Na Guiné-Bissau muitas crianças podem não voltar à escola e migração pode aumentar

29 de Maio 2020

Muitas crianças da Guiné-Bissau podem não regressar à escola e a migração deverá aumentar devido à Covid-19, segundo um relatório divulgado pelo Programa da ONU para o Desenvolvimento.

“Algumas crianças podem não regressar à escola e as meninas estão desproporcionalmente em risco de desistir. Muitas famílias veem a sua atividade económica interrompida e as mais vulneráveis recorrem ao trabalho infantil ou casam as filhas para lidar melhor com a crise”, pode ler-se no relatório, que analisa o impacto socioeconómico do novo coronavírus na Guiné-Bissau.

Com um dos índices de desenvolvimento humano mais baixos do mundo, na Guiné-Bissau a maior parte dos alunos não termina o quarto ano de escolaridade e quase metade das crianças nunca foram à escola.

No âmbito do combate e prevenção à Covid-19, as autoridades guineenses encerraram as escolas por tempo indeterminado.

“A falta de dispositivos tecnológicos e o elevado custo de acesso à Internet torna a educação em casa numa opção não viável para a população em geral”, refere-se no relatório.

No documento salienta-se também que o encerramento das escolas e a falta de perspetivas de emprego devido ao surto de Covid-19 pode levar à radicalização dos jovens e à migração.

Nesse sentido, o relatório salienta que é importante investir em infraestruturas e educação para permitir a criação de emprego e empregabilidade dos jovens e “dar-lhes voz e meios financeiros para serem protagonistas do seu próprio sucesso económico”.

“O retrocesso económico e a falta de serviços de qualidade vai levar mais guineenses a procurar um futuro melhor em outros países”, refere o documento, alertando para a possibilidade de serem alvo de tráfico de seres humanos.

A Guiné-Bissau regista quase 1.200 casos de infeção por covid-19 e oito vítimas mortais.

Em África, há 3.790 mortos confirmados em mais de 129 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 357 mil mortos e infetou mais de 5,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,2 milhões de doentes foram considerados curados.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

IPG acolhe polo do Centro de Envelhecimento Ativo

O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) vai acolher um polo do Centro de Competências de Envelhecimento Ativo, que irá desenvolver atividades para criar melhores condições de vida aos idosos da região.

UC integra estudo mundial sobre aumento da obesidade

Mais de um bilião de pessoas vivem atualmente com obesidade no mundo, segundo um estudo internacional em que participaram investigadores da Universidade de Coimbra (UC), divulgou a instituição.

Quinze ULS terão equipas dedicadas na área da Saúde Mental

Os primeiros Centros de Responsabilidade Integrados dedicados à Saúde Mental vão arrancar em 15 Unidades Locais de Saúde, numa primeira fase em projeto-piloto e durante 10 meses, segundo uma portaria publicada em Diário da República.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights