Fabricantes da Sputnik negam presença de adenovírus e contestam decisão do Brasil

28 de Abril 2021

Os órgãos responsáveis pela produção da vacina russa contra a Covid-19 negaram esta quarta-feira a presença de adenovírus no produto e contestaram os argumentos do órgão regulador do Brasil para negar a importação da Sputnik V.

Na segunda-feira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) brasileira negou a importação da vacina, apoiando a decisão na falta de dados e falhas graves de segurança, como a presença de adenovírus em vários lotes.

O adenovírus é usado como um vetor que leva o material genético do coronavírus ao indivíduo vacinado, mas deve estar inativo, sem capacidade de se replicar e causar a doença.

“A equipa da Sputnik V abordou as questões técnicas levantadas pelos diretores da Anvisa (…) para demonstrar que essas alegações não têm base científica e não podem ser tratadas com seriedade na comunidade científica e entre os reguladores internacionais”, indicaram o Instituto Gamaleya e o Fundo de Investimento Direto da Rússia, em comunicado.

De acordo com as entidades russas, “não foi encontrado nenhum adenovírus competente para replicação (RCA) em qualquer um dos lotes de vacina Sputnik V que foram produzidos”.

“Apenas os vetores adenovirais não replicantes do tipo E1 e E3, que são inofensivos para o corpo humano, são usados na produção da vacina Sputnik V”, argumentaram as entidades.

Sobre a falta de acesso aos locais de fabricação, na Rúsusia, por parte de técnicos da Anvisa, o comunicado defende que a equipa teve acesso “a todos os documentos relevantes, bem como aos locais de pesquisa e produção”.

De acordo com os fabricantes da vacina, a segurança e a eficácia da Sputnik V foram confirmadas por 61 reguladores em países onde a vacina foi autorizada com uma população total superior a três mil milhões de pessoas.

“O estudo do mundo real na Rússia após a vacinação de 3,8 milhões de pessoas demonstrou a eficácia da Sputnik V em 97,6%”, frisaram.

Assim, as entidades russas avaliaram que a decisão da Anvisa “é, infelizmente, de natureza política e nada tem a ver com o acesso do regulador à informação ou ciência”.

Os investigadores da vacina lembraram que, no relatório anual do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, um funcionário admitiu ter conseguido “convencer o Brasil a desistir da vacina russa contra a Covid-19”.

Após terem acusado o órgão regulador do Brasil de “inventar ‘fake news’ facilmente refutáveis com factos claros e evidências”, os fabricantes da Sputnik V convidaram a Anvisa, através da rede social Twitter, para “um debate público no comité apropriado do Congresso do Brasil”.

O Brasil enfrenta atualmente a pior fase da pandemia, com 395.022 óbitos e 14.441.563 infeções.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 3.122.150 mortos no mundo, resultantes de mais de 147,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.970 pessoas dos 834.991 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

LUSA/HN

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