Victor Ramos: Esforços de “liderança conectiva” da Fundação Para a Saúde – SNS chegam à Invicta

28 de Janeiro 2023

A Fundação Para a Saúde – Serviço Nacional de Saúde dá mais um passo este ano para contribuir para a transformação do sistema público de saúde, envolvendo a sociedade civil, ouvindo profissionais com décadas de experiência e com diferentes ideias entre si, como manda a democracia.

Uma “sociedade democrática evoluída” tem a rotatividade na sua génese, “e isso é bom”, mas, para o presidente da Fundação Para a Saúde – Serviço Nacional de Saúde (FSNS), Victor Ramos, as “muitas descontinuidades por causa dos ciclos políticos curtos, e mesmo dentro do mesmo ciclo”, neste sistema “que é o melhor que há”, podem também ser um entrave. É preciso, portanto, “uma base” que, “por detrás das mudanças circunstanciais”, assegure “continuidade”, “para não andarmos um pouco aos ziguezagues”.

E é preciso envolver a sociedade civil nos acertos e nos progressos, defende a FSNS. Isso implica unir um grupo alargado de pessoas com perspetivas e ideias diferentes. “A conectividade é um conceito muito familiar no mundo digital, nas telecomunicações, mas fraca nas organizações e nos sistemas sociais, o que até é uma coisa estranha”, disse ao HealthNews Victor Ramos, numa conversa sobre os esforços de “liderança conectiva” da FSNS através do projeto “Transformar o SNS”, que elaborou um conjunto de teses para a mudança. “O que nós estamos a fazer é juntar, conectar (…), que é fundamental nestes processos transformativos em sistemas complexos”, explicou.

As teses foram explicadas em artigos e entrevistas do Diário de Notícias, em 2022. “O ano de 2022 foi de pensamento coletivo alargado.” Este ano, em fevereiro, arranca uma nova fase da reflexão que começou em 2019. Nesse ano, a FSNS publicou o livro “Serviço Nacional de Saúde – Breve interpretação e Linhas para a sua Transformação”, um “contributo da Fundação SNS para a mudança que se impõe e que nos permitirá honrar a história coletiva”, lê-se na obra.

Agora, pretende-se transitar do pensamento para “uma maior mobilização”, partindo do Porto, no dia 11 de fevereiro, com maior enfoque na primeira tese: a gestão da mudança. Ou seja, “como conduzir um processo de mudança no SNS”, acrescentou Victor Ramos. Para tal, serão vários os contributos “de personalidades com ângulos de abordagem diferentes”. “E nós precisamos disso, de conseguir combinar pontos de vista, experiências, sensibilidades, por ângulos diversos. Porque nós somos limitados. Qualquer ser humano, por mais genial que seja, por mais Nobel ganhos, é sempre muito limitado. Portanto, o desafio que se coloca nas democracias mais complexas (…) é conseguir juntar a grande abrangência de conhecimentos, saberes e pontos de vista.”

Sobre as autarquias, que também estarão em debate no próximo evento, Victor Ramos comentou: “Tem que se perceber o que é que representam as autarquias numa sociedade democrática e qual é o seu papel. Não é meramente a questão da municipalização, aquelas coisas que estão a ser debatidas. As autarquias sempre tiveram um papel absolutamente crítico no desenvolvimento e na promoção da saúde. (…) O papel das autarquias é de uma grande abrangência e as autarquias conseguem fazer a chamada intersetorialidade, que é absolutamente crítica para a saúde.”

“Em relação ao processo de produção da saúde, isto é, aquilo que produz saúde numa comunidade, apenas 20% é determinado pelos serviços de saúde. Os restantes 80% são determinados por fatores que estão fora do sistema da saúde, em sentido restrito. Muitos deles inserem-se nas áreas de responsabilidade em que as autarquias sempre deram e darão contributos decisivos”, continuou Victor Ramos.

A conferência “Estados Gerais sobre Saúde – Salvaguardar e Transformar o SNS”, no Salão Nobre do Complexo ICBAS/FFUP, também conta com a participação de “atores orgânicos no terreno, as organizações, quer profissionais quer científicas, quer de utentes quer de cuidadores, que também dão o seu contributo, da sua expectativa, da sua proposta”. “Até estamos a pedir a cada uma que escolha uma chave-mestra com potencial transformador, que queira destacar em especial”, revelou o médico.

A tarde será dedicada a destacar e analisar exemplos transformadores ou com potencial transformador que decorrem ou decorreram na realidade local/regional – “e isto acontecerá em todas as conferências seguintes”. Nesta primeira, serão dados os exemplos: “do percurso da Unidade Local de Saúde de Matosinhos; do bem conhecido e mediático exemplo do Hospital de São João; da primeira e única experiência/tentativa no país de descentralizar, autonomizar e transformar a gestão ao nível dos cuidados de saúde primários e alguns notáveis e relativamente continuados exemplos de planeamento e intervenções estratégicos em saúde/saúde pública na região Norte, nas últimas décadas”.

A segunda conferência será em Évora. “Mais adiante falaremos.”

HN/Rita Antunes

1 Comment

  1. maria isolina Brites

    Acredito acima de tudo no trabalho destas pessoas!!

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