Alta prevalência de sida e má nutrição agrava incerteza em Moçambique

9 de Junho 2020

O Instituto Nacional da Saúde (INS) de Moçambique considerou esta terça-feira que a alta prevalência de VIH/Sida e desnutrição crónica aumenta a incerteza em relação ao impacto da Covid-19 no país, em caso de uma transmissão comunitária de larga escala.

“Há uma grande incerteza, porque não se sabe o que o novo coronavírus pode fazer numa população como a nossa, num quadro epidemiológico prévio”, afirmou Sérgio Chicumbe, diretor para a Área de Inquéritos e Observação em Saúde no INS, em entrevista ao canal público Televisão de Moçambique (TVM).

O quadro epidemiológico prévio da população moçambicana carateriza-se por uma elevada prevalência de VIH/Sida e desnutrição crónica, principalmente entre jovens e crianças, assinalou Sérgio Cumbe.

Cerca de dois milhões dos quase 30 milhões de moçambicanos estão infetados por VIH/Sida, de acordo com dados oficiais.

A desnutrição crónica afeta 43% de crianças moçambicanas menores de cinco anos.

Nesse sentido, prosseguiu, o país deve evitar o alastramento da transmissão comunitária, para evitar mortes em massa e a sobrecarga do Sistema Nacional de Saúde (SNS).

No último fim de semana, o ministro da Saúde de Moçambique, Armingo Tiago, anunciou que a cidade de Nampula, norte do país, entrou na transmissão comunitária da Covid-19, devido à rápida propagação do novo coronavírus, tornando-se o primeiro ponto do país nessa situação.

Sérgio Cumbe manifestou cautela em relação à influência que o facto de mais de 50% da população moçambicana ter menos de 18 anos pode ter na proteção da pandemia de Covid-19, mas assinalou que o quadro de doenças cardiovasculares que potenciou a gravidade da doença noutros países não poderá ter peso no caso de Moçambique, em caso de uma transmissão comunitária.

O diretor para a Área de Inquéritos e Observação em Saúde defendeu o reforço das medidas de prevenção e vigilância epidemiológica, visando a contenção da disseminação do novo coronavírus.

Sérgio Chicumbe apontou a ativação das redes de vigilância comunitária, envolvendo os agentes de saúde e as lideranças locais, como essenciais para evitar o alastramento do novo coronavírus nas comunidades.

O reforço da capacidade de testagem, através da instalação de laboratórios em mais zonas do país, e o acompanhamento dos fluxos migratórios são também importantes para travar o novo coronavírus no país, acrescentou Chicumbe.

O diretor para Área de Inquéritos e Observação em Saúde do INS avançou que o combate à discriminação de pessoas suspeitas de infeção pelo novo coronavírus nas comunidades é um desafio que deve ser levado a sério.

Nessa perspetiva, Sérgio Chicumbe defendeu o recurso à experiência que o país aplicou na luta contra a discriminação de pessoas com VIH/Sida para o combate ao estigma associado à Covid-19.

Moçambique conta com 433 casos de Covid-19 e dois óbitos.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 404 mil mortos e infetou mais de sete milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.

LUSA/HN

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