EUA rejeitam recomendar aspirina a idosos para prevenir doenças cardíacas

13 de Outubro 2021

A ingestão diária de aspirina para reduzir o risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC) não deverá ser mais recomendada para pessoas com 60 ou mais anos, nos Estados Unidos da América (EUA), disseram hoje especialistas norte-americanos.

“Usar aspirina diariamente pode ajudar a prevenir ataques cardíacos e de acidente vascular cerebral em alguns [casos], mas também pode causar efeitos adversos graves, como hemorragia interna”, disse John Wong, membro da ‘task force’ dos Serviços Preventivos dos EUA, citado em comunicado.

Trata-se de uma reviravolta no tema, que preocupa milhões de cidadãos norte-americanos, uma vez que é uma prática muito difundida nos EUA.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte nos Estados Unidos.

Por seu lado, as pessoas de 40 e 59 anos em risco, mas sem histórico de doenças cardiovasculares, devem tomar a decisão de começar o tratamento de forma individual, junto dos médicos, acrescentaram os especialistas.

“É importante que as pessoas entre os 40 e os 59 anos que não têm histórico de doenças cardíacas conversem com o seu médico para decidirem em conjunto se é correto ingerirem aspirina”, adiantou John Wong.

Desde 2016, especialistas da ‘task force’ dos Serviços Preventivos dos EUA, cujas recomendações são amplamente seguidas, aconselham aspirina para pessoas de cerca 50 anos com 10% de risco de sofrerem ataque cardíaco ou AVC nos 10 anos seguintes.

Os especialistas também acreditavam que as pessoas de risco na faixa dos 60 anos podiam realizar esse tratamento de prevenção com base numa decisão pessoal.

Mas, durante vários anos, as investigações colocaram em causa as recomendações norte-americanas.

A aspirina torna o sangue mais fino, o que evita a formação de coágulos sanguíneos e ajuda a reduzir o risco de ataque cardíaco ou AVC.

Hoje, no entanto, os especialistas perceberam que esses benefícios não eram suficientes para – em pessoas mais velhas – compensar o aumento do risco de hemorragia, especialmente no cérebro ou nos intestinos.

As novas recomendações ainda não são definitivas, estando ainda sujeitas a um período de debate público até ao início de novembro.

O comunicado da ‘task force’ acrescenta que as novas recomendações não se aplicam a pessoas que tomam aspirina depois de já terem sofrido um AVC ou um ataque cardíaco.

É estimado que cerca de 600 mil norte-americanos sofrem um primeiro ataque cardíaco e que cerca de 610 mil sofrem o primeiro AVC todos anos.

O uso da aspirina para reduzir o risco de doenças cardiovasculares costuma ser iniciado de forma espontânea pelos norte-americanos. De acordo com um estudo de 2017, eram 23,4% que usavam aspirina.

LUSA/HN

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