Pedro Correia Azevedo: “Espero que estas Jornadas chamem a atenção para a prevenção de complicações e abordagem precoce de patologias maternas na gravidez”

A propósito das 3.ªs Jornadas do Núcleo de Estudos de Medicina Obstétrica (NEMO), que se irão realizar nos dias 4 e 5 de novembro, no VIP Executive Entrecampos Hotel & Conference, em Lisboa, Pedro Correia Azevedo levanta a ponta do véu, revelando alguns dos temas que estarão em destaque.

O coordenador do NEMO aproveitou, ainda, para indicar que este encontro irá permitir “rever a abordagem de síndromes médicas maternas na gravidez e destacar o papel da interdisciplinaridade na abordagem da mulher grávida e da puérpera”.

Healthnews (HN) – “Gravidez em estado de alerta”. Porquê a escolha deste tema para as 3.ªs Jornadas do Núcleo de Estudos de Medicina Obstétrica?

Pedro Correia Azevedo (PCA) – A gravidez é um momento muito importante no que toca à promoção e à educação para a saúde. Existe uma motivação extraordinária relacionada com o nascimento do futuro bebé. Por este motivo, a gravidez é um estado de alerta constante. Por outro lado, com a acuidade diagnóstica que hoje temos disponível e com as gestações cada vez mais tardias na idade materna, assistimos a um conjunto de patologias médicas durante a gravidez que são autênticos desafios diagnósticos. A interdisciplinaridade entre saberes médicos faz assim todo o sentido para estarmos alerta durante a gravidez, tratando patologias e prevenindo complicações.

HN – Quais os objetivos principais destas Jornadas?

PCA – Os objetivos destas jornadas são rever a abordagem de síndromes médicas maternas na gravidez e destacar o papel da interdisciplinaridade na abordagem da mulher grávida que tem o obstetra assistente como pivô. Pretende-se destacar o papel da Medicina Interna na abordagem destas doentes. A divulgação científica é também um dos objetivos, sendo que as dezenas de trabalhos submetidos são de elevada qualidade.

HN – Quais os critérios para a escolha dos temas que vão compor os dois dias destas Jornadas?

PCA – Na escolha dos temas houve a preocupação em abordar vários assuntos, desde patologia crónica prévia à gestação e patologia aguda da gravidez e puerpério, onde a Medicina Interna tem espaço de atuação em conjunto com os obstetras assistentes e também com os médicos de Medicina Geral e Familiar. Houve a preocupação de incluir temas como a Diabetes com prevalência reconhecida, mas também a Saúde Mental com condições tantas vezes subdiagnosticadas. Pela dificuldade e complexidade na gestão clínica, os temas da Patologia Neurológica, da Patologia Respiratória e da Hipocoagulação na gravidez serão também abordados. Teremos, ainda, uma palestrante sobre Segurança Farmacológica na Gravidez com a participação do INFARMED. Falaremos ainda sobre Fertilidade, Doença Médica e Gravidez numa encruzilhada entre as causas para a redução da fertilidade e as complicações médicas da reprodução medicamente assistida. Com o objetivo de discutir alguns mitos e sistematizar conhecimento, teremos uma mesa sobre Exames de Imagem na Gravidez. As Jornadas terminarão com uma Sessão Aberta ao Público sobre Tabagismo, Outras Adições e Gravidez, com a participação de médicos especialistas em Medicina Interna, Obstetrícia, Medicina Geral e Familiar e Psiquiatria.

HN – Atualmente, quais as principais preocupações a ter durante a gravidez?
PCA – Em Portugal, as mulheres cada vez engravidam mais tarde, existindo cada vez mais potencial para patologia crónica associada à gestação, nomeadamente com aumento do risco cardiovascular. Por outro lado, independentemente da idade, os avanços da ciência permitem que mulheres com patologias crónicas possam ter gestações bem-sucedidas. Estas situações colocam-nos desafios diagnósticos e farmacológicos, com a segurança farmacológica na gravidez sendo uma preocupação constante na gestão das patologias médicas associadas – nesta área a hipocoagulação e o tromboembolismo venoso são incontornáveis. Além disso, os temas da Saúde Mental são de capital importância – é urgente falar abertamente sobre depressão, ansiedade, comportamento alimentar, psicoterapia e ajuste a uma nova realidade.

HN – Quais as patologias que mais preocupam os profissionais de saúde?
PCA – Todas as patologias médicas maternas da gravidez são uma preocupação, contudo, a tónica deve ser aplicada na prevenção de complicações e no planeamento da gestação. As mulheres com patologias crónicas, nomeadamente Diabetes, devem pugnar por um controlo adequado da sua doença de base antes da conceção. Por outro lado, as mulheres que desenvolvem patologia aguda na gravidez devem ter assistência atempada e adequada o mais precocemente possível.

HN – De todas as sessões, qual a que considera mais pertinente/ não poderia deixar
PCA – Destaco as mesas de Hipocoagulação na Gravidez e Patologia Psiquiátrica na Gravidez. Dou destaque à palestra Perturbações Alimentares e Obesidade na Gravidez.

HN – Pode indicar alguns dos nomes que irão estar presentes?

PCA – Na área da Diabetes teremos a Dr.ª Joana Louro e a Dr.ª Sofia Mateus, duas internistas reconhecidas e dedicadas à diabetes. Na área da Saúde Mental contaremos com a participação da Dr.ª Dulce Bouça, psiquiatra dedicada à área do comportamento alimentar, entre outros colegas psiquiatras e uma psicóloga. Contaremos com a participação de vários obstetras, desde logo a Prof. Doutora Ana Campos (antiga diretora da Obstetrícia da MAC). De referir ainda contribuições de colegas de Medicina Geral e Familiar e de Radiologia. Destaco ainda a sempre pertinente contribuição da Dr.ª Augusta Borges (a primeira internista dedicada a tempo inteiro à Medicina Obstétrica).

HN – O que é que as Jornadas pretendem acrescentar a todos os participantes?
PCA – Pretendemos chamar a atenção para a prevenção de complicações e abordagem precoce de patologias maternas na gravidez. Conseguiremos assim deixar todos em alerta para uma gravidez com bom resultado.

AS/MM/HN

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