Porto participa em projeto europeu para tornar o parto mais fisiológico e seguro

15 de Maio 2024

A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) está a participar num projeto europeu de tecnologia de realidade virtual e aumentada para melhorar o treino de enfermeiros no posicionamento das grávidas durante o parto, revelou hoje uma investigadora.

O projeto – que envolve profissionais de Portugal, da Alemanha e da Chéquia – tem como objetivo tornar o parto mais fisiológico e seguro, tanto para a mãe como para o bebé.

“Há posições que, quando adotadas pela mulher durante o trabalho de parto, podem influenciar positivamente a progressão do processo e favorecer a descida do bebé, além de ajudarem na gestão da dor”, explicou à Lusa a investigadora da FMUP Carla Sá Couto.

Assim, e depois de investigadores da Universidade de Munique (LMU), na Alemanha, terem identificado que existia uma lacuna no contexto educativo dos seus enfermeiros de saúde materna e obstétrica, conhecidos por enfermeiros parteiros, começou a ser desenvolvido um projeto europeu que visa passar para realidade virtual um conjunto de manobras e posições que podem ajudar mães e profissionais durante o parto.

Este projeto, que em Portugal é liderado pela FMUP, chegará aos estudantes das pós-graduações ou de mestrados de saúde materno obstétrica da Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP) no segundo semestre do próximo ano letivo.

Na prática, os alunos poderão praticar num ambiente virtual de forma a visualizar as estruturas anatómicas da grávida (pélvis), assim como o feto, durante o trabalho de parto e nascimento.

Serão simulados vários cenários clínicos, permitindo que os estudantes visualizem e identifiquem as posições maternas mais favoráveis ao parto que podem ser, por exemplo, estar de quatro ou de cócoras.

Numa segunda fase serão incluídos simuladores obstétricos, ou seja, manequins que imitam uma grávida e incluem um feto, aliados a tecnologia que é vista através de óculos de realidade virtual.

“Cremos que este treino vai contribuir para tornar o parto mais fisiológico e mais seguro. Mais fisiológico, no sentido de que as intervenções sejam menos invasivas e permitindo que a mulher tenha um papel mais participativo no trabalho de parto”, disse Carla Sá Couto.

A docente considerou que “reconhecer que estas manobras têm eficácia dá segurança para que a decisão clínica não salte logo para uma manipulação mais invasiva ou para cesariana”, apontando que os futuros enfermeiros “passarão a ter um modelo mental que lhes vai permitir construir um processo de decisão muito mais fácil quando tiverem de apoiar as parturientes”.

O projeto é financiado pelo Erasmus+ Cooperation Partnerships in Higher Education (KA220-HED) com 400 mil euros.

O início do estudo-piloto está previsto para abril de 2025.

Ao todo, deverão participar 45 a 60 estudantes, dos quais 15 a 20 serão portugueses.

Da equipa da FMUP fazem parte, além da investigadora principal, Carla Sá Couto, os investigadores Inês Jorge e Abel Nicolau.

Além da FMUP, da LMU e da ESEP, participam no projeto a Katholische Stiftungshochschule University of Applied Sciences (KSH) e a Masaryk University (MUNI MED).

LUSA/HN

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