Menos de 30% dos países africanos têm políticas de saúde mental infantil

10 de Outubro 2022

Apenas 29% dos países em África, onde mais de metade da população tem menos de 24 anos de idade, têm políticas de saúde mental para crianças e adolescentes, alertaram esta segunda-feira as Nações Unidas.

“O maior desafio à prestação adequada de serviços de saúde mental em África é o investimento cronicamente baixo dos governos”, afirmou a diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS) para África, Matshidiso Moeti, numa declaração relativa ao Dia Mundial da Saúde Mental, que se assinala hoje, 10 de outubro.

“O sofrimento psicológico em que centenas de milhares de crianças e pais vivem em todo o continente tem um forte impacto nos indivíduos e, por extensão, no bem-estar e desenvolvimento das sociedades”, alertou Mohamed Malick Fall, diretor regional para a África Oriental e Austral do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), na mesma declaração.

Segundo as Nações Unidas, África conta com menos de um profissional na área da saúde mental infantil (0,2) e com menos de dois (1,6) especialistas em saúde mental de adultos por cada 100 mil habitantes, apesar do registo de quase 37 milhões de adolescentes (com idades compreendidas entre os 10 e 19 anos) com perturbações mentais no continente e de uma em cada quatro crianças viverem com um dos pais que sofre de perturbações mentais.

A organização registou também um aumento no consumo de álcool entre os jovens, algo que “pode estar ligado a problemas de saúde mental”.

Mais de 80% dos consumidores de álcool entre os 15 e 19 anos de idade em Angola, República Centro-Africana (RCA), República do Congo, República Democrática do Congo (RDCongo), Guiné Equatorial e Gabão consomem pontualmente grandes quantidades de álcool.

Por outro lado, África é a região com a maior taxa de mortes por suicídio no mundo, advertiu a OMS na semana passada.

Cerca de onze pessoas em cada 100 mil morrem anualmente por suicídio em África, acima da média global de nove por 100 mil pessoas, e o continente alberga seis dos dez países com as taxas de suicídio mais altas no mundo.

A situação é atribuída, em parte, a uma ação insuficiente na abordagem e prevenção dos fatores de risco, incluindo as condições de saúde mental que afetam atualmente 116 milhões de pessoas, número que compara com 53 milhões em 1990.

Os ministros da Saúde africanos aprovaram em agosto passado uma estratégia para reforçar os cuidados de saúde mental e estabelecer diversos objetivos a alcançar até 2030, incluindo o da elaboração de uma política ou legislação sobre saúde mental em todos países do continente.

LUSA/HN

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