Presidente do Governo dos Açores defende sistema de cooperação na Saúde

22 de Outubro 2022

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu a necessidade de “assegurar” um sistema de cooperação na acessibilidade aos cuidados básicos de saúde em todas as ilhas.

“Estou a falar em São Miguel, no município da Lagoa, numa magnífica oferta de cuidados de saúde hospitalares [Hospital Internacional dos Açores], mas não posso esquecer, enquanto governante responsável dos Açores, as outras ilhas, que não têm esta oferta, a necessidade de assegurar um sistema de cooperação na acessibilidade aos cuidados primários de saúde, mas igualmente, de forma diferenciada, aos residentes nas outras parcelas aos cuidados de especialidade”, afirmou José Manuel Bolieiro.

Por isso, acrescentou, “é preciso também ter esta como uma ‘key note’ essencial de uma politica pública e estratégica, que é um verdadeiro desafio que pode ser melhor ultrapassado com a dedicação” dos profissionais de saúde, mas igualmente com “as novas tecnologias e adequadas políticas públicas para o seu desenvolvimento”.

O chefe do executivo açoriano falava na cidade da Lagoa, na ilha de São Miguel, na abertura do congresso internacional promovido pelo Hospital Internacional dos Açores (HIA) sobre os desafios que se colocam à Saúde nos Açores e que conta com a presença do prémio Nobel da Medicina, Craig Mello, de origem açoriana.

José Manuel Bolieiro lembrou ainda que o Governo Regional “colocou no elenco das suas prioridades governativas a Saúde como grande referência”, tendo disponibilizado um quarto do Orçamento da região de 2023 para o setor.

O líder do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) disse também ser sua “profunda convicção que é um dever do Estado, nos Açores um dever da região autónoma, garantir uma oferta pública de serviço e de cuidados de saúde”.

Contudo, acrescentou, “a responsabilidade da oferta pública dos cuidados de saúde não esgota uma ideia estratégica que é a complementaridade entre a oferta social, a privada e do Serviço Regional de Saúde”, pois é desta forma que “se pode potenciar a escassez de recursos em todo o lado”.

Na sua intervenção, José Manuel Bolieiro defendeu também a necessidade de “todos combaterem a redução dos tempos máximos de resposta garantida” aos utentes que queiram ter acesso aos cuidados de saúde, bem como de apostar na formação dos recursos humanos e na transição digital.

LUSA/HN

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