Prémios Pfizer 2023 distinguem trabalhos sobre covid-19 e doença de Parkinson

15 de Novembro 2023

Os Prémios Pfizer 2023 distinguem os cientistas Luís Graça, pelo seu trabalho sobre a imunização contra a covid-19, e Sandra Morais Cardoso e Nuno Empadinhas, pela investigação sobre a correlação da doença de Parkinson com a saúde intestinal.

O anúncio foi feito hoje em comunicado pela farmacêutica Pfizer e pela Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, que coorganizam os prémios, atribuídos nas categorias de investigação básica e clínica e que totalizam 60 mil euros.

O imunologista Luís Graça, que coordena a comissão técnica de vacinação contra a covid-19 e trabalha no Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, em Lisboa, foi distinguido na categoria de investigação clínica, enquanto Sandra Morais Cardoso e Nuno Empadinhas, da Universidade de Coimbra, na categoria de investigação básica.

A equipa de Luís Graça comprovou num estudo que as pessoas vacinadas contra a covid-19 e são infetadas “adquirem uma maior proteção contra uma possível reinfeção”, sendo o “efeito maior” quando a infeção é causada por uma subvariante da variante Ómicron do coronavírus SARS-CoV-2.

A proteção adquirida “decai progressivamente”, mas, passados oito meses, continua “bastante robusta”, segundo o imunologista, citado em comunicado, que acrescenta que os dados obtidos permitiram fazer recomendações quanto à necessidade e o momento mais adequado para administrar doses de reforço da vacina.

O grupo de investigação liderado por Sandra Morais Cardoso e Nuno Empadinhas, que trabalham no Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, sugere que o aparecimento e a progressão da doença neurodegenerativa de Parkinson, que afeta os movimentos e cujos doentes apresentam sintomas gastrointestinais muito antes, podem estar associados a alterações no microbioma intestinal (comunidade de microrganismos, como bactérias, que habitam no intestino).

Num estudo feito com ratinhos, Sandra Morais Cardoso e Nuno Empadinhas verificaram que, “quando ingerida de forma crónica”, a toxina BMAA, que se pode acumular em bivalves, mariscos e peixes, mas cujas concentrações não são monitorizadas pelas autoridades de saúde pública, “altera o microbioma intestinal, desencadeando um processo neurodegenerativo compatível com a doença de Parkinson”.

Os Prémios Pfizer são considerados os mais antigos galardões atribuídos em Portugal na área da investigação biomédica, sendo financiados pela farmacêutica Pfizer e indicados por um júri nomeado pela Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa.

LUSA/HN

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