Susana Costa/Médicos em Luta: “Pseudo atualização de salários” foi “uma fraude”

19 de Abril 2024

Defensor do Serviço Nacional de Saúde, o grupo Médicos em Luta permanece “vigilante” e aguarda “pelo resultado das reuniões que o novo executivo vai encetar com os sindicatos”. Susana Costa, porta-voz, disse hoje ao HealthNews: “Tenho esperança no novo executivo”.

“O grupo dos Médicos em Luta é, fundamentalmente, um grupo defensor do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Os Médicos em Luta continuam a apelar à melhoria das condições de trabalho e à fixação dos médicos no SNS. Há muito trabalho a fazer. Estamos muito esperançosos de que o novo executivo compreenda e seja também um defensor do SNS e da acessibilidade dos portugueses aos cuidados de saúde. Sabemos que há reestruturações que são necessárias e acreditamos que o executivo também tenha a perceção de que é necessário, efetivamente, fazer essas alterações. Temos a expectativa de que o novo ministério, e a nova ministra, que já foi presidente do conselho de administração de um grande centro hospitalar português, tenha a perceção clara de quais são as necessidades dos hospitais”, referiu Susana Costa.

Durante a nossa conversa, a cirurgiã geral insistiu, como “António Arnaut também dizia”, que “o valor do Serviço Nacional de Saúde são os seus profissionais”. São os “agentes da economia” e os “agentes de qualidade”. Nesta fase, “aquilo que é realmente importante é criarem-se as condições para reter e sobretudo motivar os profissionais de saúde, sobretudo os médicos, porque são os médicos que trazem novos projetos, são os médicos que se diferenciam em novas técnicas de terapêutica, são os médicos que vão sempre além daquilo que é a sua descrição de funções. É graças a esta classe profissional que há uma evolução muito significativa em várias áreas da saúde. E, portanto, é preciso motivar, é preciso reter e é preciso continuar a evoluir em termos de qualidade na saúde”, defendeu Susana Costa.

No novo ciclo político, as medidas defendidas pelos Médicos em Luta mantêm-se: redução da jornada de trabalho para as 35 horas semanais “à semelhança de todos os outros profissionais da função pública”; redução do tempo de urgência semanal obrigatório de 18 para 12 horas, “porque os serviços não sobrevivem se os médicos estiverem tanto tempo ausentes (…) para fazerem urgência”; e, “sobretudo, a reposição daquilo que foi a nossa perda brutal em termos de salário”.

Houve uma “pseudo atualização de salários, que não envolveu todos os médicos, que foi perfeitamente assimétrica e, portanto, nós entendemo-la como uma fraude; assim como a proposta da dedicação plena e a obrigatoriedade que alguns médicos têm de aceitarem a dedicação plena é uma fraude muito grave, com perda de direitos laborais e com a possibilidade de fazerem com esse médico quase aquilo que bem entenderem (deslocá-lo 30 km para fazer urgências). (…) a maior parte dos centros de saúde que foram agora transformados em ULS obrigam a que os profissionais adiram à dedicação plena; se não o fizerem, são deslocados várias dezenas de quilómetros do local onde estavam a trabalhar para integrarem outras unidades”, criticou a porta-voz dos Médicos em Luta.

Para Susana Costa, é preciso “retificar todas estas anomalias no que respeita aos profissionais e, sobretudo, aos profissionais mais diferenciados. Portanto, os Médicos em Luta estão a reter todas as situações de anomalia que se vão passando” e “vão certamente reportá-las”.

“Tenho esperança no novo executivo. Creio que foi muito claro aquilo que foi feito de errado anteriormente. (…) De resto, temos no Parlamento um antigo bastonário da Ordem dos Médicos que certamente também é uma pessoa empenhada no SNS”, acrescentou Susana Costa.

“Pior do que aquilo que foi feito [no anterior executivo] é muito difícil”, na perspetiva de Susana Costa. Com o novo Governo a dar os primeiros passos, os médicos, neste momento, não estão em luta: “estamos vigilantes porque, naturalmente, vamos aguardar pelo resultado das reuniões que o novo executivo vai encetar com os sindicatos”, explicou Susana Costa.

“É preciso motivar os profissionais, e acreditamos que o novo executivo tem essa perceção”, afirmou a médica.

HN/Rita Antunes

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