Estudo alerta para impacto emocional e psicológico da dermatite atópica

19 de Maio 2022

Um estudo realizado nos distritos do Porto e de Lisboa revelou que a Dermatite Atópica é responsável pela perda de “alegria, liberdade e experiências de vida” dos doentes.

O estudo “Viver com Dermatite Atópica em Portugal do ponto de vista psicossocial” foi desenvolvido pela Sanofi Portugal em parceria com a Associação Dermatite Atópica Portugal (ADERMAP). Os resultados apontam que a doença tirou “alegria”, “alguma liberdade” e “sono” aos doentes. “A maioria dos adultos teve uma narrativa mais elaborada, mais abrangente e mais negativa quanto às consequências da D.A referindo que esta doença lhes subtraiu experiências importantes de vida.”

Para Isabel Lourinho, psicóloga e autora do estudo, “estes dados são reveladores do impacto que a dermatite atópica moderada a grave tem nos doentes, nas famílias e nos cuidadores. É necessário, por isso, uma maior sensibilização e educação para a doença de forma a ultrapassar estigmas e barreiras sociais”.

O estudo demonstra que a maioria dos participantes adolescentes e adultos considera que são períodos vividos como “crises” e que são caracterizados por muita comichão, dor e feridas e que impactam significativamente em atividades básicas. Ambas as populações estabeleceram a associação entre estados emocionais negativos e o agravamento da sintomatologia de D.A.

O estudo abordou, por outro lado, junto dos participantes as oportunidades de intervenção para colmatar o impacto psicológico associado à dermatite atópica, tais como aumentar a informação e visibilidade da patologia e dos seus impactos na sociedade civil; combater o preconceito e o bullying através de ações dirigidas ao contexto escolar; disponibilizar apoio psicológico a quem vive com D.A. e aos seus cuidadores; ou aliviar o Impacto Social e Económico da D.A. nas pessoas e nas famílias.

Relativamente a estes dados, Joana Camilo, presidente da ADERMAP, considera que “não podemos ignorar as consequências emocionais, sociais e económicas da Dermatite Atópica. É fundamental uma abordagem multidisciplinar centrada na pessoa com D.A. moderada a grave de forma a minimizar o burden associado, além da promoção de um acesso equitativo aos tratamentos adequados e aos cuidados de saúde”.

O estudo foi desenvolvido com base numa metodologia de grupos focais onde foram incluídos homens e mulheres dos distritos do Porto e de Lisboa com idade superior a 18 anos e com diagnóstico médico de D.A. moderada e/ou grave, numa primeira fase. Já numa segunda abordagem, foram incluídos adolescentes de todo o país com idades compreendidas entre os 12 e 17 anos e com diagnóstico médico de D.A. moderada e/ou grave.

PR/HN/Vaishaly Camões

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Cerca de oito milhões de sul-africanos viviam com VIH em 2024

Cerca de oito milhões de sul-africanos viviam com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) em 2024, o número mais alto alguma vez registado, e cerca de 6,2 milhões estavam em tratamento, informou hoje a imprensa local.

Dia Mundial da Voz: o poder da voz na era digital

No Dia Mundial da Voz, celebrado a 16 de abril, a importância da saúde vocal e o papel da voz na era digital ganham destaque. Mais do que uma ferramenta biológica, a voz define identidades, conecta pessoas e impulsiona tecnologias como assistentes virtuais e reconhecimento de voz.

APDP realiza mais de 5 mil rastreios à diabetes tipo 1 em apenas 6 meses

A campanha “O Dedo Que Adivinha”, liderada pela APDP no âmbito do projeto europeu EDENT1FI, ultrapassou cinco mil rastreios de diabetes tipo 1 em crianças e jovens em Portugal. Em apenas seis meses, a iniciativa alcançou metade da meta nacional prevista para os próximos quatro anos.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights