Hospital e Politécnico de Leiria avaliam efeitos do exercício físico em doentes hipertensos

22 de Janeiro 2022

O Centro Hospitalar de Leiria (CHL) e o Politécnico de Leiria estão a desenvolver um projeto que engloba 123 participantes e que visa avaliar os efeitos do exercício físico em doentes hipertensos e/ou diabéticos, anunciou este sábado o CHL.

Com a denominação “Efeito da implementação de consulta de prescrição de exercício e mudança comportamental na saúde e qualidade de vida em doentes hipertensos e/ou diabéticos”, o estudo tem início este mês e vai prolongar-se até dezembro de 2023, segundo é referido na nota de imprensa enviada à agência Lusa.

A informação detalha que o estudo também avaliará a mudança comportamental na situação clínica, aptidão física e saúde mental.

A equipa será constituída por Cláudia Caseiro Antunes, interna de formação especializada em Medicina Interna no CHL, e Ricardo Rebelo-Gonçalves, docente na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) do Politécnico de Leiria, que são os investigadores principais do estudo e aos quais se juntam Adélia Miragaia, assistente hospitalar graduada de Medicina Interna no CHL, Roberta Frontini e Rogério Salvador, docentes no Politécnico de Leiria.

“A criação de uma consulta de prescrição de exercício físico sempre foi um dos meus objetivos, mesmo antes de ingressar neste internato. É irrefutável a importância desta intervenção na saúde dos nossos doentes, contudo, a sua aplicabilidade sempre foi o principal obstáculo. A parceria com os colegas do Politécnico de Leiria veio colmatar esta lacuna e acredito que temos um núcleo de pessoas, conhecimento e formação capaz de alcançar bons resultados na melhoria da saúde da nossa população”, apontou Cláudia Caseiro Antunes, citada na nota de imprensa.

A investigadora explicou ainda que a área do exercício físico sempre fez parte do seu leque de interesses dentro da medicina e mostrou-se convicta de que este projeto contribuirá para enriquecer a medicina.

Os participantes voluntários serão recrutados para este estudo nas consultas de diabetes e de hipertensão arterial no Hospital de Santo André (HSA), devendo ter mais de 18 anos e podem ser de ambos os sexos, clinicamente aptos e estáveis. Os critérios de exclusão passam por situações identificadas que impeçam de alguma forma a execução do programa de exercício.

“Os participantes serão divididos em três grupos de acordo com a motivação para realizar exercício: grupo de controlo (não fazer exercício); grupo ‘home based (fazer exercício em casa de forma autónoma) e grupo ‘center-based’ (fazer exercício com acompanhamento presencial). Os participantes do grupo de controlo receberão as recomendações da Organização Mundial da Saúde para a atividade física e comportamento sedentário, e serão incentivados a adotar um estilo de vida saudável, mantendo as consultas e acompanhamento. Quanto aos participantes dos restantes dois grupos, será prescrito um plano de exercício específico e personalizado, de acordo com as necessidades identificadas”, detalha-se na nota.

Está previsto ainda que os participantes realizem, em primeiro lugar, uma avaliação clínica, em contexto de consulta médica de acompanhamento hospitalar, sendo depois encaminhados para uma consulta de mudança comportamental com um psicólogo. Por fim, serão orientados para a consulta de prescrição do exercício com um fisiologista do exercício.

O estudo decorre nas instalações do HSA e os programas de exercícios serão supervisionados clinicamente pela equipa médica definida do Serviço de Medicina Interna.

Os participantes realizarão o seu plano de exercício físico entre dois e três dias por semana, não consecutivos, durante os dois anos do estudo, sob a supervisão de fisiologistas do exercício de modo remoto, com análise dos registos de exercício e acompanhamento telefónico a cada quatro semanas, e/ou de modo direto nas sessões presenciais, em contexto hospitalar.

Igualmente citado na nota, o investigador Ricardo Gonçalves salienta que “este projeto reforça o trabalho no âmbito comunitário e pretende ter um impacto relevante na integração e reforço da promoção da atividade física nos cuidados de saúde no Sistema Nacional de Saúde”.

“Esta é mais uma oportunidade para a formação de especialistas com competências para integrar as tendências multidisciplinares emergentes, especificamente ao nível da avaliação, prescrição e monitorização do exercício clínico, sendo ainda complementado com uma componente de motivação e alteração comportamental, acrescenta.

Por seu turno, a diretora do Serviço de Medicina Interna do CHL, Maria de Jesus Banza, salienta o pioneirismo da consulta de prescrição de exercício físico e sublinha que “a investigação associada à prática clínica tem como objetivo melhorar o conhecimento e desenvolver novas metodologias para melhorar os cuidados prestados aos doentes”.

LUSA/HN

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