norte-americanos trabalharem com os europeus.

“Estamos a reafirmar o facto de que é manifestamente do interesse dos Estados Unidos ter uma grande relação com a NATO e com a UE. Tenho uma opinião muito diferente do meu predecessor [Donald Trump] sobre este aspeto”, afirmou Joe Biden.

LUSA/HN

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