Marcelo promulga diploma que aprova a carreira especial de técnico auxiliar de saúde

17 de Dezembro 2023

O Presidente da República promulgou este sábado o diploma do Governo que  aprova a carreira especial de técnico auxiliar de saúde. Profissionais do setor pedem mais

Em reação, a APTAS – Associação Profissional dos Técnicos Auxiliares de Saúde, que se tem vindo a bater há 16 anos por esta medida, congratula-se com esta decisão, ainda que sublinhe que o diploma do governo ficou aquém das expetativas deste grupo profissional, ainda que o objetivo principal foi alcançado.

Para o próximo Governo, a APTAS pede a retificação de alguns pontos do documento. Desde logo, que a carreira dos Técnicos Auxiliares de Saúde não pode ser considerada pelo grau de complexidade 1, como está na proposta do governo, mas sim do grau 2, “pois além do trabalho exigente que o é, exige conhecimentos quer teóricos como práticos complexos, e de extrema importância para a prática desta profissão”, explica.

Por outro lado, a APTAS defende que .a Carreira tem de estar enquadrada e fundada num pressuposto hierárquico, em que a sua representatividade seja assegurada por um Técnico Auxiliar de Saúde Coordenador. Só desta forma, dizem, os profissionais se sentirão representados ao mais alto nível nos conselhos de administração.

A Associação que representa os Técnicos Auxiliares de Saúde defende também que “a tabela de remuneração tem de justificar e valorizar a exigência da profissão, só assim poderemos fixar profissionais nesta tão nobre profissão”, lê-se no comunicado enviado às redações.

Finalmente, a APTAS propõe que a profissão seja considerada como uma profissão de risco, desgaste rápido e insalubridade e que deve ser regulada por um código deontológico, “visto que trabalhamos com pessoas e até muitas vezes os dados pessoais e clínicos dos utentes / doentes”.

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Cuidados continuados integrados: o desafio da fragmentação em Portugal

A prestação de cuidados continuados em Portugal caracteriza-se pela fragmentação entre serviços de saúde e sociais, criando lacunas na assistência a idosos e pessoas com dependência. A falta de coordenação entre os diferentes níveis de cuidados resulta em transições inadequadas e sobrecarga para as famílias

Cuidados Paliativos em Portugal: Cobertura Insuficiente para uma População que Envelhece

Portugal enfrenta uma lacuna crítica nos cuidados paliativos. Com uma população envelhecida e uma vaga de doenças crónicas, milhares terminam a vida em sofrimento, sem acesso a apoio especializado. A cobertura é um retalho, o interior é um deserto de cuidados e as famílias carregam sozinhas o peso de um fim de vida sem dignidade

O Paradoxo Português: Mais Médicos Não Significa Melhor Saúde

Portugal supera a média da OCDE em número de médicos, uma vantagem que esconde uma fragilidade crítica. A escassez persistente de enfermeiros compromete a eficácia dos cuidados, sobrecarrega o sistema e expõe um desequilíbrio perigoso na equipa de saúde nacional

Prescrição segura em Portugal: antibióticos e opioides ainda acima das melhores práticas internacionais

Portugal mantém níveis de prescrição de antibióticos nos cuidados primários superiores à média da OCDE, um padrão partilhado com outros países do sul da Europa. Este uso excessivo, aliado a uma tendência crescente para opioides, alerta para riscos de resistência antimicrobiana e dependência, exigindo uma estratégia nacional concertada para mudar práticas clínicas e culturais profundamente enraizadas

Prevenção em Saúde: A Cura que Portugal Ignora

Apenas 3% da despesa em saúde em Portugal é canalizada para a prevenção. Este investimento residual, estagnado há uma década, condena o sistema nacional a um ciclo vicioso de tratamentos caros e reativos. Enquanto isso, países como a Finlândia e o Canadá demonstram que priorizar a prevenção é a estratégia mais inteligente e económica para travar o tsunami das doenças crónicas

Inovação em Saúde Portuguesa: O Labirinto Burocrático que Prende o Futuro

O relatório “Health at a Glance 2025” da OCDE expõe uma contradição gritante em Portugal: apesar de uma investigação robusta e profissionais qualificados, a inovação em saúde enfrenta anos de entraves burocráticos, deixando os doentes à espera de terapias já disponíveis noutros países e travando a modernização do SNS

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights