Especialistas e políticos regressam hoje ao Infarmed para analisar pandemia

Especialistas e políticos regressam hoje ao Infarmed para analisar pandemia

Na reunião, que mantém o formato semi-presencial, participam o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa.

Como tem sido habitual, a ministra da Saúde, Marta Temido, e grande parte dos especialistas estarão presentes e, desta vez, os diferentes partidos com assento parlamentar poderão enviar um elemento à reunião. Os restantes acompanharão os trabalhos por videoconferência.

Na semana passada, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, adiantou que neste encontro será debatida a nova etapa do processo de desconfinamento, num momento em que o país está próximo de concluir o plano de vacinação que arrancou no final de 2020 e a alcançar os 85% da população vacinada.

Apesar de não ter fornecido detalhes sobre o que vai acontecer quando Portugal atingir esse patamar, Mariana Vieira da Silva advertiu, mesmo assim, que a partir de outubro, o país vai ter de continuar a conviver com algumas “medidas obrigatórias” e com recomendações da Direção Geral da Saúde.

A sessão vai contar com a participação de especialistas da Direção-Geral da Saúde, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, da Autoridade Nacional do Medicamento, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

Neste encontro, será analisada a situação epidemiológica no país, a efetividade das vacinas, os cenários para o outono e inverno, entre outras questões relacionadas com a pandemia.

Na quarta-feira, em Roma, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou-se “feliz” por participar na reunião de hoje com “a melhor situação” relativa à pandemia “em ano e meio”.

LUSA/HN

Diretora da Escola de Saúde Pública defende manutenção do uso de máscara em espaços fechados

Diretora da Escola de Saúde Pública defende manutenção do uso de máscara em espaços fechados

Apesar de a atual fase do plano de desconfinamento do Governo para o controlo da pandemia prever o fim da obrigatoriedade da utilização de máscara em espaços públicos, cuja lei está em vigor até dia 12, Carla Nunes argumenta que está em causa uma relação “custo-benefício” na continuidade do uso deste equipamento de proteção individual que se devia manter.

“Em espaços fechados as pessoas devem continuar a ter a máscara, a ter o distanciamento, a lavar as mãos e a abrir sempre as janelas. São medidas que, de alguma forma, não nos inibem totalmente de retomarmos a nossa vida: podemos continuar a trabalhar, a sair, a ir ao cinema e retomar a maior parte das coisas que fazemos”, afirma a líder da ENSP, acrescentando: “Estas medidas não são limitativas da nossa vida, somente aborrecidas”.

Recorrendo ao barómetro covid-19, produzido pela instituição que lidera e cujos dados têm sido partilhados ao longo da pandemia nas reuniões realizadas no Infarmed entre especialistas e políticos, Carla Nunes reforça que o maior problema nas restrições adotadas nunca esteve, sequer, nas máscaras, mas sim na limitação das situações de confraternização com amigos ou familiares e adianta que 85% dos inquiridos só esperam um regresso à normalidade em 2022.

“Todos sabemos que isto tem de ser um compromisso e, se nós usarmos algumas destas restrições, é mais provável que não tenhamos de dar passos atrás. Voltaremos a ser os mesmos com outras medidas e outros cuidados, mas acho que é urgente retomarmos a nossa atividade como um todo. Temos de voltar ao nosso trabalho com as devidas adaptações: as máscaras, o distanciamento, os rastreios e os testes estarão dentro dessa normalidade”, frisa.

Questionada sobre o relacionamento entre os especialistas e os decisores políticos, a epidemiologista e matemática – que esteve sempre presente nos encontros efetuados na sede da autoridade do medicamento para a análise da situação epidemiológica – reconhece que é um processo que também passou por diferentes fases, mas não deixa de salientar a “abertura positiva” e que especialistas e dirigentes políticos tinham papéis distintos.

“É positiva a audição dos peritos e também é positivo que seja aberto ao mundo. Há determinados temas que, pela sua complexidade, por vezes, depois precisam de ser maturados a outros níveis que serão, com certeza, onde nós não estamos”, observa, continuando: “Os especialistas dizem o que acham e o Governo faz o que quer, ouvindo estes e outros especialistas e não havendo nenhum tipo de condicionamento externo nesta relação”.

Já em relação à postura da Direção-Geral da Saúde (DGS) e as suas diferenças durante a pandemia, a diretora da ENSP da Universidade Nova de Lisboa nota que a Covid-19 representou também uma “grande aprendizagem” para a instituição liderada por Graça Freitas e que as diferentes fases exigiram mudanças nem sempre fáceis na estratégia de comunicação.

“Houve uma primeira abordagem: toda a gente muito informada de qualquer pormenor, todos os dias e a todas as horas”, refere, admitindo um “excesso de informação” da DGS.

Por outro lado, destaca a entrada de outros atores neste processo, como a ‘task-force’ responsável pelo plano de vacinação, algo que entende como cada vez mais necessário, uma vez virada a página da pior fase da pandemia: “Temos de mudar os atores, porque não podem ser sempre os mesmos a falar em mortes e no dia seguinte a falar de vacinas”.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 17.757 pessoas e foram contabilizados 1.039.492 casos de infeção confirmados, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

LUSA/HN

Erradicação global do vírus é “provavelmente viável”

Erradicação global do vírus é “provavelmente viável”

Para os signatários do estudo publicado no BMJ Global Health, as políticas de saúde e o interesse global em decorrência das crises financeiras e sociais fazem com que a erradicação do vírus seja possível, mas, segundo especialistas da Universidade de Otago Wellington (Nova Zelândia), os principais objetivos são garantir uma maior cobertura de vacinação, capaz de responder com rapidez às variantes.

“Embora a nossa análise seja preliminar, com vários elementos subjetivos, parece colocar a erradicação da covid-19 dentro do campo do possível, especialmente em termos de viabilidade técnica”, afirmam os autores do estudo, que inclui dados comparativos de fatores técnicos, sociopolíticos e económicos de infeções por Covid-19, poliomielite e varíola.

Os investigadores usaram um sistema de pontuação de três pontos para cada uma das 17 variáveis, incluindo a disponibilidade de uma vacina segura e eficaz, imunidade vitalícia, o impacto das medidas de saúde pública e gestão governamental eficaz de controlo da infeção.

Também a preocupação política e pública com repercussões económicas e sociais ou a aceitação de medidas restritivas foram calculadas.

As pontuações médias no estudo totalizaram 2,7 para a varíola, 1,6 para a Covid-19 e 1,5 para poliomielite.

A varíola foi declarada erradicada em 1980 e dois dos três serótipos do poliovírus também foram erradicados globalmente.

Os especialistas reconhecem que, em relação à varíola e à poliomielite, os desafios técnicos da erradicação da Covid-19 incluem a baixa aceitação da vacina e o surgimento de variantes mais transmissíveis.

“Porém, a evolução viral tem os seus limites. É de se esperar que o vírus acabe por atingir a sua capacidade máxima e que novas vacinas sejam concebidas”, argumentam.

A persistência do vírus em reservatórios de animais também pode frustrar os esforços, mas não parece ser um problema sério, acrescentam os investigadores.

Por outro lado, é destacado o “interesse global sem precedentes no controlo da doença e no investimento maciço na vacinação contra a pandemia”.

Ao contrário da varíola e da poliomielite, a Covid-19 beneficia do impacto adicional das medidas de saúde pública, como controlo de fronteiras, distanciamento social e o uso de máscaras, que “podem ser muito eficazes, se [forem] bem implantadas”.

A eliminação da Covid-19 foi alcançada e sustentada em longos períodos, em várias regiões asiáticas, “fornecendo a prova […] de que a erradicação global é tecnicamente possível”, resumem.

O estudo identifica, entre os desafios futuros, conseguir a cooperação internacional para combater o “nacionalismo das vacinas”.

LUSA/HN

Grécia enfrenta onda de calor com temperaturas que podem atingir 45 graus

Grécia enfrenta onda de calor com temperaturas que podem atingir 45 graus

A onda de calor coincide com as férias de verão.

No porto de Pireu, em Atenas, formaram-se hoje longas filas de passageiros que esperaram sob um sol escaldante o controlo dos certificados de Covid-19 para poderem realizar o embarque com destino às ilhas de destino.

De acordo com o Serviço Meteorológico Nacional, a onda de calor deve-se a uma massa de ar quente que vai percorrer o território grego da costa oeste ao litoral leste.

Os meteorologistas preveem que durante a próxima semana as temperaturas vão permanecer muito elevadas.

A previsão indica que durante a noite as temperaturas mínimas vão ser também muito elevadas, superiores a 30 graus.

O diretor do Serviço Meteorológico Nacional, Theodoris Kolydas, qualificou a situação como “perigosa” sublinhando que se espera “um pico” relativo a temperaturas altas nas próximas segunda-feira e terça-feira com uma descida lenta que vai prolongar-se até ao final da próxima semana.

Perante as previsões sobre o aumento das temperaturas, várias autarquias puseram em funcionamento salas climatizadas abertas durante todo o dia para proteção dos grupos de pessoas mais vulneráveis.

A Associação dos Médicos de Atenas instou os cidadãos a beberem muita água, evitarem bebidas alcoólicas e que se refresquem com frequência.

A associação apelou à população para evitar os transportes durante as horas de muito calor, especialmente no centro de Atenas devido à poluição.

Durante uma conferência de imprensa, o ministro da Proteção Civil, Mijalis Jrisojoidis pediu à população para evitar qualquer atividade suscetível de provocar incêndios.

O ministro alertou também sobre a necessidade de poupança da água potável e do consumo de eletricidade.

Na Grécia, os cortes de eletricidade e de abastecimento de água potável são frequentes quando se registam ondas de calor.

No verão de 1987, uma onda de calor semelhante prolongou-se durante 11 dias e provocou a morte a cerca de três mil pessoas, 2.300 das quais em Atenas.

LUSA/HN

PCP quer que se “liberte a vida das famílias de restrições injustificadas”

PCP quer que se “liberte a vida das famílias de restrições injustificadas”

“Sem antecipar decisões que o Governo venha a tomar, o que o país precisa é que deixemos de viver em função do horror dos números, se liberte a vida das famílias de restrições injustificadas e se tomem medidas de dinamização da atividade económica, social, cultural e desportiva”, defendeu Jorge Pires, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP.

Numa declaração enviada aos jornalistas, o dirigente comunista destacou o que considerou ter sido o reconhecimento hoje na reunião no Infarmed, que voltou a juntar especialistas e políticos para avaliar a situação epidemiológica, “da desadequação da fixação de um conjunto de restrições baseada numa matriz de risco e num conjunto de linhas vermelhas, que serviram sobretudo para justificar a aplicação de medidas restritivas”.

“O que a atual situação epidemiológica reclama, mais do que insistência em restrições, é a adoção de medidas que permitam recuperar atrasos na vacinação, a implementação da testagem e o reforço das equipas de saúde pública fundamental ao rastreio dos novos casos e dos contactos por estes realizados”, sustentou.

O PCP sublinhou que “a solução mais sólida e mais eficaz para combater a Covid-19, é a vacinação rápida de todos, objetivo que exige a aquisição das vacinas em falta e a contratação de mais profissionais” e alertou que apesar do trabalho dos profissionais de saúde ainda se está “longe das necessidades”, o que imputa ao facto de o Governo não ter “diversificado a aquisição das vacinas”.

Os comunistas têm vindo a defender a “diversificação da aquisição de vacinas, junto de países ou farmacêuticas que desenvolveram vacinas reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde” e fizeram aprovar uma recomendação na Assembleia da República nesse sentido.

“O país e os portugueses não aguentam mais uma situação marcada pelo aumento de falências de milhares de micro, pequenas e médias empresas, do aumento do desemprego e da pobreza. Uma situação que só não é mais grave porque por iniciativa do PCP, entre outras medidas, foi possível assegurar a 300 mil trabalhadores em ‘lay-off’ os seus salários por inteiro, que mais de 50 mil desempregados tivessem visto os seus subsídios de desemprego prolongados, e muitos outros que da cultura a atividades independentes tivessem tido acesso a apoios”, defendeu.

LUSA/HN