Técnicos de emergência médica concordam com preocupações sobre VMER da Guarda

4 de Fevereiro 2022

A Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) disse esta quinta-feira que concorda “integralmente” com a Ordem dos Médicos sobre a preocupação em relação à Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) que opera na Guarda.

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) alertou ontem que este mês a VMER da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda “só cumpre escala completa em sete dias”.

“A Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda vai estar inoperacional em 55% da escala deste mês e só terá o turno completo de 24 horas em sete dias do mesmo mês, mais concretamente nos dias 14, 15, 19, 21, 22, 26 e 27 de fevereiro”, adiantou a SRCOM em comunicado enviado à agência Lusa.

O presidente da SRCOM, Carlos Cortes, citado na nota, considera tratar-se de “uma situação muito grave e que compromete a resposta emergente de todo o distrito da Guarda”.

“É com manifesta satisfação que verificamos a posição da Ordem dos Médicos, e a preocupação para uma temática de importância suprema, para o país, preocupação também pela ANTEM partilhada, e que é bem mais grave do que se afigura”, reagiu a ANTEM em comunicado.

E acrescenta: “Concordamos integralmente com a Ordem dos Médicos no que diz respeito à gravidade que esta e outras situações semelhantes implicam, nomeadamente a resposta em situações de Emergência Médica Pré-Hospitalar que compreendam o recurso a manobras de Suporte Avançado de Vida [SAV] (realizadas em Portugal, apenas pelas equipas VMER), em ambiente pré-hospitalar”.

“Mas não podemos aqui deixar de salientar que, por força da privação de educação de nível superior e com as devidas competências aos elementos que todos os dias tripulam ambulâncias em Portugal, não sendo estes detentores de educação em SAV, desde logo, sem as devidas competências para atuar em conformidade técnica e científica, com as situações que se apresentam constantemente (a necessidade de intervenção com recurso a manobras de Suporte Avançado de Vida), culminando na maioria das vezes, no aumento da morbilidade de mortalidade”, salienta.

Na nota, a ANTEM, considera que “afigura-se de importância suprema e, de forma definitiva, a restruturação do SIEM [Sistema Integrado de Emergência Médica] um modelo que se encontra totalmente esgotado, e incapaz de dar resposta às necessidades e esta é uma evidência que não carece de prova, nem discussão”.

Para a associação, importa “dotar as tripulações das ambulâncias de educação e competências em Emergência Médica Pré-Hospitalar, de nível superior, à semelhança de outros países, com décadas de experiência, com provas dadas da sua eficácia, reduzindo a morbilidade e a mortalidade e, em última análise, custos ao Estado, mas, acima de tudo, uma prestação de cuidados de emergência médica equivalente para todos os portugueses, promovendo uma intervenção mais eficaz dos profissionais de saúde que recebem estes pacientes em ambiente hospitalar”.

“Nesta senda, a Emergência Médica Pré-Hospitalar, não é uma atividade a menosprezar, e quem o fizer, é verdadeiramente irresponsável”, conclui.

Contactado pela Lusa, o Conselho de Administração da ULS da Guarda confirmou “que se registaram constrangimentos em situações pontuais nas escalas da VMER”, mas informou que os episódios “nunca colocaram em causa a resposta do serviço de emergência médica à população da região”.

LUSA/HN

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