Primeiro bastonário dos fisioterapeutas defende autonomia de gestão dos recursos disponíveis

15 de Dezembro 2021

O primeiro bastonário da Ordem dos Fisioterapeutas, António Lopes, destacou na terça-feira como objetivos da nova entidade promover o direito do cidadão ao acesso direto aos cuidados prestados pelos fisioterapeutas e a autonomia de gestão dos recursos disponíveis.

No discurso da tomada de posse, em Lisboa, António Lopes defendeu também a possibilidade de os fisioterapeutas poderem referenciar utentes para outros profissionais de saúde ou para “um fisioterapeuta mais qualificado sempre que a situação o justifique”.

“Temos já no nosso país muitos exemplos de boas práticas neste domínio que teremos que valorizar e difundir”, salientou.

Formado na Escola Superior de Saúde de Alcoitão, onde é coordenador, António Lopes disse que é preciso criar condições para que sejam os fisioterapeutas a definir a melhor forma de alocação dos recursos em função das necessidades dos utentes numa perspetiva integrada e de continuidade de cuidados.

Estes profissionais serão também responsáveis pela demonstração dos resultados da sua intervenção suportados em estudos de custo benefício e de avaliação dos níveis de satisfação por parte dos próprios cidadãos.

“Vamos ter que saber dirigir os nossos esforços e os nossos recursos para atingir o objetivo de ter unidades funcionais autónomas e consolidar a investigação neste domínio”, realçou.

Salientou ainda a ajuda destes profissionais para resolver problemas no sistema do movimento e da funcionalidade e dessa forma também contribuírem para a redução dos custos em saúde e do impacto económico e social na doença.

“O aumento significativo das doenças não transmissíveis e o envelhecimento da população colocam grandes desafios aos sistemas de saúde”, bem como agora as doenças transmissíveis como a Covid-19 deixam “um impacto na funcionalidade e na participação social”.

Para o bastonário, “é imperativo atuar preventivamente”, mas também fazer com que os doentes sejam apoiados no sentido de se manterem funcionalmente o mais independentes possível, mantendo os seus níveis de atividade e de participação nos vários contextos das suas vidas.

Presente na cerimónia, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde destacou o contributo da Ordem para “a prestação dos cuidados de fisioterapia com qualidade com segurança, com bons resultados prestados por profissionais certificados e competentes”.

“A sua prioridade deve ser de facto a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos e a salvaguarda do interesse público resistindo a tentações corporativas de sindicalização”, declarou.

Para o governante, a nova Ordem reveste-se ainda de “maior relevo” se considerarmos que a fisioterapia é uma das profissões mais representadas na prestação dos cuidados de saúde, envolvendo mais de 14 mil profissionais em Portugal.

Lembrou que no final de novembro deste ano havia 1.162 fisioterapeutas no SNS, mais 320 face a dezembro de 2015.

“Não está tudo feito é certo nem poderia face aos constrangimentos e dificuldades que todos passámos, mas este é de facto um caminho que queremos continuar a percorrer um caminho onde temos enormes e exigentes desafios pela frente”, disse, apontando as sequelas da Covid longa e a resposta a uma população cada vez mais envelhecida, bem como da reabilitação das diferentes condições clínicas.

LUSA/HN

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