Falta de médicos motiva protesto na reunião da Câmara de Leiria

14 de Novembro 2023

O movimento cívico “seMédico Milagres” vai marcar presença na reunião descentralizada da Câmara de Leiria para alertar para falta de médicos, disse à agência Lusa o porta-voz da iniciativa.

“Desde março que não existem médicos de família. Desde então, o serviço está a ser assegurado por dois médicos através de consultas abertas”, revelou José Vale.

Segundo o porta-voz do movimento cívico “seMédico Milagres”, a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados Flor do Liz, que integra os polos de saúde das freguesias da Bidoeira, Milagres, Regueira de Pontes e Souto da Carpalhosa, em Leiria, dá resposta a 11 mil utentes.

“As pessoas estão a comprar os medicamentos sem comparticipação e deveriam ter apoios por isso”, afirmou, acrescentando que a população vai marcar presença na reunião para mostrar “desagrado e pedir ajuda às entidades que governam” a Saúde no concelho.

Após a primeira manifestação que o movimento realizou, em setembro, foi enviado um abaixo-assinado para a Administração Regional de Saúde do Centro.

“Desta vez, vamos enviar um abaixo-assinado para o Agrupamento de Centros de Saúde Pinhal Litoral”.

O porta-voz, membro da Assembleia de Freguesia de Milagres (independente apoiado pelo Chega), acrescentou que vai questionar o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes (PS), sobre o que vai acontecer ao centro de saúde com a criação da Unidade Local de Saúde.

“Temos visto outros centros de saúde a fechar, pelo que queremos saber o que vai acontecer nos Milagres com a nova estrutura”, reforçou.

Numa informação enviada à Lusa, a população revelou que pretende “gritar por socorro (…) devido ao desespero essencialmente com a falta de prescrição de exames e análises”.

“Existem utentes com pedidos de prescrições de exames desde agosto, sem resultado. [Em setembro], um grupo de pessoas juntou-se para que se lutasse em prol de cinco mil utentes que se encontram sem médico de família”.

Através do documento, acrescenta-se que a população tem lutado para que os médicos aceitem as vagas em aberto deixadas pelos dois médicos, atualmente reformados.

“Queremos com isto fazer pressão no mesmo sentido, para que esta situação tenha um término breve, pois já se arrasta há mais de três meses”.

O Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Litoral (concelhos da Batalha, Leiria, Marinha Grande, Pombal e Porto de Mós) perdeu 25 médicos nos cuidados de saúde primários desde o início do ano, tendo-se registado a entrada de 10 clínicos, disse, em 26 de julho, o diretor executivo, Marco Neves.

LUSA/HN

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