Curry Cabral assinala 2 anos do primeiro caso com homenagem a profissionais e doentes

4 de Março 2022

 Pinturas de mãos que simbolizam os doentes com Covid-19 assistidos no Hospital Curry Cabral e 11 árvores, tantas quanto as classes profissionais que os atenderam, marcaram esta quinta-feira o segundo aniversário da admissão do primeiro doente identificado em Lisboa.

Num espaço do Curry Cabral, médicos, enfermeiros, assistentes operacionais, técnicos, gestores, capelães, investigadores, informáticos, técnicos de diagnóstico e de saúde plantaram árvores diferentes em vasos que serão depois transplantadas para o futuro hospital, lembrando “o momento mais marcante da história destas gerações”, disse à Lusa Paulo Espiga, vogal do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC).

“O que tentamos foi agradecer às pessoas e agradecer de uma forma positiva e de futuro com árvores que são símbolo da vida e de esperança”, disse Paulo Espiga, contando que ao longo deste período foram internados no CHULC 5.600 doentes com Covid-19 e mais de 90 mil foram acompanhados em casa.

Além das árvores, um mural foi decorado pelos profissionais com mãos de várias cores que simbolizam a “o acolher, o cuidar” deste doentes.

“As mãos simbolizam esta simbiose entre os profissionais de saúde e os cidadãos que beneficiam de um Serviço Nacional de Saúde que não discrimina ninguém.”, salientou Paulo Espiga.

Profissionais de saúde recordaram emocionados como foram vividos estes dois anos que ficarão marcados na sua vida.

“Foram tempos árduos, difíceis, muito consumidores de todas as nossas energias”, disse António Panarra, médico internistas, que esteve na linha da frente do tratamento destes doentes.

Para o médico, este combate teve “um preço” que os profissionais vão pagar durante muitos anos, mas disse que agora é preciso foco no que vem a seguir.

“No que respeita à pandemia penso que são outros tempos, outras formas de pensar e de estar e teremos de repensar todas as nossas estratégias de funcionamento e tudo mais”, disse, considerando que agora “é uma guerra diferente, uma guerra nova”.

Mas as marcas deixadas “vão ser duradouras”, e são “sobretudo questões existenciais”.

“Não só no tipo de doença que vimos, nas pessoas que morreram, no sofrimento que trouxe para quem teve a doença e para quem lidou com ela. Este sofrimento deixa marca”, disse o médico.

“É um sofrimento e uma vivência dolorosa, sofrida, que tivemos de ter e faz parte de nós. É uma memória que não se apagará nunca”, confessou António Panarra.

Este sentimento é partilhado pela enfermeira Maria Inês Pereira que afirmou que “tudo mudou” na vida dos profissionais.

“No início, isto foi encarado, sobretudo, como um espírito de uma grande missão de dar resposta a um grande desafio, com um percurso de crescimento enorme e de aprendizagem, mas também de grande sacrifício a nível profissional e pessoal”, contou.

No final destes dois anos, disse, “olhamos para trás e acho que todos sentimos que já não somos os mesmos que éramos”.

“Foram momentos muito intensos. Houve coisas que vimos que eu nunca pensei que fosse ver ao longo de toda a minha vida, faz parte, mas certamente que vai deixar marcas”, referiu a Maria Inês.

Sobre o que mudou, disse que foi sobretudo “o espírito”: “Neste momento estamos todos muito cansados e já não encaramos isto com o mesmo espírito de missão que encarávamos inicialmente”.

Além disso, também se vive “um sentimento de grande desânimo” porque a expectativa geral era que a pandemia não fosse tão prolongada.

Fazendo um balanço destes dois anos, António Panarra disse que tiveram “uma resposta, a todos os níveis, excecional”.

“Agora que as coisas estão mais calmas virá ao de cima muitas das coisas que fomos abafando, escondendo ou até que não demos conta que estavam a acontecer connosco”, disse.

LUSA/HN

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