Dinamarca torna-se o primeiro país da UE a autorizar medicamento para tratar infeção

16 de Dezembro 2021

A Dinamarca tornou-se esta quinta-feira o primeiro país da União Europeia a autorizar o tratamento de pessoas de risco infetadas com Covid-19 com o medicamento antiviral experimental molnupiravir, desenvolvido pelo laboratório norte-americano Merck para tratar a gripe.

Comercializado sob o nome Lagevrio, o medicamento, fornecido em comprimidos, foi aprovado em novembro pelo regulador europeu para uso de emergência, antes de obter autorização formal de comercialização.

O Lagevrio foi autorizado em novembro no Reino Unido e está em processo de autorização nos Estados Unidos, mas o facto de não ter significativos resultados de sucesso tem levado os restantes países a esperar por mais informação.

“Recomendamos o tratamento com comprimidos porque acreditamos que as vantagens superam as desvantagens para os pacientes que estão em maior risco de adoecer gravemente devido à Covid-19”, afirmou, em comunicado hoje divulgado, a responsável da Agência Nacional de Saúde dinamarquesa (SST), Kirstine Moll Harboe.

“Temos plena consciência de que este é um tratamento novo e não aprovado sobre o qual ainda não temos muito conhecimento”, admitiu, garantindo que os efeitos do tratamento serão monitorizados de perto.

O anúncio é feito numa altura em que a Dinamarca está a tentar combater, por todas as vias, a vaga recorde de casos de Covid-19, incluindo o surto da nova variante Ómicron, que deve tornar-se dominante em Copenhaga já esta semana.

O número diário de novos casos de infeção na Dinamarca alcançou, na quarta-feira, os 8.770, um recorde registado no país com 5,8 milhões de habitantes.

“Esperamos que o tratamento ajude a reduzir o número de hospitalizações em infetados com alto risco de ficarem gravemente doentes”, acrescentou Moll Harboe.

Na Dinamarca, estão atualmente hospitalizadas 508 pessoas com Covid-19, das quais 66 estão nos cuidados intensivos.

Os resultados completos do ensaio clínico do medicamento de molnupiravir, comunicados em 26 de novembro pela Merck/MSD, mostram uma eficácia muito menor do que a anunciada no início de outubro com base em dados provisórios.

De acordo com estes resultados mais abrangentes, o medicamento reduziu em 30% – e não em metade, como foi inicialmente anunciado que faria – a taxa de hospitalização e morte em pacientes de risco que o tomaram logo após serem infetados.

A França recusou, em 09 de dezembro, dar autorização para o uso do tratamento por não o considerar suficientemente eficaz.

A Noruega assinou um acordo bilateral com a Merck na quarta-feira para garantir a entrega dos comprimidos, mas ainda está à espera de autorização do regulador europeu para aprovar o seu uso.

A Covid-19 já provocou pelo menos 5.320.431 mortes em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 na China e atualmente com variantes identificadas em vários países.

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Futuro da farmácia em Portugal: consumidores apostam em serviços clínicos e equilíbrio entre digital e humano

Um estudo da consultora 2Logical para a Inizio engage, realizado em Fevereiro de 2026 com 300 residentes em Portugal, revela que 94% dos utentes classificam a experiência actual nas farmácias como muito positiva. Apesar da satisfação, 37% acreditam que o papel destes estabelecimentos será ainda mais importante nos próximos cinco anos, enquanto 60% esperam que se mantenha igualmente relevante

Mortes por enfarte aumentam entre jovens adultos nos EUA, sobretudo em mulheres

A taxa de mortalidade por enfarte agudo do miocárdio voltou a crescer entre a população com menos de 55 anos nos Estados Unidos, depois de anos de aparente estabilização ou descida. A conclusão é de um estudo publicado esta quinta-feira no Journal of the American Heart Association, que analisou perto de um milhão de primeiros internamentos hospitalares entre 2011 e 2022. As mulheres surgem como o grupo mais vulnerável, com taxas de mortalidade superiores às dos homens e menor recurso a procedimentos invasivos para diagnóstico e tratamento.

Raquel Abrantes: “Standards GS1 podem gerar poupanças de 790 milhões de euros na saúde em Portugal”

Raquel Abrantes, Diretora de Qualidade e Standards da GS1 Portugal, analisa a maturidade do setor da saúde na adoção da identificação única. Em entrevista exclusiva, aborda os desafios da interoperabilidade, o impacto da bula digital na experiência do utente e como a normalização de dados está a gerar ganhos de eficiência e a reforçar a segurança dos doentes em Portugal

SPG e Fundação do Futebol lançam campanha nacional contra o cancro colorretal

A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) lançou uma campanha nacional de consciencialização no âmbito do Mês da Prevenção para o Cancro Colorretal, que se celebra em março. A iniciativa, que tem como lema “Há atrasos que custam a ultrapassar, outros não dão uma segunda oportunidade”, conta com o apoio da Fundação do Futebol – Liga Portugal, que irá promover a campanha durante os jogos da 26.ª jornada da Liga Betclic e Liga Meu Super.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights