PSD vê demissões no S. Francisco Xavier como sintoma de “problema de fundo” na saúde

14 de Março 2023

O PSD classificou esta segunda-feira as demissões registadas no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, como um “sintoma de um problema de fundo” no setor da saúde e de “degradação generalizada” dos serviços públicos.

“Se há um setor mais óbvio em que o Estado está a fraquejar é na área da saúde. É com muita preocupação que vemos que o Estado não está a ter condições de responder aos problemas, mas a saúde não é uma exceção, é um sintoma da degradação generalizada dos serviços públicos”, lamentou o dirigente do PSD Pedro Duarte.

No final de reuniões da direção social-democrata, na sede nacional do partido, o presidente do Conselho Estratégico Nacional do PSD foi questionado sobre a notícia, conhecida ontem à tarde, de que os chefes de equipa de urgência de Medicina Interna do Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, apresentaram a demissão em bloco numa carta enviada ao conselho de administração, criticando a falta de soluções para os problemas do serviço.

“Quem nos dera que fosse um problema só localizado ali. Este acumular de situações demonstra que há um problema de fundo e não de gestão de determinada unidade hospitalar (…) O problema estrutural da nossa saúde não está a ser enfrentado”, criticou Pedro Duarte.

Na carta assinada por 16 assistentes hospitalares de Medicina Interna do Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLO), a que a agência Lusa teve acesso, os médicos afirmam que a crise que o Serviço de Urgência Geral (SUG) vive “é antiga e tem vindo a agravar-se nos últimos anos”.

No entanto, perante o agravamento dos problemas, “com impacto na prestação de cuidados de excelência aos doentes que recorrem a este serviço, e tendo em conta a inércia” da direção da urgência e da administração do centro hospitalar, os signatários da carta apresentam a sua demissão em bloco das funções de chefia e subchefia das equipas de Medicina Interna do Serviço de Urgência Geral, com efeito a partir de quarta-feira.

Em julho do ano passado, a grande maioria dos subscritores anunciou a demissão por considerar que não estava devidamente assegurada a equipa para garantir a escala do mês de agosto.

Os médicos afirmam na carta, ontem enviada também para a Ordem dos Médicos e sindicatos, que foram iniciadas na altura negociações com o atual conselho de administração com “o intuito de encontrar soluções que colmatassem as insuficiências denunciadas”.

“Nos últimos sete meses, apesar da disponibilidade do grupo de Assistentes Hospitalares (AH) de Medicina Interna para colaborar com a instituição que representa, nenhuma mudança estrutural foi proposta ou executada, pelo que o problema que motivou a comunicação prévia agravou-se, tal como antecipado”, afirmam os especialistas na carta enviada.

LUSA/HN

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