Mais de metade das crianças dos 10 aos 17 anos na UE não têm vacinação completa

8 de Fevereiro 2022

Mais de metade das crianças dos 10 aos 17 anos na União Europeia ainda não têm vacinação completa contra a Covid-19, divulgou esta terça-feira o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, admitindo doses de reforço para estas idades.

Num relatório hoje publicado sobre a vacinação contra a Covid-19, cerca de seis meses após o início da administração de vacinas aos adolescentes na União Europeia e Espaço Económico Europeu (UE/EEE), o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa) aponta que “mais de metade dos adolescentes dos 10 aos 17 anos de idade ainda não completaram um curso primário” de vacinação, embora exista “um nível muito elevado de proteção contra infeções, doenças sintomáticas e doenças graves” nesta faixa etária.

Dados da agência europeia revelam que até ao final de janeiro “a utilização mediana do curso primário da vacina entre adolescentes com idades compreendidas entre os 15 e os 17 anos foi de 70,9% – com um intervalo de 17,9% a 92,6% conforme os países – e entre os 10 e os 14 anos de idade foi de 34,8% – com um intervalo de 3% a 63,8% -, com ampla heterogeneidade entre os países”.

A vacinação contra a Covid-19 de adolescentes arrancou no verão de 2021 na UE/EEE, cerca de seis meses após a introdução das vacinas para a população adulta.

De momento, todos os países da UE/EEE recomendam a vacinação contra a Covid-19 de adolescentes entre os 12 e os 17 anos de idade e, destes, 10 países também recomendam uma dose de reforço para menores de 18 anos.

Na UE, a dose de reforço está autorizada apenas para a população adulta, mas a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) já divulgou estar a avaliar um pedido do consórcio farmacêutico Pfizer/BioNTech para dose de reforço a adolescentes dos 16 aos 17 anos, prevendo solicitação semelhante para idades entre os 12 e os 15 anos.

Segundo a EMA, o seu Comité dos Medicamentos de Uso Humano irá analisar estes dados “de forma célere com o objetivo de chegar a uma opinião o mais rapidamente possível”.

No relatório de hoje, o ECDC também admite uma dose de reforço para esta faixa etária, apontando que “os resultados preliminares sugerem um aumento da eficácia da vacina contra a infeção por SARS-CoV-2 em adolescentes que receberam um reforço em comparação com adolescentes que completaram recentemente o curso de vacinação primária”.

Ainda assim, o ECDC aconselha os países europeus a que, ao considerarem a possibilidade de administrar uma dose de reforço aos adolescentes, tenham em conta “a situação epidemiológica, as prioridades e objetivos nacionais da campanha de vacinação anticovid-19, a administração da vacina e de doses adicionais em grupos prioritários e na população em geral, bem como a equidade e o fornecimento” do fármaco.

“Nesta fase, deve ainda ser dada prioridade à conclusão das séries primárias na população elegível [adulta] e à administração de doses de reforço aos grupos prioritários, antes de se considerar dar doses de reforço a adolescentes com idades entre os 12 e os 17 anos sem condições subjacentes”, sustenta o ECDC, aludindo à análise que está a ser feita pelo regulador da UE, a EMA.

A posição surge numa altura de elevado número de casos de infeção com o coronavírus SARS-CoV-2, principalmente devido à variante de preocupação altamente contagiosa Ómicron.

Sobre a propagação da doença, o ECDC adianta no relatório que o número de casos notificados entre crianças dos 12 aos 17 anos “aumentou constantemente desde julho de 2021, refletindo em grande parte o aumento da taxa de notificação observado em todos os grupos etários durante as vagas Delta e Ómicron”, sendo que o risco de internamento ou morte “continua a ser muito baixo”.

LUSA/HN

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