Administração do CHTMAD garante que número de médicos cresce todos os anos

16 de Maio 2023

O número de médicos “tem crescido” todos os anos no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), garantiu um vogal do conselho de administração, depois de um alerta para a saída de clínicos daquela unidade.

“Globalmente temos mais médicos do que os que tínhamos. O número de médicos tem crescido todos os anos”, afirmou Fernando Alves, que falava aos jornalistas, em Chaves, após a Ordem dos Médicos de Vila Real ter alertado para a saída de 43 médicos no CHTMAD, desde agosto de 2022, “27 dos quais por rescisão de contrato”.

O vogal do conselho de administração para a área financeira disse que o número avançado pela Ordem não contempla os médicos que se reformaram, mas continuaram a trabalhar com o centro hospitalar, nem os que já foram contratados.

Nas suas contas, saíram 42 médicos, seis dos quais continuaram, no entanto, a trabalhar, e foram, entretanto, contratados 38 e mais 12 vão assinar contrato “brevemente”.

“Ainda na semana passada autorizei quatro contratações, porque a comissão executiva também nos permite isso. Ou seja, todos os médicos que acabam aqui a especialidade e querem ficar connosco, nós contratamos. Claro que não podemos obrigar ninguém a nada, mas há muitas especialidades onde nós somos altamente atrativos”, salientou.

Reconheceu, no entanto, que fica “preocupado” com cada médico que sai.

Com cerca de 3.500 funcionários, a massa salarial do centro hospitalar representou 112 milhões de euros em 2022.

Nos últimos tempos, partidos, sindicatos e até a Ordem dos Médicos têm alertado para a situação de indefinição com a falta de nomeação de um novo conselho de administração para o CHTMAD.

A ainda em funções administração do CHTMAD terminou o mandato já em dezembro de 2021 e, no início deste ano, a presidente do órgão, Rita Castanheira, pediu a renúncia do cargo que ocupava desde julho de 2019. O centro hospitalar, que se mantém em funções com três dos cinco elementos do conselho de administração, está também sem direção clínica desde agosto de 2022.

“Não há nenhuma decisão adiada por falta de conselho de administração”, garantiu Fernando Alves, relembrando as contratações feitas na semana passada.

O centro hospitalar, sublinhou, “continua a ser gerido”.

“Nunca houve nenhum doente que ficasse por tratar quer por falta de meios, quer por falta de recursos humanos, quer por falta de medicamentos, quer por falta de outra coisa qualquer, porque o aprovisionamento, as instalações e equipamentos, a hotelaria, os financeiros funcionam, cada um tem o seu diretor que, identificado, com quem está na administração faz o seu trabalho diariamente”, salientou.

Quanto à falta de diretor clínico disse que, na sua opinião, os diretores de serviço são “os elementos mais importantes de um hospital”.

“Porque eles é que dirigem diretamente os médicos e outros profissionais no seu serviço e estão todos irmanados com o projeto, a puxar para os serviços deles e a fazerem o seu trabalho”, justificou, embora admita, “claro, que o diretor clínico faz fala”.

Fernando Alves falava aos jornalistas à margem de uma visita ao Hospital de Chaves por parte dos três deputados do PS eleitos pelo círculo eleitoral de Vila Real e do presidente da Câmara de Chaves.

Numa carta aberta, divulgada na segunda-feira, a Sub-Região de Vila Real da Ordem dos Médicos pediu aos deputados eleitos por Vila Real e Viseu ajuda na adoção de medidas para mitigar a situação de indefinição no CHTMAD.

A deputada socialista Fátima Correia Pinto disse que os parlamentares podem fazer “pressão” junto do Ministério da Saúde para que a situação se “resolva o mais depressa possível”.

“O que nos preocupa mais é que os serviços estejam a funcionar e que não sejam descurados os tratamentos aos utentes. Por aquilo que nos é transmitido isso não está a ser descurado, muito pelo contrário, o investimento é cada vez maior e, portanto, os diretores de serviços e os adjuntos da direção clínica têm tido aqui um importante papel para que sejam assegurados todos os tratamentos a todos os utentes. Isso é o que mais nos preocupa, mas claro que tem que ser encontrada uma solução a breve trecho”, frisou.

O centro hospitalar agrega os hospitais de Vila Real, Chaves e Lamego e a unidade de cuidados paliativos em Vila Pouca de Aguiar.

LUSA/HN

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