SRCOM alerta que urgências em Aveiro funcionam “perigosamente” com recursos “muito insuficientes”

21 de Julho 2022

O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), Carlos Cortes, alertou para a falta de médicos no Hospital de Aveiro, afirmando que as Urgências estão a funcionar “perigosamente” com recursos “muito insuficientes”.

“Há aqui um conjunto de aspetos no hospital muito relacionados com os recursos humanos médicos que não garantem uma resposta de qualidade adequada para quem recorre à Urgência”, disse à Lusa Carlos Cortes.

Esta foi uma das principais conclusões de uma reunião promovida na última noite pela SRCOM em Aveiro para debater “os graves problemas existentes na prestação dos cuidados de saúde do distrito” e onde vários médicos expressaram a sua preocupação por uma “carência profunda” de recursos humanos no Hospital de Aveiro.

“No ano passado saíram perto de 20 médicos que rescindiram o contrato com o hospital e muitos médicos têm abandonado a formação médica. O trabalho é tão pesado que acabam por desistir, por não existirem condições para poderem aprender e tratarem os seus doentes”, explicou Carlos Cortes.

Segundo o mesmo responsável, o impacto mais visível desta falta de recursos é no serviço de Urgência onde “há uma grande dificuldade em assegurar escalas” e que está a funcionar “perigosamente com recursos muito insuficientes”.

Além da falta de especialistas na ginecologia/obstetrícia, que já obrigou a fechar várias vezes o atendimento na sua urgência, Carlos Cortes diz que se sentem dificuldades “gravíssimas” em outras especialidades como a medicina interna e cirurgia geral.

“Há falta de recursos e temos escalas com especialistas insuficientes no serviço de urgência, com turnos com um único médico especialista de medicina interna e turnos frequentes com dois especialistas de cirurgia”, observou o mesmo responsável.

O presidente do SRCOM adiantou ainda que o facto de haver uma “grande pressão” sobre a urgência, acaba por prejudicar “muita da atividade assistencial”, nomeadamente em consultas e cirurgias, porque os médicos “têm de estar a fazer urgência”.

Outro dos problemas referido na reunião foi o facto de haver mais de 35 mil utentes sem médico de família na área do Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo-Vouga, uma situação que segundo Carlos Cortes, “também agrava o problema do hospital, porque as pessoas não tendo médico de família acabam por ter de recorrer ao serviço de Urgência do Hospital”.

O presidente da SRCOM defendeu que é preciso o Ministério da Saúde acautelar esta situação dando condições para os médicos se poderem fixar no hospital e nos centros de saúde.

A SRCOM vai fazer um relatório com os vários problemas do distrito e propostas de resolução para entregar ao Conselho de administração do Hospital de Aveiro, à Administração Regional de Saúde do Centro e ao Ministério da Saúde.

LUSA/HN

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