OMS diz que número de casos com nova variante aumentaram quatro vezes na última semana

22 de Dezembro 2021

Os laboratórios genómicos mundiais detetaram, na última semana, cerca de 14 mil novos casos da variante Ómicron do coronavírus SARS-CoV-2, quatro vezes mais do que na semana anterior, indica um relatório epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo a análise da rede mundial de laboratórios GISAID, que colabora com a OMS, a percentagem da variante Ómicron subiu, e sete dias, de 0,1% para 1,6%.

Ao analisar-se estes números, deve ter-se em conta que resultam da soma de análises dos últimos 60 dias e que, portanto, a percentagem real de caso de Ómicron pode ser maior, como nota a agência espanhola Efe.

Simultaneamente, tem havido um esforço dos laboratórios para detetar a nova variante e sequenciar os casos suspeitos.

Porém, apenas uma pequena parte dos casos de Covid-19 – 1 em cada 40, segundo a OMS – é analisada em laboratório.

Ainda que a grande maioria das novas infeções (96%) continue a ser da variante Delta, dominante em 2021, a Ómicron apresenta um risco associado “muito elevado”, assinala a OMS.

A organização mundial, com sede em Genebra, na Suíça, recorda que, enquanto em novembro, a maioria dos casos de Ómicron estava relacionada com viagens, entretanto vários países já reportaram focos de transmissão comunitária.

Até esta terça-feira, todas as seis regiões utilizadas pela OMS aumentaram o número de novos casos da nova variante, contabilizando-se agora 106 países que já a identificaram.

A atual situação “é caracterizada pela predominância da variante Delta, o declínio das variantes Alfa, Beta e Gama, que têm circulado em prevalências muito baixas há várias semanas, e a emergência da variante Ómicron”, constata a OMS, no habitual relatório epidemiológico semanal atualizado.

Porém, “continua a ser incerto em que medida a observável taxa de crescimento rápido pode ser atribuída à perda de imunidade, à crescente transmissibilidade intrínseca ou a uma combinação das duas”.

Também os dados sobre a gravidade clínica da Ómicron “continuam a ser limitados”, reconhece a OMS, insistindo que não é possível afirmar se a Ómicron produz infeções mais ou menos graves de Covid-19.

Mas é possível constatar – realça – que se verificou um aumento das hospitalizações em países onde a sua prevalência é alta, como a África do Sul ou o Reino Unido, o que dá a esta variante a capacidade de exercer uma pressão preocupante sobre os sistemas de saúde.

Confirmado está que a Ómicron assume uma “vantagem de crescimento sobre a Delta”, que chegou a contabilizar mais de 99% dos casos de laboratório analisados e que nas últimas duas semanas está a ceder terreno perante a variante Ómicron, detetada na África do Sul.

Confirmado está também que a Ómicron se “está a espalhar rapidamente, (…) mesmo nos países com elevados índices de imunização”, nota a OMS.

A organização reitera que os dados preliminares indicam que existe um maior risco de infeção com a variante Ómicron entre as pessoas com apenas um primeiro ciclo vacinal e as que tenham sido infetadas anteriormente.

A nível global, na última semana analisada (13 a 19 de dezembro), registou-se o mesmo número de casos de infeção com o coronavírus, tendo as mortes por Covid-19 diminuído 9 por cento.

A região de África continua a ser palco do maior aumento de novos casos nas últimas semanas, mas é a região da Europa que regista atualmente a maior incidência de casos semanais.

LUSA/HN

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